sábado, dezembro 31, 2011

Morre-se de solidão no meu país




A solidão prolongada
Em forma de sombras
Neutras
Esbatidas
Infiltrada nas paredes
das casas fechadas – com gente dentro
e a noite a fechar o dia mais uma vez
duas vezes – muitas vezes

e morre-se devagar no meu país

as árvores no Outono estão nuas – esquálidas
no Inverno o frio magoa os ossos e a alma
mas talvez os melros cantem antes da próxima primavera
se o verão chegar todos os dias
no sol de uma tigela de sopa fraterna

morre-se devagar no meu país

e depressa tudo se esquece

Poema de
Piedade Araújo Sol




Nota da Autora: faltam dados estatísticos para idosos que morrem sós em casa

1ª. imagem de Gonçalo Lobo Pinheiro

2ª. imagem foto pessoal


18 comentários:

UMA LULIK disse...

A triste realidade dum país a afundar cada vez mais. É preciso ter coragem pra a dizer o que vejo que aqui não falta assumidamente.
Parabéns pelo blogue e pela escolha.
Um bom ano a todos os poetas lusófonos.
De Timor com amor

Alvarina disse...

Não quero pensar que este país se está a afundar e que não tem solução. Temos as melhores gentes do mundo, os melhores poetas do mundo, os arquitectos laureados, o fado património da humanidade, um prémio Nobel da literatura,a melhor comida, vinhos de excelente qualidade, o melhor sol e os mais belos anoitecer. Temos a fé inquebrantável no futuro que já é hoje. Não quero perder a esperãnça.
Desejo um Novo Ano para todos melhor que o anterior. Um abraço de AMIZADE.
Alvarina

MARIUS disse...

Um poema super realista k retrata a existência desta ruim realidade mesmo k muitos não a queiram aceitar!!
Parabelizo a autora deste blog só é pena k poesia como esta k aqui leio não seja + comentada mostrando k afinal só a poesia tal como as revistas para serem do agrado tem k ser cor de rosa.
Parabelizo a poeta Piedade k não conhecia pla coragem de escrever sobre o abandono dos idosos.
Um 2012 cheeio de saúde e arte nas letras
Marius

Pena disse...

Preciosa Poetiza Amiga:
Maravilhoso numa doce atitude de fascínio.
Enternecedor.
Adorei. É uma poetiza de sonho e magia de ouro puro.
Tem talento, beleza no que pensa e diz. Poetiza o envelhecer com pureza nobre e de excelência.
No maior respeito e deslumbre por si e pela sua sensibilidade extraordinária e doce.
Adorei.

pena

. intemporal . disse...

.

.

. Piedade Araújo Sol possui esta incandescência . esta exaltação de ânimo . mesmo quando o des.ânimo traduz a realidade torta e até brutal que assenta na solidão em que sobre.vivem ou vegetam milhares de pessoas . e não só em Portugal .

.

. os nossos velhinhos . votados ao abandono . ao esquecimento .

.

. Piedade Araújo Sol diz.nos . sob a forma de poesia fulgente . do dia.a.dia numa vivência pungente . e pingente é a dor de todo o Ser Humano que o sabe ser . porque sente .

.

. Aplaudo.A de pé . e aplaudo a razão pela qual a re.encontro aqui .

.

. os meus cumprimentos .

.

.

Daniel Aladiah disse...

Uma verdade que cada vez vez será mais factual em todo o mundo desenvolvido.
Beijo
Daniel

O Árabe disse...

Há muito, tenho a felicidade de acompanhar os trabalhos da autora, cuja maestria este poema bem ilustra! Parabéns, Piedade! Parabéns ao site pela escolha.

Ana Oliveira disse...

Enquanto palavras como estas nos contarem das sombras haverá esperança de dias que nasçam lentamente para a claridade, para a primavera das flores, o verão dos frutos e o Outono da colheita.
Gosto, muito, Piedade.
Um beijo

Fa menor disse...

A solidão pode ser uma noite a que não se sucede amanhecer...
tristeza, penas, abandono...

Nunca é demais alertar.

Obrigada, Pi.
Bjo

SOL da Esteva disse...

Piedade


Solidários comummente no tema.
Escrevi sobre a solidão, no Natal.

Efectivamente, morre-se devagarinho.

O Teu Poema esquarteja, grita o alerta, mas a Solidão continua.

Amor e Solidariedade.
Compreensão e Ajuda.
Estima e Auto-estima.
A Sociedade de todos nós, tem de despertar, acordar, entender, participar, partilhar...
porque o que mais dói na Vida nem sequer é a doença física; esta, dói mesmo.


Beijos

SOL da Esteva
http://acordarsonhando.blogspot.com/

Canto da Boca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canto da Boca disse...

Um poema para além da reflexão, que mexe com as nossas estruturas em todas as dimensões. E que denuncia as fragilidades humanas,
as dificuldades materiais e nos chama à responsabilidade para a maneira como tratamos as pessoas, em especial, aos nossos velhos (ou idosos).
O texto nos deixa a pensar sobre a solidão que perpassa a natureza particular de cada pessoa, mas dentro do social, do coletivo.
O tema diz respeito a todos nós, é de nós que ele fala, nos convoca a cuidarmos melhor, mais atenciosamente, mais generosamente, uns aos outros.
É preciso rever valores e conceitos,sobretudo! A solidão bate em tantas portas! Mas a solidão em alguns casos é tao devastadora, que só a morte salva!
Doloroso, cruel, real. Ela mata-nos a todos, na matéria e na alma!

Parabéns pela sensibilidade na escrita, e especialmente pelo talento!

Um beijo grande, e um 2012 possível!

;)

mfc disse...

Um poema que é um alerta!
Morre-se muito devagar por cá... e de uma forma silenciosa, triste e abúlica!

partilha de silêncios disse...

É sempre um prazer passar por aqui.

Votos de "UM EXCELENTE 2012", vamos lá contrariar a crise !
bjs

Filoxera disse...

A solidão é doença que mina o espírito.
Associada à terceira idade, não deixa, contudo, de afetar outras camadas etárias.
Infelizmente...
Deixas-nos um alerta louvável.
Um beijo de parabéns.

© Piedade Araújo Sol disse...

Obrigada pela escolha do meu poema.

grata!

um bom ano para o PP

beij

DelimPeixoto disse...

Sempre na crista da boa poesia. Tu és uma pérola
Bj

Virgínia do Carmo disse...

Não vim a tempo de deixar um voto "útil", mas é sempre tempo de ser eco desta voz inquieta que nos confronta com a urgência de um mundo melhor.

Muito belo e cheio de sentido o poema da Piedade, para quem deixo um terno beijinho.