sexta-feira, abril 21, 2006

Ode à Paz...



Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego,
dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves Outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

(Poema de Natália Correia)


Imagem de autor desconhecido

10 comentários:

  1. ...bem precisamos desse "conjuro"!
    Um abraço
    Morfeu

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  2. Belíssimo!!!!
    Obrigada por este momento tão especial...
    "Abre as portas da História,
    deixa passar a Vida!"
    Bjinhos

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  3. Pela vida, que só valorizamos verdadeiramente quando tememos perdê-la! Beijo!

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  4. A grande Natália com toda a sua força! beijos

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  5. Obrigado pela visita e pelo comentário estimulante. A propósito já lá há algo de novo.
    Obrigado tb por este mestre dos cantares, que se solta mal entramos no teu blog.
    Já que te interessas por Natália Correia aconselho-te A Senhora da Rosa de Maria Amélia Campos da Parceria A.M.Pereira e que nos dá um quadro em alargada perspectiva desta mulher ímpar e que foi e é um dos maiores poetas da língua portuguesa.

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  6. um grande abraço meu.
    :)

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  7. Poesia, minha querida,
    cheguei aqui e de repente tinha 17 anos e estava em Abril de 1974!
    Com as minhas caças de ganga azul e uma camisa de flanela, que a minha pobre mãe abominava por me fazer parecer um rapaz.E logo a filha dela, criada com vestidinhos bordados à mão!
    Cheguei aqui e revi-me a vender o jornal do Mrpp aos colegas de liceu.Revi-me a gritar nos comícios .Revi-me a votar pela primeira vez...
    Obrigada.

    Eles não sabem que o sonho...

    Os jovens de hoje, a quem tudo damos, têm outros sonhos...

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  8. "...abre as portas da história
    deixa passar a vida..."

    Este poema de Natália continua a fascinar-me, como antes.
    Obrigada Menina linda por mo fazeres recordar.

    Um beijo de parabéns da
    Maria Mamede

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