sábado, outubro 29, 2011

Esgota-se o tempo


Pintura de Vladimir Kush




já não há tempo para que a poesia se dê ao luxo
de passear nos bosques encantados e nos egos poluídos
dos intelectuais de escrivaninha.

já não há tempo para que os versos se ostentem,
bem rimados, construídos, bem ritmados, bonitos,
nos corações vazios da burguesia.

é urgente que as palavras ganhem o peso das pedras,
se revoltem com os que vivem sem poesia e sem pão.
não há tempo para brincar aos poetas, ao depressivo snob en vogue.

só nos resta tempo para que se não nos acabe o tempo,
para que gritemos ainda que não abdicámos do futuro,
com propriedade, ou mesmo sem.

Poema de
Miguel Tiago

10 comentários:

  1. (...)//

    Poetas, abaixo a rima
    (se ela for a prisão
    onde o poema definha).
    Estou farto da poesia
    «que não é libertação».

    Gostei do poema, e do «peso das pedras».

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  2. Um poemas com versos para reflectir sobre a própria poesia!

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  3. Já não há tempo...há! o tempo da incerteza ,da inquietude, do desamor, da desordem ,desumanidade da avaresa, há tempo e sem limite, sempre haverá para a raça humana manifestar toda a sua brutalidade.


    Tretas

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  4. Ainda não te conhecia em "poesia"! :) Gostei!

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  5. A poesia em (re)definição.
    Gostei muito da força, da expressão.

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  6. Gostei do final. Este blogue consta dos n/links:

    conversas.xaxa@gmail.com

    Peter e bluegift

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  7. Belo poema para refletir. Haverá sempre tempo para a poesia. A imagem é deliciosa. Bjito amigo e uma flor.

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  8. Os filhos de Abraão

    Os gritos ainda ecoam
    Em cada canto, em cada trincheira,
    Em todos os túmulos.

    Restos mortais exibidos
    Como souvenires
    Enchem de orgulho
    O primitivo estágio ariano.

    O sangue do cordeiro
    Continua a jorrar
    No solo árido.

    Até que ponto a Bestialidade
    Deixará de existir em um mundo
    Que se deseja mais humano!

    Crente ou ateu
    Incrédulo ou cético,
    Auschwitz continua vivo em nossa memória:
    Um pesadelo que brotou
    E nunca mais se apagou.

    Inocentes ali pereceram,
    Sobreviventes dali morreram,
    Levaram todos para o túmulo
    O sacrifício dos filhos de Abraão.


    *Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan

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  9. acho que tem que sobrar tempo para as coisas que nos dão prazer.

    no meu caso pessoal terei sempre tempo para a poesia, e mesmo que se diga que ela é inútil eu gosto da sua inutilidade,

    um poema um pouco forte.

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  10. Um bom poema! Gostei, embora quase possa garantir que a rima sempre aproximou o povo da poesia... e a poesia do povo.
    Parabéns, Miguel Tiago.

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