domingo, maio 29, 2011

As Tentações




Sabemos o que existe. Não sabemos
o que existe. Nem sequer sabemos
alguma vez de nós no frémito do sonhos
onde vivemos e perdemos a vida.

Nenhuma sombra (a luz) nos conduz
à existência,
sequer com a existência celebramos o encontro,
e tudo o mais são sombras violentas.

Violento é o ar que respiramos,
sofregamente respiramos a existência,
desde que nascemos e sabemos o que existe.

Não sabemos o que existe. Nem sequer
sabemos que nome alastra na grandeza
de estarmos vivos e irmos para o mar
perscrutar a existência
com as mão rendidas
ao mar intrépido da nossa ignorância.

Sabemos o que existe. Não sabemos.







Imagem de Fefa Koroleva

12 comentários:

Anónimo disse...

Nunca sabemos o que existe... mesmo existindo!
JA

Heloisa disse...

BELISSIMO!
PARABENS!

E...E' esse o etermo dilema:"O SABERMOS QUE NADA SABEMOS, DAQuILo QUE SABEMOS.
(???...)

GOstei imenso (SABENDO QUE GOSTEI IMENSO!)!

Heloisa B.P.

Anónimo disse...

Belo e expressivo poema daquilo que afinal sabemos ou não? Muito inspirador.

*****

Bjinhos Poesia e muito grata pela oferenda que nos fazes.
Ana Marques

Diamante Negro disse...

Caro Poeta...

O poeta demonstra uma sensibilidade tremenda para a questão da existência e do saber!

Parabéns
Abraço

Ana Tapadas disse...

«Existir» é verbo complexo!
belo poema. Parabéns ao autor e ao blogue que aqui o divulga.
bj

João Avelar disse...

Da existência da vida à existência do sentir e sentir ambos no nosso âmago.
Como sempre a primar com excelente poesia e bom gosto na música. Parabéns aos autores do poema e do blogue.
Uma barço e bfs do
João Avelar

Graça Pires disse...

Belíssimo poema! Comecei a apreciar imenso a poesia de Amadeu Baptista. Obrigada pela partilha.
Um beijo, amiga.

Anónimo disse...

Muito sentido diria...
Parabéns, mesmo muito lucido e racional!

Anónimo disse...

Muito sentido diria...
Parabéns, mesmo muito lucido e racional!

Eduardo Santos disse...

Sabemos o que existe. Excelente poema que, parecendo contraditório, nada mais mais é que a dúvida de uma existência que não existe, mas que o poeta lhe dá vida. De facto nao sabemos, apenas o poeta consegue esconder nas palavras aquilo que pensa, ou que não pensa, mas diz. Sinceramente gostei do texto. Uma palavra de aplauso para a autora das postagens, bom gosto na escolha, mas também nos quadros ou pinturas que acompanham as mesmmas.

Carlos Leite disse...

"Não sabemos o que existe..."

O seu blog é fantástico! Ainda não consegui formar uma opinião completa sobre si... Ainda não li tudo, mas do que li, está óptimo!!! Muitos parabéns e, obrigado por partilhar connosco.
Carlos Leite, http://opintordesonhos.blogspot.com

Poesia Portuguesa disse...

Grata a todos pela presença e comentários.
Voltem sempre!

Um Abraço Poético.