
Pintura de Victor Farat
Retorno a um sonho de criança.
Eis que os meus dedos leves tocavam
A tua tão doce textura, suave lembrança
Da madeira fria ao meu toque enquanto viajavam
Pelas teclas livremente já sem medos nem receios
Apenas leves suspiros e anseios...
Cada toque retomava em mim um doce sentimento
Anos de tormento se apagaram
Pela magia que no espaço onde seu nome reflecte cada momento
Dos que por lá passam, foram e ficaram
Alma, planície que nasceste na mente de um sonhador.
Moldaste-te, cresceste, ganhaste forma em nosso redor
Que continues a ser espelho de uma mente
Que não tem receio de mostrar o que sente
Que a ti regressem as boas almas, puras de espírito
Que as acolhas como refúgio mesmo quando alguém está perdido
Alma tens em ti uma força que muitos sentem
Percebendo-a ou não, ficam os espíritos da paz
Encerras em ti um mistério tão grande quanto o do sonhador que te alimenta
Continua a ser o lar calmo e tranquilo
O porto de abrigo
De quem, de ti precisa, na tormenta
De quem a ti se entrega nas horas más
E de quem apenas passa e todos sentem.
Bem vindo, fica connosco, saremos teu tormento.
Aconchegamos-te neste momento
Partilha connosco tuas mágoas ou alegrias
Une-te; deixa uma vez mais a mente voar
Flutuar
Alegria encontrar.
(Poema de Mifá in Secret desire)