Site Meter Poesia Portuguesa: Morre-se de solidão no meu país

Poesia Portuguesa

dedicado a todos os que gostam dela...

Sábado, Dezembro 31, 2011

Morre-se de solidão no meu país




A solidão prolongada
Em forma de sombras
Neutras
Esbatidas
Infiltrada nas paredes
das casas fechadas – com gente dentro
e a noite a fechar o dia mais uma vez
duas vezes – muitas vezes

e morre-se devagar no meu país

as árvores no Outono estão nuas – esquálidas
no Inverno o frio magoa os ossos e a alma
mas talvez os melros cantem antes da próxima primavera
se o verão chegar todos os dias
no sol de uma tigela de sopa fraterna

morre-se devagar no meu país

e depressa tudo se esquece

Poema de
Piedade Araújo Sol




Nota da Autora: faltam dados estatísticos para idosos que morrem sós em casa

1ª. imagem de Gonçalo Lobo Pinheiro

2ª. imagem foto pessoal


18 Comentários:

  • Às 31 Dezembro, 2011 15:25 , Anonymous UMA LULIK disse...

    A triste realidade dum país a afundar cada vez mais. É preciso ter coragem pra a dizer o que vejo que aqui não falta assumidamente.
    Parabéns pelo blogue e pela escolha.
    Um bom ano a todos os poetas lusófonos.
    De Timor com amor

     
  • Às 01 Janeiro, 2012 16:25 , Anonymous Alvarina disse...

    Não quero pensar que este país se está a afundar e que não tem solução. Temos as melhores gentes do mundo, os melhores poetas do mundo, os arquitectos laureados, o fado património da humanidade, um prémio Nobel da literatura,a melhor comida, vinhos de excelente qualidade, o melhor sol e os mais belos anoitecer. Temos a fé inquebrantável no futuro que já é hoje. Não quero perder a esperãnça.
    Desejo um Novo Ano para todos melhor que o anterior. Um abraço de AMIZADE.
    Alvarina

     
  • Às 03 Janeiro, 2012 11:55 , Blogger MARIUS disse...

    Um poema super realista k retrata a existência desta ruim realidade mesmo k muitos não a queiram aceitar!!
    Parabelizo a autora deste blog só é pena k poesia como esta k aqui leio não seja + comentada mostrando k afinal só a poesia tal como as revistas para serem do agrado tem k ser cor de rosa.
    Parabelizo a poeta Piedade k não conhecia pla coragem de escrever sobre o abandono dos idosos.
    Um 2012 cheeio de saúde e arte nas letras
    Marius

     
  • Às 03 Janeiro, 2012 21:19 , Blogger Pena disse...

    Preciosa Poetiza Amiga:
    Maravilhoso numa doce atitude de fascínio.
    Enternecedor.
    Adorei. É uma poetiza de sonho e magia de ouro puro.
    Tem talento, beleza no que pensa e diz. Poetiza o envelhecer com pureza nobre e de excelência.
    No maior respeito e deslumbre por si e pela sua sensibilidade extraordinária e doce.
    Adorei.

    pena

     
  • Às 03 Janeiro, 2012 21:48 , Blogger . intemporal . disse...

    .

    .

    . Piedade Araújo Sol possui esta incandescência . esta exaltação de ânimo . mesmo quando o des.ânimo traduz a realidade torta e até brutal que assenta na solidão em que sobre.vivem ou vegetam milhares de pessoas . e não só em Portugal .

    .

    . os nossos velhinhos . votados ao abandono . ao esquecimento .

    .

    . Piedade Araújo Sol diz.nos . sob a forma de poesia fulgente . do dia.a.dia numa vivência pungente . e pingente é a dor de todo o Ser Humano que o sabe ser . porque sente .

    .

    . Aplaudo.A de pé . e aplaudo a razão pela qual a re.encontro aqui .

    .

    . os meus cumprimentos .

    .

    .

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 10:10 , Blogger Daniel Aladiah disse...

    Uma verdade que cada vez vez será mais factual em todo o mundo desenvolvido.
    Beijo
    Daniel

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 13:44 , Blogger O Árabe disse...

    Há muito, tenho a felicidade de acompanhar os trabalhos da autora, cuja maestria este poema bem ilustra! Parabéns, Piedade! Parabéns ao site pela escolha.

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 13:53 , Blogger Ana Oliveira disse...

    Enquanto palavras como estas nos contarem das sombras haverá esperança de dias que nasçam lentamente para a claridade, para a primavera das flores, o verão dos frutos e o Outono da colheita.
    Gosto, muito, Piedade.
    Um beijo

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 15:46 , Blogger Fa menor disse...

    A solidão pode ser uma noite a que não se sucede amanhecer...
    tristeza, penas, abandono...

    Nunca é demais alertar.

    Obrigada, Pi.
    Bjo

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 17:33 , Blogger SOL da Esteva disse...

    Piedade


    Solidários comummente no tema.
    Escrevi sobre a solidão, no Natal.

    Efectivamente, morre-se devagarinho.

    O Teu Poema esquarteja, grita o alerta, mas a Solidão continua.

    Amor e Solidariedade.
    Compreensão e Ajuda.
    Estima e Auto-estima.
    A Sociedade de todos nós, tem de despertar, acordar, entender, participar, partilhar...
    porque o que mais dói na Vida nem sequer é a doença física; esta, dói mesmo.


    Beijos

    SOL da Esteva
    http://acordarsonhando.blogspot.com/

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 17:38 , Blogger Canto da Boca disse...

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 17:48 , Blogger Canto da Boca disse...

    Um poema para além da reflexão, que mexe com as nossas estruturas em todas as dimensões. E que denuncia as fragilidades humanas,
    as dificuldades materiais e nos chama à responsabilidade para a maneira como tratamos as pessoas, em especial, aos nossos velhos (ou idosos).
    O texto nos deixa a pensar sobre a solidão que perpassa a natureza particular de cada pessoa, mas dentro do social, do coletivo.
    O tema diz respeito a todos nós, é de nós que ele fala, nos convoca a cuidarmos melhor, mais atenciosamente, mais generosamente, uns aos outros.
    É preciso rever valores e conceitos,sobretudo! A solidão bate em tantas portas! Mas a solidão em alguns casos é tao devastadora, que só a morte salva!
    Doloroso, cruel, real. Ela mata-nos a todos, na matéria e na alma!

    Parabéns pela sensibilidade na escrita, e especialmente pelo talento!

    Um beijo grande, e um 2012 possível!

    ;)

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 21:25 , Blogger mfc disse...

    Um poema que é um alerta!
    Morre-se muito devagar por cá... e de uma forma silenciosa, triste e abúlica!

     
  • Às 04 Janeiro, 2012 23:32 , Blogger partilha de silêncios disse...

    É sempre um prazer passar por aqui.

    Votos de "UM EXCELENTE 2012", vamos lá contrariar a crise !
    bjs

     
  • Às 09 Janeiro, 2012 12:16 , Blogger Filoxera disse...

    A solidão é doença que mina o espírito.
    Associada à terceira idade, não deixa, contudo, de afetar outras camadas etárias.
    Infelizmente...
    Deixas-nos um alerta louvável.
    Um beijo de parabéns.

     
  • Às 10 Janeiro, 2012 12:45 , Blogger © Piedade Araújo Sol disse...

    Obrigada pela escolha do meu poema.

    grata!

    um bom ano para o PP

    beij

     
  • Às 11 Janeiro, 2012 10:06 , Blogger DelimPeixoto disse...

    Sempre na crista da boa poesia. Tu és uma pérola
    Bj

     
  • Às 11 Janeiro, 2012 23:58 , Blogger Virgínia do Carmo disse...

    Não vim a tempo de deixar um voto "útil", mas é sempre tempo de ser eco desta voz inquieta que nos confronta com a urgência de um mundo melhor.

    Muito belo e cheio de sentido o poema da Piedade, para quem deixo um terno beijinho.

     

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