sexta-feira, março 14, 2008

Comunhão


Imagem de Turner Dyke

Deixa-me voltar para onde o ar
É mais puro, e a vida mais leve!
Deixa-me...
Ainda que por um momento efémero e breve,
Deixa-me voltar a sentir o vento
Abanar as copas dos pinheiros
E a ver giestas e papoilas
Florirem nas encostas!
Deixa-me voltar a respirar
O odor a capelinhas e rosmaninhos
Pelo S. João,
Saltitar uma vez mais, por veredas e caminhos,
Como se a infância não tivesse ainda fugido....
Deixa-me...
Deixa-me achar-me no meio das serras,
Eu, que há muito ando já perdido!...
Deixa-me vida triste, cruel,
Deixa-me, que quero reaprender
A cheirar as ervas e o mato,
As flores e a Primavera!
Deixa-me,
Que quero sentir, como outrora, o cheiro da terra,
E beber outra vez, de bruços,
A água fresca das nascentes,
Nos cumes dos montes.
Deixa-me,
Que quero de novo sentir em mim
O despertar de uma quimera,
E a liberdade dos amplos horizontes...!


( Poema de
Luis Beirão )

6 comentários:

ZezinhoMota disse...

Bonito poema e um blogue digno dos meus humildes PARABÉNS.

Um abraço para o autor do poema e do blogue.

Bom fim de semana.

ZezinhoMota

Tere disse...

Amarra teu arado a uma estrela e os tempos darão safras e safras de sonhos (G.Gil)

Beijo básico da companheira que morre de saudade!

Maria Laura disse...

Ao encontro da inocência renascida. Um belíssimo poema.

Paula Raposo disse...

Senti a transparência destas palavras...beijos.

Meg disse...

É um poema muito bonito e com uma tela fantástica.

Um abraço

Luis Beirão disse...

É isso mesmo... ao encontro da inocência renascida define mais ou menos a sensação. Mas fica a pergunta: o percurso da virgindade para a não-virgindade é fácil, como fazer o percurso inverso?