sábado, dezembro 24, 2005

Menino Jesus da minha cor


Presépio
Dili, Dezembro 2003 - Tózé


Meu Natal Timor,
Meu primeiro Natal.

Quantos anos tinha?
Nunca o soube ao certo.

Minha Mãe-Menina
Fez-me o seu presépio:
Uma encosta arrancada ao Ramelau [1]
Com uma gruta ausente
Cheia de Maromak [2]
E perfume de coco.
Um búfalo e um kuda [3]
E o bafo quente dos seus pulmões.
E um menino sobre a palha de arroz
E folhas de cafeeiro.

Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.

- Ínan [4], quem é?
- É o Maromak-Filho [5] e teu irmão!

E eu recuei, porque via no berço
Um menino rosado,
Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.

- Ele é, mais do que todos, teu irmão...
- Mas como pode ser um meu irmão?
- É teu irmão: firma-lhe bem os teus olhos, meu amor!

E eu, obedecendo,
Firmei-me todo n’Ele.
E vejo-O desde então
Também da minha cor!

(Poema de Fernando Sylvan-Timor Leste)


Poema e imagem recolhidos em Chuviscos...onde encontrarão a explicação do Poema.

8 comentários:

José Gomes disse...

Podes usar à vontade...

Bom Natal.

(Manda-nme wsse ficheiro de música, por favor)

Um abraço

dulce disse...

Um Bom Natal...
Beijos.

☆Fanny☆ disse...

As minhas viagens pela net trouxeram-me até aqui e gostei deste aconchego!

"Viver o Natal é permitir que Deus faça morada no nosso coração..."

Festejemos a alegria de estarmos vivos, deixemos a nossa alma voar em busca de novos sonhos,
deixemos que as estrelas da felicidade iluminem nossa existência.

Um Feliz Natal cheio de sorrisos interiores, muita saúde, muitas alegrias e realizações.

*Carinhos Infinitos*
Fanny

APIUR disse...

No Natal a vontade de estar equilibra-se no arame virtual da esperança,
atitude de risco,
quando as redes de segurança,
globalizadas,
desesperam na incertitude das intempéries humanas.

O Natal existe na infância dos seres.
Está provado por escanção,
de-mérito e arrogância.

Passarinhos re-cantam,
Poemas-penas de Amor.
Formiguinhas e-laboram cenários,
gatinhos desmiam estratégias e teias.
Logo, o Natal existe.

Mas só mais logo!
25 de Dezembro de 2005
APIUR

APIUR disse...

Agradeço as palavras,
simpáticas,
semeadas no meu blog.
Saudações,
Apiur

TMara disse...

conheci mtº bem o Sylvan. K agradável encontrar aqui um poema dele e logo este.claro.Boas entradas e um melhor 2006

T. disse...

Vou estar ausente até janeiro, antes da partida, quero agradecer-te toda a excelente poesia que deste a conhecer durante 2005.

Grande beijinho.

Excelente 2006.

Anónimo disse...

Timor uma terra de gente tão sacrificada!! Bem hajas por trazeres aqui este poema e este grande poeta!!!
cumprimentos e bom ano novo
Luis Cerqueira Damião