quarta-feira, janeiro 04, 2006

Natal...


Presépio em roda de madeira


Natal, a tal
época das luzes,
dos enfeites, dos presentes
ausentes
das casas vazias
das mágoas perdidas
em colos de amargura.
Natal, sinal
de paz incapaz
de esconder
as lágrimas frias
das estrias da dor,
das crianças sozinhas
dos velhinhos abandonados.
Natal de cor, incolor
do cinzento
pensamento,
nas vaidades
das sociedades
em cerimónias
de solidariedades.
Natal viral
de um vírus do amor
onde tu e eu
somos actores,
num palco de cor
de comodismo
de olhos vendados
às verdades,
das cidades, dos países
Natal esse que tal
que te enche a mesa
de excessos que abandonas
em caixotes do lixo
rebuscados
pelos enfeitiçados do nada.
Natal, uma viagem
de contrastes
de muitas artes
de tudo e de nada!

Poema e imagem de Imar in Fala B (a)ixinho

9 comentários:

Betty Branco Martins disse...

Belo poema cheio de verdades.

Para muitos o "Pai Natal" saiu dos caixotes do lixo. Quando se diz; que o sol quando nasce é para todos - que grandíssima mentira! E assim se passa com o Natal.

Beijos

Cristina disse...

Olá
Ano Novo...Vida Nova...lá diz o ditado !!!
No começo deste novo Ano,
resolvi dar ao "meu mundo",o meu nome .
A partir de hoje ,podes-me encontrar em :

http://omundodacris.blogspot.com

Desde já peço desculpas, pelo incómodo que te possa causar.
Beijinhuss

Caiê disse...

Natal de contrastes, sim. O Natal da ostentação, do luxo e do desperdício... O Natal da miséria triste, da fome e da falta de calor. O Natal do brilho nos olhos dos meninos, esse vale sempre a pena, sejam eles de onde forem e tenham o que tiverem... O Natal do amor fluindo, do perdão, da luz. Vale a pena.

Um abraço ao Natal da poesia.

IsaMar disse...

obrigado pr esta postagem minha. Espero mais visitas suas.
um jinho meu
imar

Manel do Montado disse...

(...)Natal, sinal
de paz incapaz
de esconder
as lágrimas frias
das estrias da dor,
das crianças sozinhas
dos velhinhos abandonados.(...)


É por isso que, pelo menos uma vez por mês, quando me avinho em tertúlia de amigos, acabo sempre a noite, ou começo o dia, a dar o pequeno almoço a alguns dos indigentes que enchem a Avª Almirante Reis durante a noite, escondendo-se de manhã porque a sociedade deles se envergonha mas nada faz para lhes atenuar, pelo menos, o sofrimento.
É por isso que esta quadra, para mim, é a mais cínica do ano. Corre-se para um consumismo à disparada e esquece-se a mensagem de Jesus.
Será que as pessoas não percebem a mensagem que Deus Pai nos enviou ao escolher um estábulo para local de nascimento do seu filho?
Beijo

António disse...

Mas que trabalhão te deve dar fazer esta recolha de blog em blog!

Espero que leias a minha novela.
O nível de "comments" está baixo e eu gosto de jogar com o estádio cheio...eh eh.
É a única compensação que retiro de tanto trabalho!

Beijinhos

luisa disse...

Tão verdadeiro, tão tocante, este poema ... Bjinhos

Rui @t Blog disse...

Excelente, está lá tudo o que muitos de nós sentimos e quase todos reconhecem.
Cumprimentos e parabéns ao autor.

AS disse...

Infelizmente é sempre mais Natal para uns do que para outros!!! Até quando???