quinta-feira, abril 26, 2018

Em uníssono

Moises Saman


Indagamos, em uníssono, o avesso dos dias
retalhados por mãos adversas,
para não nos equivocarmos
com o rosto deste mundo 
em constante calafrio, em arriscada deriva.
Porque estes são tempos exasperantes
de perder as pátrias e as casas
e os pais e os irmãos e os amigos
e os nomes e a memória.
E nas imensas planícies enegrecidas
é desabrido o som dos que bradam
quando as crianças ensurdecem no silêncio.
A meia-haste, arvoramos a rugosidade
das cinzas e o rasgão do medo,
para não permanecermos alheios
à saturação dos que sangram,
dos que tombam, dos que resistem.

In: CONTINUUM: Antologia poética. Pinturas de Luís Liberato, fotografias de Soledade Centeno. Braga: Poética, 2018, p. 123

6 comentários:

  1. Obrigada, minha Amiga, pela divulgação e pelo carinho com que o faz.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. É sempre um prazer a sua poesia, querida Poeta.
      Obrigada por ela.
      Um beijo e boa semana, também para si.

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  2. Não entendi de quem seja
    Este blog, e no perfil
    Trás um dado tão sutil
    Como confissão de igreja.

    A Graça Pires enseja
    Sentir não ser do Brasil
    Mas é de mulher gentil,
    Pois Graça agradece - veja

    Que eu fiquei sem saber
    A procedência do ser
    Que postou o belo poema

    De Graça Pires. Vou ter
    Que por sonho e por dever
    Comentar, mas em dilema.

    Estou como seguidor do blog, mas não lembro de quem seja - é a velhice... Grande abraço. Laerte.

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    1. Bom dia, Laerte.
      Antes de mais, grata pela visita e pelo comentário em poema.
      Quando em 2005 iniciei este Blogue referi numa postagem de 18 de Outubro o seguinte:

      "Ao dar início a este Blog, foi minha intenção valorizar os autores Portugueses por vezes tão mal amados por aqueles que falam a sua língua.
      Mas, como estamos num mundo virtual, onde a Poesia corre como água num rio limpo e transparente, resolvi iniciar um ciclo de Poesias de autores de Blog’s, que pela sua qualidade e sensibilidade, me maravilham.
      ..."

      E assim, durante anos, fiz.

      Apesar de ter blogues pessoais nunca quis revelar a minha identidade até que foi descoberta por um outro divulgador de poesia.
      Por isso, deixou de ser segredo. É publico o link para este Blogue em todos os outros cinco blogues que possuo.

      E tem razão. Já é altura de assumir, neste blogue, a minha identidade.

      Um abraço e mais uma vez grata pelas palavras.

      Otília Martel

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  3. Pois aqui estou, sim, porque gosto da poesia.
    Seguirei vindo até cá.

    Cheguei e gostei
    Tanto, que voltarei.

    Abraços de vida

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  4. Agradeço a visita e as palavras, Duarte.

    Um abraço

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