segunda-feira, Outubro 30, 2006

Solidariedade e Poesia...

Porque a Poesia são sentimentos que partilhamos com os outros e também um elo que pode ligar e estabelecer afectos, resolvi partilhar o conteúdo de um email que recebi recentemente, onde a solidariedade e a poesia andam de mãos dadas.
Através do
Padre Mário de Oliveira tive conhecimento desta obra de solidariedade e de divulgação de cultura, onde está inserido o Poetas Somos que têm um projecto de editar um Livro de Poesias, sem custos para os Poetas e cuja receita reverterá a favor da Obra que defendem.
Vamos conjugar esforços e ajudar com dois ou três poemas de cada um de vós, esta
Obra e no final quem sabe, nos possamos reunir todos numa daquelas salas e, recitar Poesia



Imagem autor desconhecido


Há uma casa no olhar
de um amigo.
Nela entramos sacudindo a chuva.
Deixamos no cabide o casaco
fumegando ainda dos incêndios do dia.
Nas fontes e nos jardins
das palavras que trazemos
o amigo ergue o cálice
e o verão
das sementes.
Então abre as janelas das mãos para que cantem
a claridade, a água
e as pontes da sua voz
onde dançam os mais árduos esplendores.

Um amigo somos nós, atravessando o olhar
e os véus de linho sobre o rosto da vida
nas tardes de relâmpagos e nos exílios,

onde a ira nómada da cidade arde
como um cego em busca de luz.

(Poema "Um Amigo" de Eduardo Bettencourt Pinto)

14 comentários:

victor simoes disse...

Parabéns, pelo blogue. Está excelente.

Manuel disse...

Como colaborador deste projecto Poetas-Somos, agradeço as palavras e a divulgação aqui presentes. Quero também dar-lhe os parabéns, pelos seus trabalhos expostos neste blogue, bem como, pelo blogue em si.

António Silva disse...

Em primeiro lugar retribuo toda a cordialidade e amabilidade demonstrada gentilmente quando visita o meu blogue.
Concordo plenamente com a sugestão.
Ideias tão belas dão maior animosidade a todos os poetas que aspiram a ser reconhecidos.
O poema está totalmente adequado para testar a capacidade de criar e produzir poesia.
Felicito a amiga pela frescura, riqueza e beleza da escrita e do seu enriquecimento interior.

Escrever é ter aptidão
emitir o vivido, o pensado e o reflectido
transmitir, comunicar, partilhar por vezes o desconhecido
enquanto rico presente de gratidão.

O poeta vai nascendo e crescendo
em idade, maturidade e criatividade
revelando originalidade e habilidade
para que a sua força conquiste terreno.
Cara amiga continua o teu desempenho, toda a dedicação a este blogue para mim é uma permanente surpresa.
Força ... um abraço.

Joe Nunes disse...

Continuas a espantar-me; para além do teu bom gosto e sensibilidade, esta solidariedade para com os outros é de louvar.
Mais uma prova de que o bom gosto e a sensibilidade humana podem andar de mãos dadas!
Cpmtos do J. N.

Unknown Artist disse...

"onde a ira nómada da cidade arde
como um cego em busca de luz."

Lindo...

parabens pelo seu blog

Unknown Artist disse...

p.s: ia perguntar se n levava mt a mal se eu usasse o mesmo embed que está a passar no seu blog. gostei muito da musica e vou meter a passar no meu tambem. caso nao autorize passe pelo meu blog e poste um comment a dizer tal.

Guilherme D. disse...

Ora Viva! Fico grato pelas páginas de sabedoria, serei no futuro leitor atento. Aproveito para convidá-la a visitar o blogue de poemas que mantenho em:
gavetadospapeis.blogspot.com

Felicidades!

Joaquim Sobral Gil disse...

O amigo cerra-se. Longe de si, nem portas abertas.
O silêncio espera-o, atrás do tempo que atrasa.
Apenas a surdez do desespero em não saber.
O casulo é tecido com rendilhados de malvadez.
Mãos esguichando um sangue pulsante, quase podre...
A clareza envolve a escuridão deste amigo...

Tudo o que eu soltaria para falar deste amigo, está dito!...

In Loko disse...

Este poema «Um Amigo» é muito claro e simples de entender; tal como a intuição; tal como o palmilhar diário; tal como o olhar! Não conhecia esta iniciativa do Sr. Padre, fiquei curioso e vou conhecer o site! Abraços

Passeando no Parque disse...

[...]Um amigo somos nós, atravessando o olhar
e os véus de linho sobre o rosto da vida
nas tardes de relâmpagos e nos exílios,[...]


[[Solidariedade e Poesia...]] que título adequado; és uma benção!
Abração solidário

bandida disse...

exílios. amigos de água.




Excelente!



Abraço!
______________________

http://lili-one.livejournal.com/ disse...

Realmente, é preciso muita lata para evocar os direitos de autor de um poema que não foi V. que escreveu, e não a o deixar copiar, sobretudo para quem se limitou a indicar o nome do poema e o seu autor, sem a indicação do livro em que está escrito, e a sua editora. Inclusive chega ao ponto de colocar uma fotografia copiada (olha àquilo que eu faço não àquilo que eu digo)de um autor desconhecido.
Enfim, não tenha receio que não lhe plagio a dactilografia. Não sou preguiçosa.

Deixo-lhe aqui um poema do Eduardo Bettecourt Pinto, que não se importa nada que lhe divulguem a poesia.

Ao chão uma farpa
de oiro chegava

um fresquíssimo
e gotejante cheiro

a perseguida luz.

2

Inebriante a fosforecência
dos frutos, a curtida
lã da brisa

deslumbrada de lumes quase
ardia a infância
de março.

3

Frutos da água afagava
olhando o verão
de relance. As vestes húmidas,
brancas de sol e vento,
rumorejando como ardentes rosas
de areia.

Chegava, passo lento, afastando
a cortina do tempo.

4

Esfregando no peito sombras
de oliveira, das mãos
caiu-lhe o apelante ruído
do mar.

- Eduardo bettencourt Pinto - in A Casa das Rugas, ed.Editora Campo das Letras.
Como vê é muito fácil manter os direitos de autor.

Kleine Hexe disse...

Brilhante escolha!

Elsa disse...

Eu acho que o trabalho esta muito bem oranisado e feito.
e obrigado tambem pela ajuda que me deu para um trabalho que estava a fazer!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!