Gostava de falar sobre um rio
Mas só o sei descrever revolto e agitado.
Gostava de escrever sobre as nuvens
Mas só as digo quando cinzentas
Carregadas de tempestade.
Gostava de encantar com a beleza das flores
Mas as que gosto
Não estão expostas em montras de floristas
Nascem selvagens rasgando rochas áridas, infecundas.
O azul transparente do rio
A leveza da nuvem/algodão que flutua
A beleza da flor domada
Deixo para os outros
Que falam disso bem melhor que eu.
Eu dou o outro lado
O rio revolto, a nuvem carregada
A flor única, a rocha infecunda.
Exorcizo-me em tentativas de poemas
Construo espanta-espíritos de palavras
Desnudo-me em frases incompletas
Poemas pequenos de pessoa pequena.
Não sei fazer rendilhados de palavras
Tecer poemas perfeitos
Usar figuras de estilo
Metáforas, métrica e rima.
O que sei é isto
Fazer das palavras um "vade retro"
Ousadia, provocação, amor, luta
E acabar assim cansada
Vazia, desfeita
Como se tivesse sido desbravada
Vencido uma batalha
Ou acabado de fazer amor.
Poema da Encandescente in Erotismo na Cidade
Com a devida autorização
(Foi editado o Livro de Poemas - "Encandescente"
Mais informações no Blog da Autora)

















