quinta-feira, maio 31, 2007

Preso entre nada...


Imagem de autor desconhecido



Preso entre nada a prender-me,
Na infindável imensidão do não ser,
Atravesso universos que não conheço.
Dilaceram-me esses sóis que sem crepúsculos
Vejo morrer sangrados pelo finito.
Regidas por secretos repousos,
Gravitam em torno do tempo
Elipses forjadas pelo eterno movimento.
Se tento libertar-me, fico pendente
Nas arestas da incerteza.
Quando liberto, o sonho evapora frio
E o absoluto fragmenta-se.


(Poema de Bernardo Bomtempo)

12 comentários:

joão oliveira disse...

por vezes até é bom estarmos presos a algo, ao desprendermo-nos ficamos agarrados e não sabemos a quê?
Gosto de vir ler a poesia portuguesa
Excelente fim de semana

Maria disse...

Vim ler-te, como de costuma.
Mas hoje tenho de dizer que a fotografia é fantástica...

Anónimo disse...

o nome do autor não condiz com a imagem loll
mas está tudo muito lindo
jinhos da Dina

Anónimo disse...

Dor cósmica? Exílio ôntico? Este texto parece-me ser uma fusão perfeita destes dois elementos.

Paula Raposo disse...

Excelente poema! Beijos.

Pink disse...

Poema que me faz lembrar elementos pessoanos. Belo, com algo de paradoxal ...

Um prazer, esta visita!

Beijo pink :-)

MIGUEL GIRASSOL disse...

gostei muito

Anónimo disse...

passei por seu site mas não tou podendo comentar lá. gostei muito das poesias de você
bjs da lisa

lena disse...

Poesia hoje não chega só ler-te


primeiro porque desconhecia Bernardo Bomtempo, o que li deixou-me sem palavras, muita da sua poesia tem uma forma tão ritmada que é impossível não ficar indiferente ao fascínio que liberta

depois a imagem que hoje partilhas e que conjuga com o poema, tenho que te dizer que primas-te, uma palavra:
perfeito!

não me tento libertar daqui, sei que estou para ficar!

parabéns ao poeta, parabéns merecidos

a ti deixo o meu abraço carregado de carinho

beijos muitos e uma vez mais obrigada por este belo momento

lena

António Silva disse...

Curvo-me perante tanta ousada inspiração, sabiamente equilibrada pelo bom senso, sensibilidade e rugido.
Obrigado ao autor e poeta Bernardo Bomtempo, prossegue humildemente o teu caminho, fala e revela a dor da alma sofrida como teu maior alimento.

Luciana disse...

J'espère que tu trouveras cependant toujours un peu de refuge dans l'amour que j'éprouve pour toi. Je t'aime.

Luis Eme disse...

Extraordinário...