Site Meter Poesia Portuguesa: Esgota-se o tempo

Poesia Portuguesa

dedicado a todos os que gostam dela...

Sábado, Outubro 29, 2011

Esgota-se o tempo


Pintura de Vladimir Kush




já não há tempo para que a poesia se dê ao luxo
de passear nos bosques encantados e nos egos poluídos
dos intelectuais de escrivaninha.

já não há tempo para que os versos se ostentem,
bem rimados, construídos, bem ritmados, bonitos,
nos corações vazios da burguesia.

é urgente que as palavras ganhem o peso das pedras,
se revoltem com os que vivem sem poesia e sem pão.
não há tempo para brincar aos poetas, ao depressivo snob en vogue.

só nos resta tempo para que se não nos acabe o tempo,
para que gritemos ainda que não abdicámos do futuro,
com propriedade, ou mesmo sem.

Poema de
Miguel Tiago

10 Comentários:

  • Às 29 Outubro, 2011 23:16 , Anonymous Domingos da Mota disse...

    (...)//

    Poetas, abaixo a rima
    (se ela for a prisão
    onde o poema definha).
    Estou farto da poesia
    «que não é libertação».

    Gostei do poema, e do «peso das pedras».

     
  • Às 30 Outubro, 2011 00:26 , Blogger Vera disse...

    Um poemas com versos para reflectir sobre a própria poesia!

     
  • Às 02 Novembro, 2011 14:41 , Blogger tretas disse...

    Já não há tempo...há! o tempo da incerteza ,da inquietude, do desamor, da desordem ,desumanidade da avaresa, há tempo e sem limite, sempre haverá para a raça humana manifestar toda a sua brutalidade.


    Tretas

     
  • Às 02 Novembro, 2011 15:04 , Blogger xinola disse...

    Ainda não te conhecia em "poesia"! :) Gostei!

     
  • Às 02 Novembro, 2011 15:35 , Blogger Jaime A. disse...

    A poesia em (re)definição.
    Gostei muito da força, da expressão.

     
  • Às 02 Novembro, 2011 17:01 , Blogger Peter disse...

    Gostei do final. Este blogue consta dos n/links:

    conversas.xaxa@gmail.com

    Peter e bluegift

     
  • Às 03 Novembro, 2011 20:08 , Blogger tecas disse...

    Belo poema para refletir. Haverá sempre tempo para a poesia. A imagem é deliciosa. Bjito amigo e uma flor.

     
  • Às 03 Novembro, 2011 20:31 , Blogger Fanzine Episódio Cultural disse...

    Os filhos de Abraão

    Os gritos ainda ecoam
    Em cada canto, em cada trincheira,
    Em todos os túmulos.

    Restos mortais exibidos
    Como souvenires
    Enchem de orgulho
    O primitivo estágio ariano.

    O sangue do cordeiro
    Continua a jorrar
    No solo árido.

    Até que ponto a Bestialidade
    Deixará de existir em um mundo
    Que se deseja mais humano!

    Crente ou ateu
    Incrédulo ou cético,
    Auschwitz continua vivo em nossa memória:
    Um pesadelo que brotou
    E nunca mais se apagou.

    Inocentes ali pereceram,
    Sobreviventes dali morreram,
    Levaram todos para o túmulo
    O sacrifício dos filhos de Abraão.


    *Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan

     
  • Às 05 Novembro, 2011 19:13 , Blogger © Piedade Araújo Sol disse...

    acho que tem que sobrar tempo para as coisas que nos dão prazer.

    no meu caso pessoal terei sempre tempo para a poesia, e mesmo que se diga que ela é inútil eu gosto da sua inutilidade,

    um poema um pouco forte.

     
  • Às 05 Novembro, 2011 23:38 , Blogger Maria João Brito de Sousa disse...

    Um bom poema! Gostei, embora quase possa garantir que a rima sempre aproximou o povo da poesia... e a poesia do povo.
    Parabéns, Miguel Tiago.

     

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