quarta-feira, abril 19, 2006

As Portas que Abril Abriu...


Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

(Excerto)

(Poema de José Carlos Ary dos Santos)
(Leia
aqui o Poema completo)

Imagem de autor desconhecido

14 comentários:

  1. Eles não sabem que o sonho
    é uma constante da vida
    tão concreta e definida
    como outra coisa qualquer
    como esta pedra cinzenta
    em que me sento e descanso
    como este ribeiro manso
    em serenos sobressaltos
    como estes pinheiros altos
    que em verde e oiro se agitam
    como estas árvores que gritam
    em bebedeiras de azul
    eles não sabem que sonho
    é vinho, é espuma, é fermento
    bichinho alacre e sedento
    de focinho pontiagudo
    que fuça através de tudo no perpétuo movimento

    Eles não sabem que o sonho
    é tela é cor é pincel
    base, fuste ou capitel
    arco em ogiva, vitral
    Pináculo de catedral
    contraponto, sinfonia
    máscara grega, magia
    que é retorta de alquimista
    mapa do mundo distante
    Rosa dos Ventos Infante
    caravela quinhentista
    que é cabo da Boa-Esperança

    Ouro, canela, marfim
    florete de espadachim
    bastidor, passo de dança
    Columbina e Arlequim
    passarola voadora
    pára-raios, locomotiva
    barco de proa festiva
    alto-forno, geradora

    cisão do átomo, radar
    ultra-som, televisão
    desembarque em foguetão
    na superfície lunar

    Eles não sabem nem sonham
    que o sonho comanda a vida
    e que sempre que o homem sonha
    o mundo pula e avança
    como bola colorida
    entre as mãos duma criança.

    LIIIIIINNNNDDDOOOOOO. Poema e esta musica.
    Beijo enorme.

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  2. E a vontade que me dá de partir os dentes à patada aos que, refugiados, ainda ganem em nome da liberdade que tinham quando viviam em Luanda e em Lourenço Marques...

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  3. Abril vai sendo apenas uma lembrança num país que foi transformado numa democracia falsa que tem uma assembleia donde fogem os deputados para votar porque o superfluo da ponte de fim de semana aí está... onde se consomem muitos dos carros desportivos e e de luxo fabricados na Europa e onde a Mafia parece ter assentado arraiais e a miséria dos ordenados impera em nome da crise, e onde em nome da falta de mão de obra se importam de leste e da àfrica gente para aumentar o nosso exército de desempregados cada vez mais licenciados e assim vai Portugal cagando em Abril...

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  4. Acho que à custa de gastarem tanto estas palavras de Abril, começaram já a perder o vigor inicial...

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  5. Um poema de que nos lembramos sempre, nesta época. Feito por um senhor poeta!
    Beijos

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  6. Hoje falar de Abril é uma miragem. Abril é o quarto mês do ano e suponho que não passa disso para quem nasceu depois de 1960. Também pessoas com responsabilidades tudo têm feito para defraudar a juventude. Veja-se o nosso ensino.
    Manuel

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  7. Infelizmente toda a gente tem feito o possível para ignorar Abril e os motivos reais porque eles existirão.Cada vez menos se respeita o espirito de Abril e não faltará o dia em que surgirá outro Abril, mas agora será bem pior, porque será de raiva de despudor, que nos conduzitá, a existir, a uma guerra civil. Que não se cuidem os nossos governantes, que um dia o povo vai sair à rua manifestando a sua revolta pela forma como os destino destes País, que já teve tudo para estar bem, se encontra. É abismal e revoltante aquilo que se passa na AR e vem o PM à tv dizer que não fala disso porque o PS faz anos e está de parabéns. Eu também fiz esta semana, e não é por isso que não me deixo de revoltar contra os cretinos que nos governam!!

    João P Coutinho

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  8. E o ABRIL que amamos e desejamos tem que estar sempre presente. Não só a 25 mas 365 X n anos

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  9. Gosto muito da música aliada ao poema e ao prncípios do 25 de Abril! Que o mundo, e o nosso país, seja mesmo melhor!

    Um bjo

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  10. Que o nosso país melhore... é o meu desejo de Abril...
    Bjx

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  11. Lindo!

    Ary dos Santos... que saudades.

    Obrigada por o recordares.
    Um abraço.

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  12. Oop´s...
    O anónimo anterior sou eu.

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  13. É sempre bom voltar a ler este poema. E recordar Ary!
    Beijinhos

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  14. não julguem o k não conhecem, pk qd for preciso alg abrir caminho a liberdade com a força das flores será a nova geração a fazê-lo, a minha geração. de generalizações e descriminações por ignorância está o mundo cheio. e já agora, se alguém se deve culpar pelos governos, não é a juventude, porque uma grande parte nem vota. é a geração de abril que não conseguiu dar ao país um rumo melhor. e tanto fez já ela por todos nós. chega de apontar dedos. portugal somos todos. e o ary sabia isso melhor que ninguém. boa escolha =) * peace

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