quarta-feira, outubro 27, 2010

Os Poetas


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"A poesia, tal como a entendo, é inútil.
Para que terei então chegado aqui"
Nuno Júdice

a poesia não é inútil!
inúteis são todos os poetas
porque ninguém conseguiu ainda entende-los.

inútil sou eu quando escrevo um poema
simples e cristalino
latejando de verdade
sofrendo nesta cidade tranquila.

inútil sou eu que clamo
a magia do poema feito
numa tarde inexplicavelmente quente de setembro.

inúteis são os sonhos decepados
as palavras gastas
os gestos inexpressivos.

inúteis são todos os poetas
porque ninguém quer
entende-los.

Nota: Decidi publicar este poema que escrevi na década de 80 baseado numa frase de Nuno Júdice e após ler "da inutilidade dos meus dias"

27 comentários:

Anónimo disse...

Pi
Só as almas sensiveis entendem a poesia
Um beijo do
Tiago

José Fontinha disse...

Só quem ama a poesia a pode entender, como um poeta se entende a si tão só...
Sincera pela sensibilidade de sentir.

Poeta Anónimo disse...

Ser poeta é ser diferente, é preciso ser-se sensível e sentir-se as entrelinhas do poema

A poesia é realmente a mais bela das artes

lusibero disse...

MENINA MAROTA: ao proclamares, tão anafórica e repetitivamente, a inutilidade dos portas, consegues o efeito contrário: engrandece-los !
E os inúteis passam a ser os outros que não têm a nossa sensibilidade...
BEIJOS DA Mª ELISA

Miguel Portela disse...

Poeta é grito de alma ardente...

Quem grita poesia renasce em cada dia!...

Miguel Portela (miguelportela2010.blospot.com

Anónimo disse...

Belo poema. Eu eu diria ainda que, apesar de escrever o que se chama poesia, não sei o que ela é nem o que é um poeta. Interrogo-me. Talvez a poesia seja a interrogação de mim e do doutro. Tudo de bom.

rouxinol de Bernardim disse...

A poesia é um mar complexo, contraditório mas tão heterogénio que nos afoga com a sua mensagem...

Graça Pires disse...

A piedade que é poeta sabe entender a poesia com todas as palavras escritas e caladas.
Beijos.

© Piedade Araújo Sol disse...

Obrigada, para mim é um enorme privilégio, estar aqui.

um beij

Fábio disse...

Um poeta não chora lagrimas é duro demais quando as esreve
Fala o firmamento deste dogma que até a marmore me persegue
Justeza nunca mutàvel mas comparecida apego
Astucia vicia a minha sagacidade e so com ela quero perder tempo

Fábio disse...

Adorei as obras deste blog :)
belas palavras, tenras e quentes...

Cumprimentos para todos :)

José Fernando Nandé disse...

Houve, aqui no Brasil, na década de 80, um grupo musical, o "Ultraje a rigor", que ousava a bárbara concordância: "a gente somos inútil...inúteis", Sim, em 80, final da Ditadura Militar, não havia algo mais inútil do que um poeta sob as baionetas. Mas cá estamos, neste início de século XXI, e as perguntas ainda são "quem nos dá ouvidos", ou "ainda somos tão inúteis quanto em 80"?
Belo poema o vosso, que ainda não perdeu a validade.
Abraço de além mar!

heretico disse...

uma grande Senhora-Poeta.

Beijos.

parabéns pela escolha.

Imagem e Poesia disse...

Olá!
Mais uma vez tenho o grato prazer de te visitar e te ler.
Os poetas são anjos... Anjos não são deste mundo e têm sentimentos especiais. Eres um deles.
Beijinhos e fica feliz.
Ceiça

joao regalo disse...

Ola a todos, gostaria de ter opiniões sobre poemas meus. Aqui esta o link do meu blog:

http://poemasarregalados.blogspot.com/

Obrigado pela atenção

Anónimo disse...

Belíssimo poema! De facto, "inútei s são os sonhos decepados(...)". Belíssimo poema; não me canso de o dizer. Tudo de bom.

Virgínia do Carmo disse...

Muito bom o poema da Piedade, como todos os seus escritos que já li até agora!

Um abraço

Pernabamba disse...

http://ladocego.blogspot.com/

Lídia Borges disse...

Ainda há muito enlevo na "inutilidade"...


L.B.

Dija Darkdija disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dija Darkdija disse...

E como é boa e ruim esta inutilidade. Será que um dia não serão tão inúteis assim os poetas? Quando conseguiremos entender cada grito silencioso?

Dija Darkdija, engatinhando na poesia.

Boa é a inutilidade do poeta
Pois se revela em beleza
E a sua eterna destreza
Capaz até de curvar a reta.


dijadarkdija.blogspot.com

A.S. disse...

MM,

Inúteis são a incompreensão, as sombras que ocultam a luz, os caminhos que despidos de sonhos conduzem inevitavelmente ao abismo!

Um abraço... e saudades!
AL

O escritor fantasma disse...

Visitem também o meu site
http://poesiadofantasma.blogspot.com/

Victor Colonna disse...

Piedade, sou um poeta carioca, tenho dois livros publicados (Sujeito Oculto e Cabeça, tronco e versos) e um blog onde publico crônicas e poemas. Parabéns pelo seu blog, em especial por este poema tão bonito. Seguem três poemas meus. Se gostar, pode publicar (risos). Abraços!


SUJEITO OCULTO (Victor Colonna)


O problema são as conjunções desconjuntadas
As interjeições rejeitadas
Os adjetivos desajeitados
Os substantivos sem substância
As relações de deselegância entre as palavras.

É preciso superar o superlativo:
O absoluto sintético
E o analítico.
Achar o verso
Entre o verbo epilético
E o pronome sifilítico.

Falta definir o artigo inoxidável
O numeral incontável, impagável.

Resta procurar o objeto direto
Situar o particípio passado
E o pretérito mais-que-perfeito

Desvendar a rima
Desnudar a palavra
Encontrar o predicado
E revelar o sujeito.


CONTRATO DE RISCO (Victor Colonna)


Fica assim definido
No referido contrato:

O poeta é inepto
O poema impacto

O poema é perfeito
O poeta prefácio

O poema é sujeito
O poeta objeto

O poeta abstrato
E o poema concreto


ANTI-ÍCARO


Não sei se foi vôo
Ou queda.

O abismo me encontrou
Quando pus os pés no chão.

Não desejei estrelas
Nem derreti as asas
Ao procurar o sol.

Caí sem ter subido aos céus.

speedx disse...

Boas, excelentes poemas aqui presentes.
Ponho também aqui o link do meu blog constituído por poemas escritos por mim http://speedx-mylife.blogspot.com/

Cumprimentos e obrigado

Anónimo disse...

Adorei este blogue e também queria deixar qualquer coisa...

Ela acordou feliz, feliz porque ainda não despertou,
Feliz porque ainda não pensou.
Que é mais um dia...um dia igual a tantos outros
Onde a hipocrisia reina, onde a felicidade é uma metáfora
Uma metáfora que não deixa fluir o pensamento,
daqueles que o preferem não ouvir.

marciagrega disse...

O POETA

O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver livre delas.

A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.

Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.

Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.

Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.

O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.

Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.
Mia Couto

Bjusssss
Te seguindo...