terça-feira, outubro 25, 2005

Dialogando



Vêde as horas, minha mãe
Tarde se faz, tenho d'ir
Tanto caminho a percorrer
Tantas letras para ler
Tenho mesmo que partir

Pressa? P'ra quê? O mar não sai do lugar
Brisa amena sopra, o sol continua a brilhar

Inclemente, nos dedos desliza a vida
Alteram-se marés e correntes
Rodopia o astro rei nos horizontes
Lâminas de fogo lançando
Lembrando
A mudança já sentida

As cores do arco-íris? A ternura dum sorriso?
Os sonhos do poeta? O voo no tempo contigo?

Minha mãe, assim eu corro...
As pontas d'ilusões, sonhos, agarro
Com toda a força restante
Num silêncio inquietante...
O cru voo do tempo seguro
Num meigo sorriso brilhante
Do poeta adormecido

Poema "Dialogando" da Amita in Branco e Preto II

20 comentários:

amita disse...

Olá, minha querida amiga. Tirei um minuto do meu estado febril para te dizer obrigado, obrigado pela tua amizade, pela mulher linda e sensível que és. Um bjinho grande e bem hajas

LUA DE LOBOS disse...

que bom é visitar-te
xi
maria

Thiago Forrest Gump disse...

Quem consegue viver sem pressa hoje em dia? Poucos os felizardos!

R/B Estação disse...

Não conhecia este blog e acho uma iniciativa bastante interessante. Parabéns. O último poema tem tudo! a cor da vida, no preto e branco de uma folha de papel, leito do poeta.
Fiquem bem.

Lumife disse...

Mais um bom poema acompanhado de uma linda imagem.

Daniel Aladiah disse...

Querida PP
Minha mãe, como eu corro...
Um beijo
Daniel

agua_quente disse...

Mais um belo poema na tua selecção. Gosto muito deste cantinho aqui! :)
Beijos

lique disse...

É da amita e pronto! :)) Lindo. Este sítio está a ficar um agradável ponto de encontro.
Beijinhos.

lena disse...

belo este poema, bela a ideia de nos presenteares com poemas de excelente qualidade
e que bem:
"...Pressa? P'ra quê? O mar não sai do lugar
Brisa amena sopra, o sol continua a brilhar..."

aqui deixei de ter pressa, pois saboreio cada poema que aqui venho ler

beijinhos

lena

Su disse...

é sempre com prazer que aqui venho
gostei
jocas maradas

Elsa disse...

Faz sempre bem passar por aqui e ler-te...
beijo

lazuli disse...

muito belo...

Acácio Simões disse...

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida esta completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.
C.M.

batista filho disse...

Mui bela a forma como o tempo é retratado. Os versos fluem de forma serena. Gostei muito!!

Sulista disse...

Espectáculo de post :-)

Ah, e vou 'gamar' a foto que é linda!

Mais um Beijinho

Luís Miguel disse...

Um poema sublime.
Para ler e reler. E determina uma visita a "Branco e Preto".
.
.
Bom fim semana...
.

A Cor do Mar disse...

Amei este "dialogo", bem lindo de se sentir, mesmo quando andamos á pressa;) Voltarei. Bom f semana e deixo grd beijinho*

Amaral disse...

Pressa para quê?...
É muito agradável ler um poema e senti-lo!

lena disse...

sem pressa vim desejar-te um bom fim de semana

beijinhos

lena

isa xana disse...

bem, desde que vim para lisboa reparo numa mudança bruca. em évora é tudo mais calmo, são os ares alentejanos, sabemos que o dia nao foge, temos tempo para o que queremos. aqui tudo é um rebuliço, as pessoas correm, reclamam, o dia foge mesmo... foi o que lembrei ao ler o poema:)

beijito