segunda-feira, outubro 17, 2005

Quando


Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente

(Poema de Álvaro de Campos)

8 comentários:

romero disse...

Para un verdadero poeta, cada momento de la vida, cada hecho, ... que pasa y
queda y es cristal de un mismo Heráclito inconstante:)
precioso poema :)
besito

susana disse...

fantástico! escolha de poemas soberba!

Isabel-F. disse...

não conhecia este poema...

li os dois 1ºs versos e disse para mim: Fernando Pessoa...

e só podia mesmo... o meu poeta preferido...

obrigada
Bjs

Miguel Nobre disse...

Obrigado pela tua visita e por me dares a conhecer este excelente blog.

Daniel Aladiah disse...

Querida PP
Boa poesia (a qual fica sempre melhor à esquerda :) sou antiquado, não ligues)
Um beijo
Daniel

Amaral disse...

Já tinha notado as tuas visitas ao meu cantinho, e já tinha espreitado esta divulgação que fazes da poesia portuguesa.
É uma iniciativa que revela um estar na vida muito próprio, do qual deves estar a tirar um gozo e uma alegria muito especiais.
A sensibilidade das tuas escolhas está aliada às imagens que as completam. Excelente!

Pedro Nobre disse...

Grandes poemas, grandes poetas....

Anónimo disse...

best regards, nice info » » »