Ensaio sobre o esquecimento

Imagem de Fefa Koroleva
O tempo tudo apaga e a rasura
desaba repentina sobre os olhos:
os dedos da memória sem espessura
começam a safar como se escolhos
os poemas que atirei pela janela
numa garrafa cheia de vazio
(não sei se para os bolsos de uma estrela
se para o leito seco de algum rio)
Eis como sinto a sílabas que outrora
circulavam no sangue das palavras,
a súbitas perdidas, pois agora
almejam ser apenas anuladas:
esquecidas que foram para alguém
o corpo dos poemas de ninguém
Poema de Domingos da Mota in A espessura do tempo

14 Comentários:
Às 15 Outubro, 2011 12:12 ,
. intemporal . disse...
.
.
. porém . há um poema que permanece . fora do tempo que tudo apaga .
.
. este .
.
. um bom fim.de.semana .
.
.
Às 15 Outubro, 2011 13:33 ,
Domingos da Mota disse...
Obrigado pela divulgação deste meu poema.
Cumprimentos.
Às 15 Outubro, 2011 14:01 ,
Pelos caminhos da vida. disse...
Linda partilha.
Bom fim de semana.
beijooo.
Às 15 Outubro, 2011 17:58 ,
MARIUS disse...
Gostei muito do poema e o poema não será nunca aqui esquecido.
Mais uma bela escolha como já nos habituaste. Um blog que deveria ser considerado de utilidade publica.
bjokas
Às 15 Outubro, 2011 22:41 ,
Carlos Ferreira disse...
Feliz escolha, a deste poema. Bem construído, e expressivo na sua linguagem metafórica.
Parabéns ao autor, e à responsável pelo Poesia Portuguesa por o ter inserido.
Carlos Ferreira
Às 15 Outubro, 2011 23:25 ,
© Piedade Araújo Sol disse...
o corpo dos poemas será sempre de alguém.
achei o poema muito bonito além de estar bem rimado.
um beij
Às 16 Outubro, 2011 19:51 ,
tecas disse...
Além de excelente, este poema de Domingos Mota, é senhor de metáforas divinais.
Parabéns ao autor e bem hajas Menina Marota, pela escolha.
Bjito amigo e uma flor
Às 17 Outubro, 2011 12:33 ,
Helena Peixoto disse...
Um poema tão belo jamais se poderá apagar na poeira do esquecimento...
Às 17 Outubro, 2011 13:13 ,
Pedro Du Bois disse...
Esquecer, como bem colocou o poeta, nutre-se dessa amplidão de lembranças. Parabéns, Domingos. Abraços,
Pedro.
Às 17 Outubro, 2011 15:27 ,
Carlos Ramos disse...
Brilhante....
Às 17 Outubro, 2011 22:40 ,
eduardo roseira disse...
O Domingos da Mota, como nos habitou, ou seja, no seu melhor.
Parabéns ao Poeta e à Menina Marota, pelo blog.
eduardo roseira
Às 18 Outubro, 2011 07:45 ,
BlueShell disse...
O Tempo..."tudo apaga e a rasura// desaba..."
Um escelente poema...que deixa um brilho intenso na mente depois de se ler....
porque as sílabas se unem e formam palavras de "Alguém"!!!
Um prazer
Obrigada!
Às 18 Outubro, 2011 22:07 ,
Peter disse...
È um belo poema merecedor de ser divulgado. Apreciei a segunda quadra:
"os poemas que atirei pela janela
numa garrafa cheia de vazio
..."
Vou colocar este blog nos n/links, pois estou de volta.
Peter
conversas.xaxa@gmail.com
Às 21 Outubro, 2011 23:42 ,
Maria João Brito de Sousa disse...
Consegui vir até cá, apesar da precariedade da ligação, mas não encontro as condições de publicação.
Muito bom este soneto de Domingos da Mota.
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