Morre-se de solidão no meu país

A solidão prolongada
Em forma de sombras
Neutras
Esbatidas
Infiltrada nas paredes
das casas fechadas – com gente dentro
e a noite a fechar o dia mais uma vez
duas vezes – muitas vezes
e morre-se devagar no meu país
as árvores no Outono estão nuas – esquálidas
no Inverno o frio magoa os ossos e a alma
mas talvez os melros cantem antes da próxima primavera
se o verão chegar todos os dias
no sol de uma tigela de sopa fraterna
morre-se devagar no meu país
e depressa tudo se esquece
Poema de Piedade Araújo Sol
Em forma de sombras
Neutras
Esbatidas
Infiltrada nas paredes
das casas fechadas – com gente dentro
e a noite a fechar o dia mais uma vez
duas vezes – muitas vezes
e morre-se devagar no meu país
as árvores no Outono estão nuas – esquálidas
no Inverno o frio magoa os ossos e a alma
mas talvez os melros cantem antes da próxima primavera
se o verão chegar todos os dias
no sol de uma tigela de sopa fraterna
morre-se devagar no meu país
e depressa tudo se esquece
Poema de Piedade Araújo Sol
Nota da Autora: faltam dados estatísticos para idosos que morrem sós em casa
1ª. imagem de Gonçalo Lobo Pinheiro
2ª. imagem foto pessoal


18 Comentários:
Às 31 Dezembro, 2011 15:25 ,
UMA LULIK disse...
A triste realidade dum país a afundar cada vez mais. É preciso ter coragem pra a dizer o que vejo que aqui não falta assumidamente.
Parabéns pelo blogue e pela escolha.
Um bom ano a todos os poetas lusófonos.
De Timor com amor
Às 01 Janeiro, 2012 16:25 ,
Alvarina disse...
Não quero pensar que este país se está a afundar e que não tem solução. Temos as melhores gentes do mundo, os melhores poetas do mundo, os arquitectos laureados, o fado património da humanidade, um prémio Nobel da literatura,a melhor comida, vinhos de excelente qualidade, o melhor sol e os mais belos anoitecer. Temos a fé inquebrantável no futuro que já é hoje. Não quero perder a esperãnça.
Desejo um Novo Ano para todos melhor que o anterior. Um abraço de AMIZADE.
Alvarina
Às 03 Janeiro, 2012 11:55 ,
MARIUS disse...
Um poema super realista k retrata a existência desta ruim realidade mesmo k muitos não a queiram aceitar!!
Parabelizo a autora deste blog só é pena k poesia como esta k aqui leio não seja + comentada mostrando k afinal só a poesia tal como as revistas para serem do agrado tem k ser cor de rosa.
Parabelizo a poeta Piedade k não conhecia pla coragem de escrever sobre o abandono dos idosos.
Um 2012 cheeio de saúde e arte nas letras
Marius
Às 03 Janeiro, 2012 21:19 ,
Pena disse...
Preciosa Poetiza Amiga:
Maravilhoso numa doce atitude de fascínio.
Enternecedor.
Adorei. É uma poetiza de sonho e magia de ouro puro.
Tem talento, beleza no que pensa e diz. Poetiza o envelhecer com pureza nobre e de excelência.
No maior respeito e deslumbre por si e pela sua sensibilidade extraordinária e doce.
Adorei.
pena
Às 03 Janeiro, 2012 21:48 ,
. intemporal . disse...
.
.
. Piedade Araújo Sol possui esta incandescência . esta exaltação de ânimo . mesmo quando o des.ânimo traduz a realidade torta e até brutal que assenta na solidão em que sobre.vivem ou vegetam milhares de pessoas . e não só em Portugal .
.
. os nossos velhinhos . votados ao abandono . ao esquecimento .
.
. Piedade Araújo Sol diz.nos . sob a forma de poesia fulgente . do dia.a.dia numa vivência pungente . e pingente é a dor de todo o Ser Humano que o sabe ser . porque sente .
.
. Aplaudo.A de pé . e aplaudo a razão pela qual a re.encontro aqui .
.
. os meus cumprimentos .
.
.
Às 04 Janeiro, 2012 10:10 ,
Daniel Aladiah disse...
Uma verdade que cada vez vez será mais factual em todo o mundo desenvolvido.
Beijo
Daniel
Às 04 Janeiro, 2012 13:44 ,
O Árabe disse...
Há muito, tenho a felicidade de acompanhar os trabalhos da autora, cuja maestria este poema bem ilustra! Parabéns, Piedade! Parabéns ao site pela escolha.
Às 04 Janeiro, 2012 13:53 ,
Ana Oliveira disse...
Enquanto palavras como estas nos contarem das sombras haverá esperança de dias que nasçam lentamente para a claridade, para a primavera das flores, o verão dos frutos e o Outono da colheita.
Gosto, muito, Piedade.
Um beijo
Às 04 Janeiro, 2012 15:46 ,
Fa menor disse...
A solidão pode ser uma noite a que não se sucede amanhecer...
tristeza, penas, abandono...
Nunca é demais alertar.
Obrigada, Pi.
Bjo
Às 04 Janeiro, 2012 17:33 ,
SOL da Esteva disse...
Piedade
Solidários comummente no tema.
Escrevi sobre a solidão, no Natal.
Efectivamente, morre-se devagarinho.
O Teu Poema esquarteja, grita o alerta, mas a Solidão continua.
Amor e Solidariedade.
Compreensão e Ajuda.
Estima e Auto-estima.
A Sociedade de todos nós, tem de despertar, acordar, entender, participar, partilhar...
porque o que mais dói na Vida nem sequer é a doença física; esta, dói mesmo.
Beijos
SOL da Esteva
http://acordarsonhando.blogspot.com/
Às 04 Janeiro, 2012 17:38 ,
Canto da Boca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Às 04 Janeiro, 2012 17:48 ,
Canto da Boca disse...
Um poema para além da reflexão, que mexe com as nossas estruturas em todas as dimensões. E que denuncia as fragilidades humanas,
as dificuldades materiais e nos chama à responsabilidade para a maneira como tratamos as pessoas, em especial, aos nossos velhos (ou idosos).
O texto nos deixa a pensar sobre a solidão que perpassa a natureza particular de cada pessoa, mas dentro do social, do coletivo.
O tema diz respeito a todos nós, é de nós que ele fala, nos convoca a cuidarmos melhor, mais atenciosamente, mais generosamente, uns aos outros.
É preciso rever valores e conceitos,sobretudo! A solidão bate em tantas portas! Mas a solidão em alguns casos é tao devastadora, que só a morte salva!
Doloroso, cruel, real. Ela mata-nos a todos, na matéria e na alma!
Parabéns pela sensibilidade na escrita, e especialmente pelo talento!
Um beijo grande, e um 2012 possível!
;)
Às 04 Janeiro, 2012 21:25 ,
mfc disse...
Um poema que é um alerta!
Morre-se muito devagar por cá... e de uma forma silenciosa, triste e abúlica!
Às 04 Janeiro, 2012 23:32 ,
partilha de silêncios disse...
É sempre um prazer passar por aqui.
Votos de "UM EXCELENTE 2012", vamos lá contrariar a crise !
bjs
Às 09 Janeiro, 2012 12:16 ,
Filoxera disse...
A solidão é doença que mina o espírito.
Associada à terceira idade, não deixa, contudo, de afetar outras camadas etárias.
Infelizmente...
Deixas-nos um alerta louvável.
Um beijo de parabéns.
Às 10 Janeiro, 2012 12:45 ,
© Piedade Araújo Sol disse...
Obrigada pela escolha do meu poema.
grata!
um bom ano para o PP
beij
Às 11 Janeiro, 2012 10:06 ,
DelimPeixoto disse...
Sempre na crista da boa poesia. Tu és uma pérola
Bj
Às 11 Janeiro, 2012 23:58 ,
Virgínia do Carmo disse...
Não vim a tempo de deixar um voto "útil", mas é sempre tempo de ser eco desta voz inquieta que nos confronta com a urgência de um mundo melhor.
Muito belo e cheio de sentido o poema da Piedade, para quem deixo um terno beijinho.
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