terça-feira, abril 25, 2006

Homenagem...



Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse


(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
Dedicado a
Salgueiro Maia)

20 comentários:

zé fanha disse...

Sophia tem alguns dos poemas mais belos sobre Abril. Que bom ler este por si esta manhã.

Catarina Pati disse...

Que bonita homenagem, além de poetica é tambem realista!
Salgueiro Maia é dos poucos herois de verdade.
Obrigado pela visita ao meu blog, deu-me oportunidade de conhecer este, ao qual voltarei a passar com certeza.
Um abraço,

DE PROPOSITO disse...

Poema lindo.
Eu não conhecia.
Um dia feliz para todo o mundo.
Bjs.
Manuel

Henrique Santos disse...

Olá,
Belo poema, não o conhecia. Belo fado. Obrigada.
Já estou quase bom, falta só um bocadinho... rsss
Um abraço Ricky

Thiago Forrest Gump disse...

Bela homenagem! :)

Teresa David disse...

Adorei o poema e achei muito boa ideia o ter publicado. É bom encontrar pelos blogs, pessoas que ainda manteem o espírito limpo e livre dos ideiais, desse Abril, que nunca estará longinquo para quem porfiar em manter-se livre de pensamento e existir.
Um abraço
Teresa David
http://teresadavid.blogspot.com

canela_e_jasmim disse...

É para ti, meu filho,que hoje canto !
Canto por já não teres de forrar livros a papel pardo.
Canto por não teres de esconder os teus poemas.
Canto por não teres sido obrigado a matar.
Canto por não teres sido preso.
Canto por não teres sido torturado.
Canto por não teres sido obrigado a fugir.
Canto por não teres sido morto.
São para ti, meu filho,
os cravos do poeta,
os cravos de Abril !
Porque estás aqui,
vivo e feliz :
LIVRE na tua escrita!
Escrevo em memória da dor e das lágrimas de todas as mães, que, ao contrário de mim, não tiveram a felicidade de dar á luz depois do 25 de Abril.

António disse...

E já lá vão 32 anos!
Qualquer dia até a revolução será velha!
Mas imortal!

Beijinhos

Sulista disse...

25 de abril SEMPRE!!!

Beijinho GRANDE ;-)

Isabel-F. disse...

...é sempre um deleite ler Sophia...

Gostaria da tua visita hoje ao meu sítio...tá???

beijinhos

manuel disse...

Porque me falas sempre nesta data vento que vens de uma crença tão antiga? Tens sabor de maresia soprada de aventura, com molho de amor misturada. Há em ti tanta utopia, tanta ternura encrustada, que não vejo como a podem corroer de sujidade ou podridão.

jgonçalves disse...

Todo um conjunto de processos, de intenções, de boas vontades, permitiram o estar aqui hoje, eu e todos quantos dão livre curso ao seu pensamento.
Salgueiro Maia merece maior atenção, porque para lá do guerreiro indomável, encerrava em si, aquele espírito altruísta, próprio dos Homens com H grande.

henrique doria disse...

Somos um país de poetas, creio que de bons poetas.Em nós a lança aponta para a cabeça para acertar no coração. Beijos.

susana disse...

uma bela homenagem para alguém k a merece

Fernando Bravo disse...

"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo"

Sophia. 25 de Abril. Liberdade. Obrigado.

antonior disse...

Parabéns pela beleza das palavras justas que inundam este teu espaço de ABRIL.
Que os sonhos de Liberdade nunca morram, e a procura vá sempre mais além...

Beijinho

Passeando no Parque disse...

- Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite -

muitos mais deveriam perder. bonita homenagem
Beijão

Manel do Montado disse...

Não conhecia este poema e como conheci o Salgueiro Maia, enquanto director do museu da Escola Prática de Cavalaria em Santarém, tudo que a Sofia de Mello Breyner escreve aplica-se a ele. A honestidade, a rectidão, a humanidade e a verticalidade facilmente seriam apelidos de Salgueiro Maia.
Escrevi há muito tempo, noutro espaço, conversas que tiveramos.
Finalmente a estátua que nunca terá a verdadeira dimensão do homem que vi inteiro e que o cancro corroeu e apagou a pouco e pouco.

Manel do Montado disse...

Cara
Segui os links sobre o Fernando Salgueiro Maia e não consegui deixar nenhuma mensagem aos autores. Recordo as noites de Inverno de 86 e 87, nas conversas sobre o Alentejo e sobre um gosto comum, os carros de combate, os blindados da nova cavalaria. Depois sonhava-se com um mundo novo e lá vinham as histórias “sem posto”, isto é, não oficiais, nem sargentos ou praças, como ele referia.
Aprendi com aquele que poderia ter sido tudo, o sentido de se ser verdadeiramente militar, cumprir a missão e mais nada querer, tal como a SMBA ilustra…tão bem!
Levei para outros teatros de guerra a postura ensinada, antes de tudo humano, mesmo antes de ser homem. É para mim um privilégio ter privado e aprendido com aquele homem, que homem.
Num jantar há muitos anos, no Toucinho em Almeirim, alguém num discurso de fim de jantar lhe disse mais ou menos isto:
- O meu major (ainda não era Tenente-coronel) é querido pelos seus subordinados porque antes de tudo é humano, homem, amigo, líder e lá no fim de tudo é que é militar! – Há ainda quem diga que foi a única vez que se lhe viram lágrimas nos olhos.
Acompanhei-o à sua última morada sabendo que o tipo de CAPITÃO como ele, morreram com ele.
Até um dia meu Tenente-coronel.

De Amor e de Terra disse...

Justíssima homenagem a quem mais lutou nesse dia D.
Ninguém como Sofia para dizer tanto em poucos versos.

Um beijo

Maria Mamede