quinta-feira, maio 03, 2007

Jardim dos Poetas...

Vincent Van Gogh in Jardim dos Poetas


Tantos bons poetas! Tantos bons poemas!
São realmente bons e bons,
Com tanta concorrência não fica ninguém,
Ou ficam ao acaso, numa lotaria da posteridade,
Obtendo lugares por capricho do Empresário...
Tantos bons poetas!
Para que escrevo eu versos?
Quando os escrevo parecem-me
O que a minha emoção, com que os escrevi, me parece –
A única coisa grande no mundo...
Enche o universo de frio o pavor de mim.
Depois, escritos, visíveis, legíveis...
Ora...E nesta antologia de poetas menores?
Tantos bons poetas!
O que é o génio, afinal, ou como é que se distingue
O génio, e os bons poemas dos bons poetas?
Sei lá se realmente se distingue...
O melhor é dormir...
Fecho a antologia mais cansado do que do mundo -
Sou vulgar?...
Há tantos bons poetas!
Santo Deus!...

(Álvaro de Campos, 1/5/1928)

11 comentários:

Graça Pires disse...

Fazem todo o sentido as questões colocadas com tanta ironia por Álvaro de Campos. Afinal "há tantos bons poetas". O melhor é dormir? Ou o melhor é escrever até que o coração sossegue? Apesar de tantos e bons poetas... Um beijo e viva a poesia!

Anónimo disse...

grande poema!! com uma ironia diabólica!!!! :-)))))

Vieira Calado disse...

E diz ele muito bem: "o capricho dos editores..."
O seu blog é interessante, por estas e outras coisas, também pelas belas fotografias e música.
Abençoada é a ARTE.

Teresa Durães disse...

é engraçado como passado quase 80 anos as palavras continuam a ter o mesmo significado na mesma sociedade. Não mudámos nada ou são ciclos que se perpétuam?

António Silva disse...

Comungo inteiramente da opinião sublime de Álvaro de Campos. Sempre ouvi dizer que Portugal é um país onde a Poesia ganha apreço dia a dia. Somos saudosistas, comodistas, expressionistas e malabaristas assemelhando-se de quando em vez a leais artistas.
Felicito-te pela bonita selecção da imagem e pela beleza do Poema que tantas interrogações não se cansa de salientar.
Um abraço carinhoso e volta sempre com dedicação e amizade.

Somos poetas como profetas
arautos de um novo legado
que um dia será louvado
por aqueles que lançam setas.

Nada nos fere e degenera
continuamos incolumes
aparamos os rudes golpes
ansiando a bonita atmosfera.

A Poesia não tem segredo
contamos o que nos apetece
apregoamos tudo o que endoidece
sabendo que passaremos degredo.

Ninguém está indiferente
a escrita vai triunfando
a comunicação brilhando
enquanto a mensagem alegra o povo carente.

Maria Clarinda disse...

Excelente...adorei o poema que já conhecia, mas só hoje contigo o li com outros olhos.
Obrigada por isso, jinhos

Fuser disse...

Poesia

então, a menina não vem?

beijos

fuser

joão oliveira disse...

cumprimentos á poesia portugesa
por vezes acontece que grandes poetas fiquem esquecidos, que as suas grandes obras literárias não `têm veiculo para outros lugares e gentes
bom fim de semana

isabel mendes ferreira disse...

___________________________








subscrevo!!!!!!!!!!!!!









__________________beijo.

Anónimo disse...

Um poema sempre tão actual!!!!!
Muito bem escolhido e muito oportuno também
Bjs do Ze

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Esta-se bem aqui, porque amando-se a poesia isto e' um paraiso, parabens, um abraco Namibiano Ferreira