sexta-feira, abril 13, 2007

De Amor escrevo...


Fotografia de Haleh Bryan


De Amor escrevo, de Amor falo e canto;
E se minha voz fosse igual ao que amo,
Esperara eu sentir na que em vão chamo
Piedade, e na gente dor e espanto.

Mas não há pena, ou língua, ou voz, ou canto
Que mostre o amor por que eu tudo desamo,
Nem o vivo fogo em que me sempre inflamo,
Nem de meus olhos o contino pranto.

Assi me vou morrendo, sem ser crida
A causa por que em vão mouro contente,
Nem sei se isto que passo é vida ou morte.

Mas inda da que eu amo fosse ouvida
E crida minha voz, e da vã gente
Nunca entendida fosse minha sorte!


(Soneto I de Pêro de Andrade Caminha in "Poesias Inéditas")

10 comentários:

rouxinol de Bernardim disse...

Também eu "mouro", às vezes, mas é a sina de quem ama...

Eduardo P.L. disse...

Dois Prêmios, dois ótimos blogs! Que fôlego! O Ruben tem ótimo gosto. Adorei suas ilustrações das postagens! As poesias e musica idem. blogs muito bem cuidados.

Eduardo P.L. disse...

Dois Prêmios, dois ótimos blogs! Que fôlego! O Ruben tem ótimo gosto. Adorei suas ilustrações das postagens! As poesias e musica idem. blogs muito bem cuidados.

Eduardo P.L. disse...

Dois Prêmios, dois ótimos blogs! Que fôlego! O Ruben tem ótimo gosto. Adorei suas ilustrações das postagens! As poesias e musica idem. blogs muito bem cuidados.

della-porther disse...

gosto de vir ...adoro ler-te.

beijos

della

Paula Raposo disse...

Um prazer conhecer-te. Beijinhos.

joão oliveira disse...

cumprimentos
vou colocar um link do seu blog num dos meus "joooliveira.blogspot.com", o outro meu blog é "terrasdetavares.blogspot.com"
parabéns por este blog, se quiser coloque um link do meu, obrigado

MARIA VALADAS disse...

Uma visita á Poesia Portuguesa, é sempre um prazer renovado!

Beijinhos da

Maria

Delfim Peixoto disse...

Doce descanso ler e estar aqui...
parabéns

Anónimo disse...

Fantástico este soneto e a imagem não podia ser melhor escolhida.
Mil beijos da Ana