Nasceu em Belém...
FELIZ ANO NOVO

O nosso Menino Jesus
Nasceu em Belém
Nasceu tão somente
Para querer o bem
Nasceu sobre as palhas,
O nosso Menino
Mas a Mãe sabia
Que ele era divino
Gloria, gloria in excelsis deo.
dedicado a todos os que gostam dela...


Imagem de Ricardo Biquinha
in Luz.de.Tecto
Cozi o bacalhau,
As batatas, as couves
E o ovo a acompanhar.
Coloquei a toalha azul na mesa,
Guardanapos de papel a condizer
Garrafa de vinho aberta, do Dão,
E o copo à sua espera.
Olhei à volta e sorri…
Estava rodeado de pessoas
De quem eu gosto:
As minhas filhas, os meus sobrinhos
E os que sempre comigo estiveram:
Os que nunca me abandonaram!
Mesmo só senti-me acompanhado!
Olhei novamente e reparei que não havia maldade
Invejas ou hipocrisias;
Nem mirones a ver a qualidade das prendas,
Nem o número das que se ofereceram,
Ou se receberam…
Servi-me:
Estava branca, a posta do peixe "natalício", deliciosa,
Vos juro!
As couves a acompanhar e as batatas ao lado,
O ovo…Ah! As cores do ovo!...
Azeite alentejano, este ouro líquido e vinagre qb.
Sentei-me!
Fiz um brinde às pessoas especiais que trago sempre comigo
E não deixo em lado nenhum…
Coloquei a mão no peito, morada de quem amo.
Brindei à alegria, à honestidade e à força de lutar.
Não me esqueci de ninguém!
Comi umas fatias de queijo saloio
E rematei com um pouco desse vinho:
Alegre, revigorante, quente!...
Bebi o café e, não sendo hábito, bebi um digestivo.
Novamente um brinde a quem me acompanhou.
Um jantar de consoada em que me revi, reli e redescobri.
Meditei na vida, nos objectivos, nos azares, nas sortes…
O pai natal esteve longe mas com tanto para fazer…
Para o ano caber-me-á ser um dos contemplados.
Sorri novamente e antes de me levantar
Sorri também aos que guardo em mim.
Fui dar uma volta e deleitei-me com as cores das luzes reflectindo na baía.
Sorrateiramente olhei o céu:
Nublado e nem uma estrela (cadente) me deixou ver…malandreco!
Regressei a casa, sereno e preparei a deita.
Um bom dia de Natal para todos
E que seja sempre dia de Natal porque eu
Brindar-vos-ei sempre…todos os dias!...
Poema de Ferrus-João Falcato

Natal
É ser
É nascer
É dar-se
Dar-se é ir de porta em porta
com uma mensagem
de flores no sorrir
e estrelas nos olhos.
Uma ponte de palavras
formada
entre ti e os outros,
construída, encontrada
entre a vida, o amor e a morte.
Natal
é seres, em cada dia, não de ti, mas de todos.
Universo novo não planeado,
não programado, mas vivido e amado,
num desejo constante de ternura-dádiva, de fraternidade.
Natal é ser criança cada dia em cada ventre de mulher. Todas as mulheres
TUA MÃE
Poema de TMara
in Círculo de Poesia

Imagem daqui
Luz
Luz do fogo
Aquece meu corpo
Com a Força do teu calor
Para o manter activo
No trabalho, na saúde e no rigor.
Luz
Luz da vela
Aquece e ilumina minha alma
Com a Beleza da tua chama
Para quebrar a ira e o apego que me trama
E fazer raiar a alegria, o amor e a calma.
Luz
Luz da Estrela
Ilumina o meu mental
Com a Sabedoria da tua Graça
Para abolir as fronteiras que o ego meticulosamente traça
E resplandecer a Faúlha do Uno que tudo abraça.
Poema de Jorge Moreira


Paul Seignac in Christmas Morning - Imagem daqui
É Natal!
Vêm minhas Sombras visitar-me
Na hora crucial do Nascimento;
Chegam alegres, sem dor
E vêm sossegar-me
Ao dizer que acabou seu sofrimento...
Que cor beleza nos fica na luz
Que aroma indizível a perfumar a sala!
E contam que falaram com Jesus
E mostram uma Paz, que nada iguala!...
Todos os que mais amo
E que partiram
Vêm abraçar-me
Nesta noite fria
E até os Anjos no Presépio
Me sorriram
E as luzes, no pinheiro
Fazem da noite, dia...
Vinde ó meus Amores
Sombras queridas
Vinde, chegai-vos à lareira!
Fiquemos aqui adormecidas
Que bom que estais de novo
À minha beira!...
Sei que ficareis por pouco tempo
Que a estada é curta
Mas que importa?
É sempre de magia este momento
Em que atravessais a nossa porta!...
Se não puder ser antes
Voltai o ano que vem;
Talvez eu ainda esteja aqui ...
Mas, se assim não for
É porque estou bem
Quero dizer, bem melhor,
Porque parti!...
Poema de Maria Mamede

Presépio
Dili, Dezembro 2003 - Tózé
Meu Natal Timor,
Meu primeiro Natal.
Quantos anos tinha?
Nunca o soube ao certo.
Minha Mãe-Menina
Fez-me o seu presépio:
Uma encosta arrancada ao Ramelau [1]
Com uma gruta ausente
Cheia de Maromak [2]
E perfume de coco.
Um búfalo e um kuda [3]
E o bafo quente dos seus pulmões.
E um menino sobre a palha de arroz
E folhas de cafeeiro.
Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.
- Ínan [4], quem é?
- É o Maromak-Filho [5] e teu irmão!
E eu recuei, porque via no berço
Um menino rosado,
Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.
- Ele é, mais do que todos, teu irmão...
- Mas como pode ser um meu irmão?
- É teu irmão: firma-lhe bem os teus olhos, meu amor!
E eu, obedecendo,
Firmei-me todo n’Ele.
E vejo-O desde então
Também da minha cor!
(Poema de Fernando Sylvan-Timor Leste)
Poema e imagem recolhidos em Chuviscos...onde encontrarão a explicação do Poema.

Imagem daqui
Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!
E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.
Poema da Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!
E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.
Poema da Lique (Alice Duarte)
in Movimentum II

Imagem daqui
Menino, meu Menino,
que Te trocam as voltas, Te esquecem o nome e Te substituem por um velhote de vermelho vestido que só traz presentes…
Meu Menino de olhos doces,
que numa noite longínqua trouxeste a Esperança
e, em Teu nome, os Anjos cantaram a Paz a todos de boa vontade…
Meu Menino, hoje e aqui, olhando-Te em mais um Natal que chega, vou escrever-Te com-palavras-do-coração:
Meu Menino, deitado eternamente em palhinhas,
olha pelos outros meninos-tão-meninos como os outros mas que não têm eira nem beira.
Meu Menino dos cânticos de amor,
olha por todos os meninos sem carinho e que só sabem o que é sofrimento.
Meu Menino da igualdade entre os meninos-de-sempre-e-todas-as-eras,
olha pela justiça e equidade entre os homens.
Meu Menino, há mais de dois mil anos nascido,
promessa da Vida e do Caminho,
do perdão, da união, da verdade,
olha pelos meninos que não têm razão para sorrir.
Meu Menino, que moras em redenções e vontades adiadas,
Olha por todos os pequeninos, meu Menino.
Meu Menino, oh meu Menino,
Ouve as preces dos outros meninos
e deixa-me ver-lhes nos olhos
esta ventura de ser de novo Natal.
Poema de Maria Mar in Cartas de Marinhar

Imagem da M.P.daqui
Hoje em Natal
Há solidão
Alienação
Há aparências
Carências Vidas destroçadas
Ignoradas
Há necessidades
Pobreza
Escondida
Envergonhada.
Hoje em Natal
Há cor
Luzes mil
Há muita gente
Em afã febril
Há consumo
Há compras
Há muito
Há nada.
Hoje em Natal
Quer-se
Tradição
Simula-se
Sentimento
Afecto
Emoção.
Hoje em Natal
há Natal
Sem
Natal
Hoje em Natal
Procura-se
O Natal.
(Poema da M.P. publicado no Blog Movimentum II)

Anda, vem sentir o cheiro da
terra molhada
Depressa, antes que seque e
não reste mais nada
Até esta folha no chão caída
tem marca visível da linha
da vida
Pega nela, leva-a para ti
marca uma página no livro
antes do fim
Engana essa lágrima na
chuva que cai, retém o
arco-íris que aos poucos
se esvai.
Poema de Gaivota in Gaivota da Ria

