domingo, novembro 02, 2008

Depressão


Imagem de Alexander Vasilenko



Aqui nos dias que correm
Além da vertigem que a todos cega
As mágoas diversas corroem
A alegria que se lhes nega

Núcleos suspeitos vão tecendo
Malhas para tudo abarcar
O prazer de criar vai morrendo
Forçando a natureza a mudar

Em conflito permanente
Numa ameaça constante
Rasga-me a pele de repente
O teu gume lancinante
Num covil perdido
Bem dentro de nós
Quero ficar escondido
Breves instantes a sós

Descendo ao Inferno dos sentimentos
Ausentes num lugar sem fundo
Ultrapassando todos os lamentos
Fingindo não ser deles este mundo

Dizem que há quem se deprima
Para continuar a crescer
Eu vi alguém matar a rotina
Para só então renascer

Poema de
Hélder Dias

20 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Ninguém se deprime para cresceer! Mas da depressão, de batermos no fundo, de quase morrermos, resulta o crescimento e quantas vezes a ressurreição! Mas nem sempre. Dependerá da luz que orientará os espíritos.
Eduardo

Vieira Calado disse...

Passei para ler o poema e desejar bom Domingo.

Um abraço.

Anónimo disse...

***Descendo ao Inferno dos sentimentos
Ausentes num lugar sem fundo
Ultrapassando todos os lamentos
Fingindo não ser deles este mundo***


revejo-me de uma forma intensa nestas palavras
Maria N

Paula Raposo disse...

Interessante poema! Os Poetas sentem à sua maneira. Por isso são Poetas...beijos.

Apenas eu disse...

Parabéns! Porque a depressão é isso mesmo...
Gostei muito deste poema.

beijos

PoEtA** SoLiTaRiO (*-*) disse...

OprE** Gestei muito de suas poesias em especial essa ............

Quem sabe vocÊ nao da uma olhada nas minhas ...............


abraço fique na paz de jah ......

Eduardo Santos disse...

Boa noite. Voando de blog em blog aqui cheguei de mansinho. Fui lendo as poesias, apreciei as diferenças - felizmente que cada um de nós tem as suas características próprias - e decidi deixar marcada a minha presença. Parabéns pelo espaço, agradou-me e espero voltar. Até breve ou até sempre.

elvira carvalho disse...

Gostei do poema.
Um abraço e uma boa semana

A.S. disse...

Continuas a deliciar-nos com belissima poesia!...
O último verso é tão verdadeiro quanto subtil...

Um beijo...


Albino Santos

© Piedade Araújo Sol disse...

gostei do poema.


mais uma bela escolha.

beijo

Anónimo disse...

Com vista a dar “voz” aos novos autores, o Portal Lisboa estabeleceu uma iniciativa única, no campo da criação literária portuguesa.

Neste sentido, o Portal Lisboa vai apadrinhar duas colectâneas literárias, uma de Poesia e outra de Contos Literários, a serem editadas pela Chiado Editora.

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Descubra mais no site: www.portallisboa.net

Anónimo disse...

Apreciei bastante tanto este poema, como muitos outros que aqui vi...esta realmente uma escrita bastante chamativa, interessante que nos faz sentir tudo o que é escrito.

Rita Aiagarim disse...

Apreciei bastante tanto este poema, como muitos outros que aqui vi...esta realmente uma escrita bastante chamativa, interessante que nos faz sentir tudo o que é escrito.
(Deixei anonimo o comentario, daí postar de novo.)

Luis Eme disse...

desce-se e sobe-se, de preferência com boa poesia, portuguesa.

abraço

rouxinol de Bernardim disse...

Excelente! Este cantinho continua a primar pelo bom gosto!

Wlado disse...

As vezes penso: Quem reflete, verdadeiramente pensa na vida e o que é o viver em todos os aspectos, desde o relacionar-se ao introverter-se, se deprime!

Ana disse...

"... bem dentro de nós
quero ficar escondido
Breves instantes a sós."

Às vezes não apetece o mundo, não apetece os outros, às vezes só apetece um recanto cá no fundo de nós mesmos, onde ficamos seguros, onde tudo é, o que deve ser.

Belo poema!

Isaac Rehl disse...

Como é agradável ouvir o timbre do canto de um bardo; como são suaves os seus sotaques. Neste poema, sente-se a leveza da alma deslizando por sobre as palavras: pois, na verdadeira poesia, a beleza não está nas palavras, mas no espírito que paira cobre elas - como um Deus andando sobre as águas, seu espírito pairando sobre a face do abismo. Eu não só parabenizo, também agradeço por este belo poema; e parabenizo também o Blog pela inteligente iniciativa.

Anónimo disse...

quando a dor me aturmentar,
em ti vou pensar.
para que a tristeza a mal nao me leve,
numa oracao vou-me dedicar.

nos teus olhos encontro aflicao mas,
conta com o meu coracao,
para termenda compilaco...

no rarear dos deuses e mitos,
tu, eles ressuscitais...
sod a forma longinqua,
teu amor demonstraras.

suavemente avanco,
com a alma comovida
de um sonho e poca vida.
aqui vou declarar,
que na eternidade vou te amar...

por: mp2f@live.co.uk

Anónimo disse...

como se de uma antiguidade se trata-se
olhei-a, pasmado fiquei...
sua emensa e deslumbrante figura me seduzia e ao mesmo tempo que me consomia...

ali meu tempo gastei;
porque para tal beleza olhei...
ali minha vida deixei porque por tal beleza me apaixonei.


mp2f@live.co.uk