quarta-feira, agosto 09, 2006

Os Poetas...

Apesar da finalidade deste blogue ser, essencialmente, dar a conhecer a poesia de outros blogues e seus autores, não resisto a publicar um poema que me foi enviado por e-mail, esperando assim incentivar o seu autor a aderir à blogosfera…


Imagem de Mel Gama



Porque são tão tristes os poetas?
Porque têm os olhos sempre no infinito?
Porque caminham sempre cabisbaixos?

Porque passam tanto tempo à beira do rio?
Porque deambulam tanto pela grande cidade?

Porque percorrem as ruas depois da chuva?
Sempre sozinhos, pensativos...

Alguns há que correm pelos campos,
Como veados tresloucados,
Na ânsia de absorver
Toda a essência do mundo.

Outros há que se embriagam com palavras,
Que fumam nos cafés,
Que bebem nos cabarés,
Que se esquecem que em breve surgirá a madrugada...

Muitos não têm amigos
Alimentam-se de fatias de solidão
Que devoram em grandes garfadas.

Outros, odeiam a Lua,
Porque passeia indiferente às suas desgraças.

Outros ouvem rádio toda a noite
Nalguma vivenda da linha do Estoril.

São tão estranhos, os poetas...

(Poema de Pedro Cordeiro)

13 comentários:

Lagoa_Azul disse...

São tão estranhos os poetas...

Atrever-me-ia a acrescentar, são tao dementes de alegrias e tão crentes de tristezas, emprestam às palavras sentidos e sabores onde reina a anormalidade,

Belissimo poema sem dúvida,

Abraço-te carinhosamente.

aaron@iol.pt disse...

De poetas e loucos, temos um pouco; mas que importa se a poesia nos faz viver?
Mais uma bela escolha; parabéns.

Passeando no Parque disse...

Um passeio no jardim dos poetas, é sempre maravilhoso.
Beijo pra vc

maresia_mar disse...

Porque será? Mas que é marvilhoso lê-los, isso é.
eu vou de férias amanhã e até meados de setembro vou estar ausente da net e da rotina, só assim conseguirei aguentar mais um ano com um sorriso no rosto.. mas vou lembrar com carinho todos de quem eu gosto.. Bjhs com sabor a maresia

Manel do Montado disse...

A excelência do poema do Pedro Cordeiro só tem par na generosidade com que o partilhas.
Bem-hajas pela qualidade a que já nos habituaste.
Paz

Anónimo disse...

Se não fossem estranhos não eram poetas.Eram como todos e os poetas são diferentes, sentem diferente, amam diferente, expressam-se diferente. São loucos.... eu sou poeta!

Claudia Perotti disse...

Há uma urgência diferente nos poetas ... penso eu!

Agradeço a visita na minha página!

Beijinhosssssss

José Gomes disse...

Espero que na próxima Noite de Poesia em Vermoim, no dia 2 de Setembro, ter a tua presença física.

Bom Agosto

Milú e José Gomes

Morgaine disse...

Alguém daqui visitou-me hoje? :)
Reparei que deixaste coments nos posts com poemas. É raro postar poemas, só mesmo quando o espírito me obriga. Para poemas temos sempre estes cantinhos como eu teu. E está-se aqui tão calmamente. Acho que os poetas não são tristes. São apenas estranhamente calmos. De outro modo como trabalhariam eles os seus sentidos para os colocar em belas palavras?

caminhos disse...

Parabéns pelos poemas e pelo Blog.
Os Poetas são diferentes dos outros mortais....ainda bem que existem

Samantar Mohi disse...

...sou tão estranho...conseguiste que muitas almas transparentes vissem o seu próprio reflexo ao lerem nos teus versos a cruz que carregam tão estranhamente...a poesia...o ser poeta...serei um?

"se a poesia é a minha cruz então é a cruz que eu carrego" Samantar Mohi em conexão norte-sul...underunderground hip hop

Pedro Cordeiro 7 disse...

Muito Obrigado pela atenção e pelas palavras amáveis com que publicou o meu poema.

Pedro Cordeiro 7

Anónimo disse...

como são tristes os poetas...
da nossa essencia nada sabemos