Outro a aproximar-se devagarinho e, como nos anos anteriores, desejamos sempre que algo de novo nos traga.
Este blogue cumpriu, muito discretamente, no passado mês de Setembro, cinco anos de existência enriquecidos com palavras dos Autores que aqui foram partilhados ao longo deste tempo.
Cinco anos se cumpriram, é verdade!
A autora deste blogue sente-se feliz por ter partilhado, com emoção, a sensibilidade que foi descobrindo no mundo da blogosfera.
Muitos dos blogues provavelmente já não existem mas, aqui ficou, para a posteridade, o seu registo.
Outros caminhos de divulgação foram surgindo, é verdade, mas o Poesia Portuguesa continua a senda a que se propôs aqui...
Neste final de ano e através do blogue da Graça Pires Poeta Portuguesa de grande mérito e para quem vai a minha grande admiração, partilho o poema que lá descobri e que muito me sensibilizou.

Pintura de Gaudiol
dizer Dezembro como se o mar tocasse a voz
ou dizer uma rosa rubra atravessada
por lábios de luz.
dizer o oriente de uma estrela
e vestir a pele de um poema.
mas a palavra é uma criança tolhida de frio
nos cabelos nevrálgicos que a árvore segura.
e assim amanhecemos, tardios e ébrios
no carrossel que orquestra a cidade
com tambores de solidão.
dizer corpo e ser ponte sábia para o outro lado
e a vida ser tão simples como a mão
que toca a pele da sílaba
de uma memória tão antiga
como as solas de uma infância gasta.
dizer amor, esse fósforo que incendeia
e ser fogueira na nervura da palavra.
despir o olhar desta erosão de distância.
agasalhar os pés e resguardar
o dorso lírico do sangue
como se a um poema de Natal bastasse
o verde inflamado de um arbusto:
o labor inteiro do meu coração de terra.
Poema de Luísa Henriques
Com o desejo de um...



