segunda-feira, janeiro 15, 2007

Photossintética


Pintura de Paul Albert Steck



Juntas no mistério
Água, luz e CO2
E, depois,
Como serpente emplumada,
Uma lágrima de nada
Contendo o que em cima existe
Na profunda claridade
Dos olhos de Deus
E o que em baixo desiste
Sob a conversão forçada
À paternidade
Dos deuses alados
Mortos noutra solidão.
Juntas no mistério
Tanto nuvens como pedras.
E no cemitério
Daqueles que não nasceram,
Sepulturas por abrir
Igualam-se em inquietude
Ao sossego manso
Da eternidade
Do ventre da Virgem.

(Poema de Manuel Anastácio in Da Condição Humana)

13 comentários:

Anónimo disse...

Pura coincidência... há menos de 10 min. acabei de ler um artigo sobre a origem do Homem (Homo sapiens), e sedento em "te lêr", abri o teu blog, deparando com este poema cheio de Vida.

Fiquei muito satisfeito... não só porque o li, mas também por ser o primeiro a comentar (e enaltecer...) este teu trabalho.

Os parabéns ao autor e para ti,
Uma noite feliz... Marota

Do amigo "Montanheiro"

Manuel Anastácio disse...

Cara Menina...

Que marotice foi essa de trocar a imagem??? :)

Não... Estava a brincar...

Claro que, para mim, a imagem de Pigmalião ficará sempre associado ao sentido íntimo e intransmissível deste poema, mas gosto que cada um associe as suas ideias e imagens às minhas palavras. De facto, não é essa a liberdade que nos dá a poesia? A de tomarmos para nós e criarmos de acordo com o nosso desejo o sentido último de palavras que adoptamos? Parabéns pela recolha que tens feito de todos os Pigmaliões que, como seres benfazejos, pululam na nossa atmosfera blogosférica.

Anónimo disse...

Sem palavras. Espantosa a música. Uma das melhores que por aqui ouvi, a merecer um poema dos deuses alados...parabéns a ambos.
Cpmtos do J.N.

Anónimo disse...

simplesmente fantastico este poema!! gostei imensoooo
:)

olga disse...

Muito puro!
Adorei!
*.*

Anónimo disse...

Cada vez que venho aqui, saio como se de alma lavada
obrigado!
jnhs

Ana Sobral disse...

Lindissimo!! Fico sem fala com esta musica, só a posso mesmo ouvir em silêncio!!
Bjossss da Anita

Paula Raposo disse...

Lindo quadro e belas palavras! Gostei. Beijinhos.

rouxinol de Bernardim disse...

Não conhecia, mas tenho que reconhecer a sublime elaboração e a rara sensibilidade...

Nilson Barcelli disse...

É um poema muito bom.
Não conheço o autor, mas gostei de ler.
Abraço.

Naeno disse...

Lindo poema.

Um abraço

Naeno

Anónimo disse...

excelente escolha.outra. beijos

rouxinol de Bernardim disse...

Um monumento de sensibilidade, sabedoria, fragância poética elevado ao máximo expoente!!!

Reduzi-me à minha insignificância perante este MONUMENTO!!!