terça-feira, abril 28, 2009

Nunca provoquei...


Imagem de Paul Alfred de Curzo



Nunca provoquei nenhum fogo que daí não
assumisse as reais consequências: os meus defeitos
são outros.
Nunca me queimei na dignidade de uma
fogueira nem nunca feri ninguém.
Muito pelo contrário.
Conservo, assim, o meu cadastro limpo,
imaculado e o orgulho redito de nunca ter traído
a verdade.
Assim me conservo só, conscientemente presa
às minhas verdades, às minhas promessas
enterradas na planície quente, num dia de
Outono para que o vento as não levasse.

Amo-te, oh se te amo, como sempre te amei
até ao fim dos nossos dias, quando formos apenas
pó numa caixinha de arroz
E estou pura. Digo-te.
Imaculada.
Assim os primeiros beijos que te dei
numa estrada sem sentido rumo aos mares
do sul da poesia. Caminho que hoje pisamos.
Até ao fim dos nossos dias.
Quente, como esta água de verão.

Pó, numa caixinha guardado.

(Poema de Maria Teresa Lopes in
Uma Flor à Janela)

quarta-feira, abril 15, 2009

Sopro de Vida


Imagem de Victor Farat


Somos sombras
de qualquer coisa incerta
pedaços de vidro
num grito de alerta .

O toque de um piano
por trás de uma porta
um raio de luz
que sem querer corta
um golpe profundo
que toca na alma
temor escondido
que brinca na calma
e traz o sossego da vida agitada
fazendo uma dança na ponta da espada.

somos também
um sopro esquecido
de enorme alegria por termos vivido.

(Poema de
Angelo Morgado in Realidades Imaginarias)