sábado, maio 06, 2006

Maio...

Imagem de Barbara Mathews


falo-te em Maio do pão
dias de Abril que lá vão
em Maio por ter de ser algo maior que o viver
grita em Maio a Primavera
lamenta-se quem fica à espera
perdido na contradança de perder de si a esperança

e há sempre punhos cerrados contra muros de opressão
feridas as mãos de Maio
como se flores em desmaio
feridas as flores no chão
por temores alucinados e combates de uma vida
a combater pelo pão

mas chega já Maio ao mar de giestas descobertas
numa ânsia de crescer
que não se vende o amor
e mesmo as nuvens incertas tapam o Sol por temor
de que lhes morra o voar por não saberem crescer

e eu aqui a falar de pão neste Maio de espantar
dias de Abril que lá vão
e há tanto aí por crescer
e há tanto amor por amar
que o mar nem chega a secar por mais que o seque o Verão.

(Poema de Jorge Castro)


( lido na Noite de Poesia de Vermoim, dedicada ao tema Cantigas de Maio)

9 comentários:

  1. gato_escaldado06 maio, 2006 19:24

    Poema digno de figurar mass melhores Antologias de Poesia Portuguesa. Beijos

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    ResponderEliminar
  3. olá
    não nos conhecemos mas apoio a "publicação" da poesia portuguesa. temos poemas muitos bonitos.
    música também fantástica.
    parabéns,
    berta

    ResponderEliminar
  4. Muito grato pela referência... Que mais poderá desejar quem solta as palavras ao vento do que aperceber terem elas colhido os ecos inesperados?

    Como refiro, lá pelo Sete Mares, fica-me a pena de não estar presente em Vermoim para poder, também, ouvir cantar Maio e até - quem sabe? - cantá-lo, também.

    Havemos de falar disso...

    Um abraço grande.

    Jorge Castro

    ResponderEliminar
  5. conheci o Jorge Castro no encontro de blogs de Santarém e gostei tanto da poesia dele como de ouvi-lo dizê-la, e este é um poema bem belo, a par com a foto cujo matizado de cores nos mostra que na natureza se pode encontrar a verdadeira paleta do pintor!
    Obrigada por ter passado no meu blog.
    Um abraço
    Teresa David

    ResponderEliminar
  6. Esta tua forma de dar a conhecer poesia de autores que não sendo famosos e muito conhecidos, escrevem muito melhor que muitos que por aí leio de grande renome!!!

    == e eu aqui a falar de pão neste Maio de espantar
    dias de Abril que lá vão
    e há tanto aí por crescer
    e há tanto amor por amar
    que o mar nem chega a secar por mais que o seque o Verão. ===

    fabuloso este poema de um autor que desconhecia por completo, mas que prometo ir conhecer melhor.
    Bjinhossss

    ResponderEliminar
  7. Que distraído vizinho de Vermoim que não sabe destes poemas de Maio...
    Belo!
    jorgesteves

    ResponderEliminar
  8. Jorge Castro é um poeta que nos canta a realidade e a força da vida. Gosto muito de sua poesia.

    ResponderEliminar
  9. O poema aliado à imagem é soberbo. Beijão pra vc

    ResponderEliminar

Caros visitantes e comentadores:

Obrigada pela visita... é importante para cada um dos autores da poesia constante deste blogue que possas levar um pouco deles e deixar um pouco de ti… e nada melhor que as tuas palavras para que eles possam reflectir no significado que as suas palavras deixaram em ti.

E porque esta é uma página que se pretende que seja de Ti para TODOS e vice-versa, não serão permitidos comentários insidiosos ou pouco respeitadores daquilo que aqui se escreve.

Cada um tem direito ao respeito e à dignidade que as suas palavras merecem. Goste-se ou não se goste, o autor tem direito ao respeito da partilha que oferece.

Todos os comentários usurpadores da dignidade dos seus autores são de imediato apagados.

Não são permitidos comentários anónimos.
Cumprimentos,