quinta-feira, junho 28, 2007

Não me recordo


Imagem de Elena Chernenko


Não me recordo se havia alguma flor
no meu jardim.
Talvez fosse Verão... mas todas as manhãs, ao acordar,
inexplicavelmente sentia saudades de mim.


Só sei chorar em português. Se minha mãe soubesse...
Como detesto os meus brinquedos de criança.
Talvez fosse Verão, e houvesse flores...
Eu é que não fui um jardim na minha infância.


Todos os astros se perderam no infinito.
Que saudades eu sinto de não ter sido um outro.
Talvez fosse Verão, sei lá, e houvesse flores.
Só eu não fui ninguém entre o meu ser
e o sonho de outro.

(Poema de Heitor Aghá Silva)

(in «Nove Rumores do Mar»,
org. de Eduardo Bettencourt Pinto,
Instituto Camões, 2000)

12 comentários:

MIGUEL GIRASSOL disse...

não conhecia.gostei muito

Teresa Duraes disse...

também gostei,

boa tarde

Anónimo disse...

belissimo!!! esse autor é da Madeira, não é? já li sobre ele.
Kisses da
Vera

Paula Raposo disse...

Belíssimo poema!! Beijos.

Abel Caetano disse...

Bem regressada!
Uma otima escolha como é habitual em vc
Beijão :-)))))

RitaCosta disse...

Lindo poema!
Beijus poéticos

Anónimo disse...

Desconhecia este Autor e gostei imenso...
Obrigada.

Um beijo enorme da

M.M.

Teresa David disse...

Gostei da imagem diáfana e o poema que tão bem a complementa.
Bjs
TD

Sulista disse...

Que imagem tão sensual. Muito bonita!
:-D

E que música tão calma p o espirito.
Beijão!

(ja´te respondi aquilo, no outro blog...)

Violeta SemDestino disse...

É sempre bom passar por aqui e descobrir novos poemas.

Ana Sobral disse...

Uma imagem merecedora do poema que nos ofereceste. É bom ter-te de volta!!!!!

Muito jinhossss da Ana

Zénite disse...

talvez tenha sido
um incêndio de olhos
quiçá de relâmpagos.
acaso um vento magnético e solar
terá soprado naquele verão
numa estranha fluorescência de oiro e fogo
e iluminado em intermitência
qual boreal aurora
os meus altares do nada.
porque frágil é o corpo
e efémero é o sonho
talvez tenha sido assim
um certo verão.
um verão que foi meu.


Belo poema!

P.S.: Poesia, já te respondi nos Castelos. Dispõe.

jinhos