terça-feira, julho 17, 2007

Paráfrase sobre a "Canção das Canções"


Pintura de Gianni Strino



Desce a noite. Despedi-me dos pastores.
Inebriado pelo perfume do mosto olho para a minha amada.
Surge-me como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol.
Desperta no leito de cedro coberta de penas de pomba.
A mais bela de todas as mulheres extasia-se ao ver-me.
E pelo seu corpo verdejante como floresta perfumada
Pastam rebanhos de gazelas, corços, veados saltaricando na sombra dos seus cabelos.
A sua voz doce de favos, reclama-me e extasia-me.
- Leva-me contigo, meu amado. Ou deita-te a meu lado e canta-me amores.
Sou morena. Sou formosa. Sou tua. Ponho no meu pescoço
O colar de pérolas que exala o perfume do nosso vinho.
Repousa a tua cabeça nos meus seios, no meu ventre de lírios,
Na doçura da minha boca de frutos silvestres,
Quero desfalecer de amor nos teus braços fortes. Conforta-me.
Como és encantador e belo, meu amor. Vamos para o festim da floresta
Que já entoa a chegada da Primavera.
E introduz-me uvas passas na minha boca que espera a tua.
Saboreia a minha saliva e ouve a minha voz que te segreda palavras de conforto
Porque esta noite procurei-te e não te encontrei. Desejo ser tua
Como na primeira vez quando nos encontrámos nos outeiros.
Quero conceber dum amor frenético, penetrante, quente, aromático.
Oh! Meu amado amigo e esposo. Os ninhos já estão prontos.
Escolhamos o nosso.
E faz-me ouvir a tua voz desfalecida quando me abraças e me possuis.
Como são deliciosos os teus afagos, as tuas carícias,
Os beijos com que cobres o meu corpo inteiro. O aroma que vem de ti
Excede o de todos os aromas.
Desfaleço de amor. Os teus lábios são lírios, que destilam a mirra mais preciosa.
Bebe do nosso vinho perfumado, sacia a tua sede de desejo e toma-me.
Leva-me.
Desfaleço de amor mas não tenhamos pressa.
Quando regressarem os pastores
Estamos escondidos na ilha dos amores.

(Poema de
Luís Pinto in Porosidade Etérea)

17 comentários:

Paula Raposo disse...

Sensualíssimo!! Gostei imenso. Beijos.

Anónimo disse...

UAAUUUU altamente este poema!
Beijão do
Z

Anónimo disse...

Um "banho" de sensualidade e ternura
DO

Graça Pires disse...

Belo poema a lembrar o género idílico-pastoril da poesia portuguesa. Parabéns ao autor. Um beijo.

Olhos de mel disse...

Nossa! Quem não gostaria de ouvir essas belas palavras?
Feliz dia do amigo!
Bom fim de semana!
Bjs

♥≈Nღdir≈♥ disse...

., . - . - , _ , .
.) ` - . .> ' `(
/ . . . .`\ . . \ Ofereço uma rosa
|. . . . . |. . .|
. \ . . . ./ . ./
.. `=(\ /.=` toda perfumada
.... `-;`.-'
......`)( ... , para aromatizar
....... || _.-'|
........|| \_,/o teu Fim de Semana...
........|| .*´¨)
¸.•´¸.•*... ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•` *
*´¨) мιℓ вєιנoѕ♥*♥
¸.•´¸.•*... ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•` **♥*♥

Dário Guerreiro disse...

Um blog muito bom.
Aparece.
http://darioguerreiro.blogspot.com/

Anónimo disse...

um poema cheio de sensualidade e pouco habitual nesta página, que vou lendo faz um tempão.Perfeita imagem a enquadrar a leitura do poema ele ressalta direto na nossa alma.
beijinho no seu coração
Celso Ruiz

amar-te.assim.perdidamente disse...

um pouco déjà-vu... alguns lugares-comuns da poesia bucólica...

butterfly disse...

Tal como prometido,cá estou de novo! com uma cara renovada!!
Passei para deixar um beijinho!!

Anónimo disse...

Estudei esse tipo de poesia lá no colégio. Muito boa mesmo
Abração do António

Olhos de mel disse...

Olá! Passando pra lhe desejar uma semana cheia de grandes realizações.
Bjs.

teresa C Félix disse...

Luis não conhecia estes teus dotes poeticos mas confesso k adorei e k no fundo não me espantei pq sempre te conheci como um poeta da vida. PARABÉNS e continua a por no papel o k te vai na alma k é mto bonito. Bjs Teresa

Zénite disse...

Muito belo e pleno de sensualidade!

Aproveito para trazer um excerto de um texto que escrevi em tempos, parcialmente inspirado na lenda “Ísis e Osíris”, de Plutarco:

(…)

«Oh, extremoso esposo, terno amante!
Imensa é a saudade de teus olhos e de teus beijos!
Perpétua é a minha sede da tua virilidade e da fúria da tua língua!
Vem a mim, amor meu, cumpre meus desejos,
Satisfaz esta louca espera, que do quente consolo morre à míngua.

Vem, Rei Primeiro, deus bom da fertilidade e do Mundo do Além!
Eu, a tua amada Ísis, aguardo a tua vinda!
Porque, amado meu, os deuses não morrem!»

«Oh, que saudades das mornas noites de Mênfis,
quando o luar do deserto destoucava os meus cabelos,
que afagavas até à alvorada das estrelas!
Na tua falta, sonho os nossos corpos nus, em êxtase eterno,
e sinto as tuas mãos em terna errância sobre o veludo da minha pele,
em mil carícias, na busca conseguida da culminância.»

(…)



Abraço e o desejo de um bom fim de trade.

André L. Soares disse...

Bom dia! Belíssimo poema. Aliás, não apenas esse. O blog todo é de muito bom gosto e os textos são ótimos. Excelentes mesmo! Depois voltarei para ler mais. Estou sempre dando um ‘passeio geral’ pelos blogs relacionados à arte, principalmente poesia e prosa. Gostei muito do seu blog. Vou adicioná-lo ao meu blog, bem como favoritá-lo no ‘blogblogs’, para que possa visitá-lo mais vezes. Quando puder, visite também meu blog, no endereço: [ http://poemasdeandreluis.blogspot.com ]. Sinta-se à vontade... a casa é sua,... e, gostando,... por favor, também adicione meu blog e, se for o caso, ao seu ‘blogblogs’, ‘techinorati’ etc. Vamos tentar ampliar a rede de intercâmbio artístico-cultural, influenciando-nos e aprendendo mutuamente. Grande abraço!

Fernando Pessoa disse...

Mto bonito.

Hugo disse...

Muito interessante, deconhecia esta sua veia de Poeta, com tão elevada carga de erotismos.
Parabéns.