quinta-feira, março 31, 2016

Ando pelas ruas desta incerta cidade.

Durante mais de 10 anos anos, mantive o projecto original de dar preferência à divulgação de poemas partilhados na blogosfera.

É tempo, pois, de dar início a um novo ciclo.

Referi no passado mês de Dezembro que iria divulgar poemas editados em livros.

Inicia-se este ciclo com Graça Pires e um poema do seu último livro, “Uma claridade que cega”.

Gracinha Courela, "Estação Martim Moniz"

Ando pelas ruas desta incerta cidade.
Deixo que o meu olhar
se ajuste ao olhar dos outros.
Entre ruas e rostos há fragmentos de solidão
que denunciam a trágica expressão da vida.
Todos conhecem a oralidade da mudez,
a vigília da revolta, a senha do desdém,
a estranheza de golpes imolando os sonhos.
Eu, com uma fala colada na língua,
somente me consinto
a áspera caligrafia do silêncio.

(a págs. 41)

3 comentários:

  1. Uma honra que comece este novo ciclo com um poema meu. Obrigada pelo carinho, minha amiga.
    Beijos.

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  2. As caligrafias da convivência na arte de uma pena!

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  3. Gosto muito dos poemas de Graça Pires!

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