domingo, julho 05, 2009

O berço vazio


A Persistência da Memória, de Salvador Dali


Ao perto essa parede sempre branca
Caiada por um trapo de peneira
Cuidava dessa cal como quem canta
A retratar famílias, à lareira.

Nesse cuidado branco de quem espanta
Eu me revi e aos meus na erma eira.
Em outra aberta o ritual que encanta
O dar as mãos assim, junto à fogueira.

E foi então que descobri a tela
Um prego forte, um cravo por trás dela
Mãe vestida de negro, o olhar frio.

As mãos pousadas no regaço e um terço
Ajoelhada, com o olhar disperso
E ao lado um berço, esperança, mas vazio.

Soneto de
José M. Barbosa

Breve nota:

Oportunamente comuniquei
aqui a criação do Club de Poetas Vivos, um espaço que tinha a finalidade de juntar Poesia e Poetas e que conta, neste momento, com mais de 500 associados.

Contudo, problemas técnicos levaram-me a tomar a decisão de abandonar o CPV e o próprio Facebook.

Não foi fácil tomar esta decisão, diria até bastante penosa, mas ela foi tomada e aqui é assumida.

Grata a todos os que me deram a honra e privilégio de percorrer este caminho, que foi, contudo, bastante aliciante e me deu a coragem de levar esta ideia através do
Roteiro Poético, pelo que estão convidados a uma “viagem” por aquele espaço.

Obrigada.

28 comentários:

Vieira Calado disse...

Perfeito!

Anónimo disse...

Belo !
jcesar

Anónimo disse...

Poema. imagem. música
Perfeita triologia!
Joana Albuquerque

isabel mendes ferreira disse...

encantada.



pela "oração".



o meu abraço ao Z.

Graça disse...

Obrigada por me teres dado também a conhecer este espaço magnífico.

O soneto é belo. Aliás, tudo o que já vi por aqui partilha dessa beleza.

Um beijo meu

Naza Bispo disse...

Agradeço-lhe por mostrar-me, coisas tão lindas, obrigada

abraços...

Anónimo disse...

Estarei onde estiver irei onde for.
Apagou-se a estrela que mais brilhava no facebook.
Não devia de ceder muito menos deixar-se abater por chantagens de quem a não queira lá e o que lhe possam fazer ou dizer. O mundo é uma selva temos que ter forças para lutar.
A Menina é uma força da natureza não percebe isso? Porque se deixa abater então por quem se calhar nem produz nada e sente-se incomodado ou incomodada com a sua força?
Saí de ambos e como disse vou para onde estiver.

Abraço do
Luis

bonecadetrapos disse...

Do poema, destaco

"E foi então que descobri a tela
Um prego forte, um cravo por trás dela
Mãe vestida de negro, o olhar frio."

... tantas e tantas vezes assim é!
a descoberta do nosso "EU", na tela branca (computador, por ex.) é, ou pode ser "consequência" de uma dor, de uma perda (física ou outra)... e ali se manifesta.

Excelente escolha, Menina.

Agora uma nota: Desde há vários anos a leio, a "conheço". Da Poesia Portuguesa e dos seus espaços e, desde semore tive e tenho, pelo seu trabalho, o maior respeito e apreço. Poderia ir mais longe e dizer-lhe que por aqui e por ali já nos cruzámos.

Por princípio nunca aderi a nenhum "Facebook" ou similar... manias de bonecasdetrapos.

Asseguro-lhe, contudo que, esteja a Menina onde estiver (note, não tem a ver com o facto de ter publicado a "Boneca", rigorosamente!!!), seguirei sempre o seu trabalho que muito honra a cultura portuguesa.

Saudações com estima
*__bonecadetrapos__*

Anónimo disse...

Descobri este cantinho cheio de poesia e estou adorando.
jinhos
Paulo

Anónimo disse...

até que enfim que a descobri!!! estranhei a sua ausência no FB, e estou feliz por descobrir este cantinho tão bonito! Lindo! Parabéns!
lourdes ximenes

JúliaML disse...

Otilia,

Ontem procurei-te no FB . Hoje comecei a achar estranha a tua ausência. Não sei o que se terá passado, mas tu não és mulher para vrar as costas às dificuldades. Amanhã telefonar-te-ei

beijinho

Silviis disse...

Óla :-)
Adorei a ideia deste blog, muito interessante para ir explorando e ir conhecendo tantos outros que também escrevem como eu, os meus parabéns!

PS - Eu também vejo o pôr do sol da minha cozinha, cai sobre o Cristo Rei... como uma bola de fogo que ele tenta agarrar de braços abertos, é lindo.

Beijos*

Lídia Borges disse...

Muito bonito este soneto.
A poesia de mãos dadas com a pintura.

Gostei muito deste espaço, pelo que voltarei mais vezes.


L.B.

tecas disse...

Olá Otília, um aplauso pela escolha
do poema e imagem.
Bem elaborado este soneto. Já o conhecia, mas é sempre um prazer, reler.Parabéns ao autor e para ti aquele beijo amigo acompanhdo por um bem haja por o divulgares na poesia portuguesa.

Å®t Øf £övë disse...

É de uma nobreza notável esta tua disponibilidade por nos ires dando a conhecer ao longo dos anos, tantos poetas, e tantos poemas, com tão grande valor.
Obrigado pela partliha.
Bjs.

vale a pena disse...

Lindo o seu poema. Adrei conhecer o seu blog. Virei sempre.

Elda disse...

Olá poeta; venho te acompanhando e admirando seus escritos. Parabéns.

Paula Raposo disse...

Parabéns!! Muitos beijos.

Ana Oliveira disse...

Olá
Quanto ao FB, a falta de tempo não me permitiu apreciar devidamente tudo o que se publicava, mas era sempre com prazer que acedia à página. Pena que tenhas saído...
Voltarei a estar aqui, sempre presente.

Um beijo

Ana

Victor colonna disse...

Sou brasileiro, poeta e cronista e criei um blog para divulgar meus trabalhos. Se puder, dê uma passada por lá! Seguem aí dois poemas. Abraços!

NÁUFRAGO (VICTOR COLONNA)


Embarco numa rima ruminante
E parto numa estrofe estropiada
Eu paro, penso, pausa...e num rompante
Encontro um verso que não leva a nada.

Eu vejo a poesia tão distante
Me afogo na superfície da palavra
Eu sumo num soneto dissonante
Sufoco numa sílaba que trava.

Perdido numa quadra sem quadrante
Sou menos que figura, figurante
Pseudo-comandante, e vivo em dilema

Espero que a onda não me traia
E nado em desespero até a praia
Salvo o poeta mas naufrago no poema.


SUJEITO OCULTO (VICTOR COLONNA)


O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.

É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.

Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.

Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito

Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.

Victor colonna disse...

Sou brasileiro, poeta e cronista e criei um blog para divulgar meus trabalhos. Se puder, dê uma passada por lá! Seguem aí dois poemas. Abraços!

NÁUFRAGO (VICTOR COLONNA)


Embarco numa rima ruminante
E parto numa estrofe estropiada
Eu paro, penso, pausa...e num rompante
Encontro um verso que não leva a nada.

Eu vejo a poesia tão distante
Me afogo na superfície da palavra
Eu sumo num soneto dissonante
Sufoco numa sílaba que trava.

Perdido numa quadra sem quadrante
Sou menos que figura, figurante
Pseudo-comandante, e vivo em dilema

Espero que a onda não me traia
E nado em desespero até a praia
Salvo o poeta mas naufrago no poema.


SUJEITO OCULTO (VICTOR COLONNA)


O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.

É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.

Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.

Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito

Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.

Poesia Portuguesa disse...

Agradecendo a presença de todos e pedindo desculpa pela ausência e falta de actualização deste e dos outros blogues, mas o facto é que tenho o meu pc avariado e encontro-me num portátil de familiar.

Deixo um abraço super saudoso e espero que a ausência não se prolongue por um tempo muito demorado.

Otília Martel

Marta disse...

Bom dia Poesia Portuguesa.

Deixo como sugestão o endereço www.bubok.pt. Aqui pode encontrar a primeira editora online para auto-publicação neste nosso país à beira mar plantado. Esta é uma forma de democratizar a edição de livros em que, à semelhança do YouTube em relação aos vídeos e do MySpace em relação à música, é o autor quem tem o controlo sobre tudo.

Na Bubok são as suas ideias que ganham liberdade.

O processo de publicação é muito simples e rápido, deixando-lhe com o controlo total do seu livro. São 5 passos a seguir, do upload do ficheiro com a sua obra, à escolha do preço da obra. Através do sistema Print On Demand, não há tiragens mínimas obrigatórias. A impressão do livro é feita por encomenda, evitando os excedentes poeirentos e poluentes.
Romances, fotografias, receitas de culinária, monografias, diários de viagem, conselhos, etc, tudo pode ser publicado na Bubok.

Depois de publicar, é o autor quem promove o seu livro: na livraria da Bubok; através de sms´s, comments, fives, vídeos, fotos. Vale tudo, só depende de si!

Se gostou da Bubok.Pt e pretende ajudar-nos a divulgar este projecto a todos os autores que queiram publicar os seus conteúdos, pedimos-lhe que inclua um link para o nosso blog na sua lista de links: http://www.bubok.pt/blog/

Qualquer dúvida que surgir, não hesite em contactar-me: marta.furtado@bubok.com

Vá a www.bubok.pt, conheça o projecto e comece a publicar.

Paulo Sempre disse...

Excelente!!

anareis disse...

Querido(a) novo(a) amigo(a),estou precisando muito da ajuda de todos os amigos. estou montando uma minibiblioteca comunitária pra crianças e adolescentes na minha comunidade carente aqui no Rio de Janeiro,se voce puder me ajudar estou fazendo uma campanha de doações. pode doar qualquer quantia no Banco do Brasil agencia 3082-1 conta 9.799-3, ou pode doar livros ,ou pode doar máquina de costura, ou pode doar retalhos, ou pode doar computador usado. se quizer fazer aguma doação entre em contato com meu email: asilvareis10@gmail.com ,eu darei o endereço de remessa. se voce não puder me ajudar com doações pode divulgar minha campanha, tenho 2 blogs no google gostaria da sua visita: Eulucinha.blogspot.com ,obrigado pela sua atenção.

rouxinol de Bernardim disse...

Poesia assim, recomenda-se! Gostei.

10 anos raquel arêde martins são miguel disse...

aqui vai um poema que eu escrevi, claroque não se comparam com eses:

de quem são os olhos misteriosos que parecem hipnotisar quem tiver a sorte de os olhar?
pois claro, são do gato
curioso e astuto pois nisso é um ás,
só que para nadar...
já não é capaz,
está claro e provado
que o seu ronronar terno e morno só podia dar
um lugar no colinho do dono
E nas noites de Inverno
quele quentinho junto á lareira
fá-lo logo adormecer
no seu cestinho de madeira.


está giro?

Raquel disse...

sou cego,
vivo no mundo da escuridão
não sei quem es
mas sei que tens bom coração
não me deixes agora,
sou cego,
mas sei que contigo estou a falar,
e olha que tenho boa memória,
mas agora vou contar-te tudo o que sei, a minha história.
Vivo numa casa fria e escura
não tenho ninguém.
viajo por aí,
viajo por ai além
sem rumo,por isso não vejo nada,
vejo tudo.
Agora que já te contei
a minha história
conta-me tu a tua.
Dis-me o que viste
e eu dirte-ei
o que eu vi.
Vi tristeza, e alegria
e tu?


Fui eu que escrevi, fixe ã????
O que acharam?
O vosso está muuuuuiiiitttoooo fixe.