O berço vazio

A Persistência da Memória, de Salvador Dali
Ao perto essa parede sempre branca
Caiada por um trapo de peneira
Cuidava dessa cal como quem canta
A retratar famílias, à lareira.
Nesse cuidado branco de quem espanta
Eu me revi e aos meus na erma eira.
Em outra aberta o ritual que encanta
O dar as mãos assim, junto à fogueira.
E foi então que descobri a tela
Um prego forte, um cravo por trás dela
Mãe vestida de negro, o olhar frio.
As mãos pousadas no regaço e um terço
Ajoelhada, com o olhar disperso
E ao lado um berço, esperança, mas vazio.
Soneto de José M. Barbosa
Breve nota:
Oportunamente comuniquei aqui a criação do Club de Poetas Vivos, um espaço que tinha a finalidade de juntar Poesia e Poetas e que conta, neste momento, com mais de 500 associados.
Contudo, problemas técnicos levaram-me a tomar a decisão de abandonar o CPV e o próprio Facebook.
Não foi fácil tomar esta decisão, diria até bastante penosa, mas ela foi tomada e aqui é assumida.
Grata a todos os que me deram a honra e privilégio de percorrer este caminho, que foi, contudo, bastante aliciante e me deu a coragem de levar esta ideia através do Roteiro Poético, pelo que estão convidados a uma “viagem” por aquele espaço.
Obrigada.

26 Comentários:
Às 05 Julho, 2009 16:23 ,
Vieira Calado disse...
Perfeito!
Às 05 Julho, 2009 16:34 ,
Anónimo disse...
Belo !
jcesar
Às 05 Julho, 2009 17:01 ,
Anónimo disse...
Poema. imagem. música
Perfeita triologia!
Joana Albuquerque
Às 05 Julho, 2009 17:41 ,
isabel mendes ferreira disse...
encantada.
pela "oração".
o meu abraço ao Z.
Às 05 Julho, 2009 19:15 ,
Graça disse...
Obrigada por me teres dado também a conhecer este espaço magnífico.
O soneto é belo. Aliás, tudo o que já vi por aqui partilha dessa beleza.
Um beijo meu
Às 05 Julho, 2009 22:29 ,
Naza Bispo disse...
Agradeço-lhe por mostrar-me, coisas tão lindas, obrigada
abraços...
Às 06 Julho, 2009 08:57 ,
Anónimo disse...
Estarei onde estiver irei onde for.
Apagou-se a estrela que mais brilhava no facebook.
Não devia de ceder muito menos deixar-se abater por chantagens de quem a não queira lá e o que lhe possam fazer ou dizer. O mundo é uma selva temos que ter forças para lutar.
A Menina é uma força da natureza não percebe isso? Porque se deixa abater então por quem se calhar nem produz nada e sente-se incomodado ou incomodada com a sua força?
Saí de ambos e como disse vou para onde estiver.
Abraço do
Luis
Às 06 Julho, 2009 12:45 ,
bonecadetrapos disse...
Do poema, destaco
"E foi então que descobri a tela
Um prego forte, um cravo por trás dela
Mãe vestida de negro, o olhar frio."
... tantas e tantas vezes assim é!
a descoberta do nosso "EU", na tela branca (computador, por ex.) é, ou pode ser "consequência" de uma dor, de uma perda (física ou outra)... e ali se manifesta.
Excelente escolha, Menina.
Agora uma nota: Desde há vários anos a leio, a "conheço". Da Poesia Portuguesa e dos seus espaços e, desde semore tive e tenho, pelo seu trabalho, o maior respeito e apreço. Poderia ir mais longe e dizer-lhe que por aqui e por ali já nos cruzámos.
Por princípio nunca aderi a nenhum "Facebook" ou similar... manias de bonecasdetrapos.
Asseguro-lhe, contudo que, esteja a Menina onde estiver (note, não tem a ver com o facto de ter publicado a "Boneca", rigorosamente!!!), seguirei sempre o seu trabalho que muito honra a cultura portuguesa.
Saudações com estima
*__bonecadetrapos__*
Às 08 Julho, 2009 13:42 ,
Anónimo disse...
Descobri este cantinho cheio de poesia e estou adorando.
jinhos
Paulo
Às 08 Julho, 2009 15:42 ,
Anónimo disse...
até que enfim que a descobri!!! estranhei a sua ausência no FB, e estou feliz por descobrir este cantinho tão bonito! Lindo! Parabéns!
lourdes ximenes
Às 08 Julho, 2009 22:25 ,
JúliaML disse...
Otilia,
Ontem procurei-te no FB . Hoje comecei a achar estranha a tua ausência. Não sei o que se terá passado, mas tu não és mulher para vrar as costas às dificuldades. Amanhã telefonar-te-ei
beijinho
Às 09 Julho, 2009 22:16 ,
Silviis disse...
Óla :-)
Adorei a ideia deste blog, muito interessante para ir explorando e ir conhecendo tantos outros que também escrevem como eu, os meus parabéns!
PS - Eu também vejo o pôr do sol da minha cozinha, cai sobre o Cristo Rei... como uma bola de fogo que ele tenta agarrar de braços abertos, é lindo.
Beijos*
Às 11 Julho, 2009 14:17 ,
Lídia Borges disse...
Muito bonito este soneto.
A poesia de mãos dadas com a pintura.
Gostei muito deste espaço, pelo que voltarei mais vezes.
L.B.
Às 14 Julho, 2009 14:12 ,
tecas disse...
Olá Otília, um aplauso pela escolha
do poema e imagem.
Bem elaborado este soneto. Já o conhecia, mas é sempre um prazer, reler.Parabéns ao autor e para ti aquele beijo amigo acompanhdo por um bem haja por o divulgares na poesia portuguesa.
Às 20 Julho, 2009 23:47 ,
Å®t Øf £övë disse...
É de uma nobreza notável esta tua disponibilidade por nos ires dando a conhecer ao longo dos anos, tantos poetas, e tantos poemas, com tão grande valor.
Obrigado pela partliha.
Bjs.
Às 21 Julho, 2009 04:17 ,
vale a pena disse...
Lindo o seu poema. Adrei conhecer o seu blog. Virei sempre.
Às 28 Julho, 2009 14:45 ,
Elda disse...
Olá poeta; venho te acompanhando e admirando seus escritos. Parabéns.
Às 30 Julho, 2009 00:12 ,
Paula Raposo disse...
Parabéns!! Muitos beijos.
Às 05 Agosto, 2009 20:20 ,
Ana Oliveira disse...
Olá
Quanto ao FB, a falta de tempo não me permitiu apreciar devidamente tudo o que se publicava, mas era sempre com prazer que acedia à página. Pena que tenhas saído...
Voltarei a estar aqui, sempre presente.
Um beijo
Ana
Às 07 Agosto, 2009 02:54 ,
Victor colonna disse...
Sou brasileiro, poeta e cronista e criei um blog para divulgar meus trabalhos. Se puder, dê uma passada por lá! Seguem aí dois poemas. Abraços!
NÁUFRAGO (VICTOR COLONNA)
Embarco numa rima ruminante
E parto numa estrofe estropiada
Eu paro, penso, pausa...e num rompante
Encontro um verso que não leva a nada.
Eu vejo a poesia tão distante
Me afogo na superfície da palavra
Eu sumo num soneto dissonante
Sufoco numa sílaba que trava.
Perdido numa quadra sem quadrante
Sou menos que figura, figurante
Pseudo-comandante, e vivo em dilema
Espero que a onda não me traia
E nado em desespero até a praia
Salvo o poeta mas naufrago no poema.
SUJEITO OCULTO (VICTOR COLONNA)
O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.
É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.
Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.
Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito
Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.
Às 07 Agosto, 2009 02:54 ,
Victor colonna disse...
Sou brasileiro, poeta e cronista e criei um blog para divulgar meus trabalhos. Se puder, dê uma passada por lá! Seguem aí dois poemas. Abraços!
NÁUFRAGO (VICTOR COLONNA)
Embarco numa rima ruminante
E parto numa estrofe estropiada
Eu paro, penso, pausa...e num rompante
Encontro um verso que não leva a nada.
Eu vejo a poesia tão distante
Me afogo na superfície da palavra
Eu sumo num soneto dissonante
Sufoco numa sílaba que trava.
Perdido numa quadra sem quadrante
Sou menos que figura, figurante
Pseudo-comandante, e vivo em dilema
Espero que a onda não me traia
E nado em desespero até a praia
Salvo o poeta mas naufrago no poema.
SUJEITO OCULTO (VICTOR COLONNA)
O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.
É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.
Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.
Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito
Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.
Às 09 Agosto, 2009 09:41 ,
Poesia Portuguesa disse...
Agradecendo a presença de todos e pedindo desculpa pela ausência e falta de actualização deste e dos outros blogues, mas o facto é que tenho o meu pc avariado e encontro-me num portátil de familiar.
Deixo um abraço super saudoso e espero que a ausência não se prolongue por um tempo muito demorado.
Otília Martel
Às 17 Agosto, 2009 10:46 ,
Marta disse...
Bom dia Poesia Portuguesa.
Deixo como sugestão o endereço www.bubok.pt. Aqui pode encontrar a primeira editora online para auto-publicação neste nosso país à beira mar plantado. Esta é uma forma de democratizar a edição de livros em que, à semelhança do YouTube em relação aos vídeos e do MySpace em relação à música, é o autor quem tem o controlo sobre tudo.
Na Bubok são as suas ideias que ganham liberdade.
O processo de publicação é muito simples e rápido, deixando-lhe com o controlo total do seu livro. São 5 passos a seguir, do upload do ficheiro com a sua obra, à escolha do preço da obra. Através do sistema Print On Demand, não há tiragens mínimas obrigatórias. A impressão do livro é feita por encomenda, evitando os excedentes poeirentos e poluentes.
Romances, fotografias, receitas de culinária, monografias, diários de viagem, conselhos, etc, tudo pode ser publicado na Bubok.
Depois de publicar, é o autor quem promove o seu livro: na livraria da Bubok; através de sms´s, comments, fives, vídeos, fotos. Vale tudo, só depende de si!
Se gostou da Bubok.Pt e pretende ajudar-nos a divulgar este projecto a todos os autores que queiram publicar os seus conteúdos, pedimos-lhe que inclua um link para o nosso blog na sua lista de links: http://www.bubok.pt/blog/
Qualquer dúvida que surgir, não hesite em contactar-me: marta.furtado@bubok.com
Vá a www.bubok.pt, conheça o projecto e comece a publicar.
Às 25 Agosto, 2009 18:50 ,
Paulo Sempre disse...
Excelente!!
Às 31 Agosto, 2009 12:39 ,
anareis disse...
Querido(a) novo(a) amigo(a),estou precisando muito da ajuda de todos os amigos. estou montando uma minibiblioteca comunitária pra crianças e adolescentes na minha comunidade carente aqui no Rio de Janeiro,se voce puder me ajudar estou fazendo uma campanha de doações. pode doar qualquer quantia no Banco do Brasil agencia 3082-1 conta 9.799-3, ou pode doar livros ,ou pode doar máquina de costura, ou pode doar retalhos, ou pode doar computador usado. se quizer fazer aguma doação entre em contato com meu email: asilvareis10@gmail.com ,eu darei o endereço de remessa. se voce não puder me ajudar com doações pode divulgar minha campanha, tenho 2 blogs no google gostaria da sua visita: Eulucinha.blogspot.com ,obrigado pela sua atenção.
Às 13 Setembro, 2009 11:08 ,
rouxinol de Bernardim disse...
Poesia assim, recomenda-se! Gostei.
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