as coisas elementares

falo das coisas mais
elementares
o sino da igreja
onde um galo não canta
um seixo rolado
guardando o tempo
dentro de si
um torrão de terra
grávido de uma semente
mais elementares ainda
os sorrisos presos nos lábios
das crianças tristes
as lágrimas
rios de salgados
nos leitos dos rostos abandonados
nos lares/depósitos
falo porque
estou cansado de comer silêncio
e ler poemas de amor
com tanto desamor
a caminhar por aí
as coisas mais elementares
são as que deviam ocupar
o ventre das palavras por parir
Poema de António José Cravo

36 Comentários:
Às 24 Dezembro, 2011 16:40 ,
Virgínia do Carmo disse...
Poema verdadeiramente belo.
Beijinhos e Feliz Natal!
Às 26 Dezembro, 2011 19:02 ,
Manela disse...
Que belo poema, tão real e sentido.
Parabéns pela escrita
Às 26 Dezembro, 2011 19:04 ,
ANITA disse...
Quando as palavras estão cheias de vida como as tuas, o mais importante já lá está!!!
Muito bom, como sempre
:))
Às 26 Dezembro, 2011 19:04 ,
Alien8 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Às 26 Dezembro, 2011 19:06 ,
Alien8 disse...
Meu caro António José Cravo,
É possível discordar de uma ideia co-central de um poema e considerá-lo belo. Aconteceu-me com este.
Os poemas de amor não são o contrário, nem sequer coisa diversa, de falar do essencial: são exactamente falar do essencial, porque é o amor que está na base de tudo - inclusive da atenção às coisas elementares.
"Estou cansado de ler poemas de amor / com tanto desamor a caminhar por aí" - pois é exactamente para combater esse desamor que se escrevem poemas de amor. E não importa se é amor a uma pessoa, a uma ideia ou às "coisas mais elementares". Na realidade, é, em última análise, o amor que deve ocupar "o ventre das palavras por parir".
Como comecei por dizer, gostei do poema, e alcanço o seu sentido último e necessário - e isso é mais importante que a discordância (que talvez até o não seja...).
Às 26 Dezembro, 2011 19:06 ,
Maria Augusta disse...
Um poema de um passado presente.O sofrimento em veias de alma de quem vive o o sentido de vida, de quem sofre no silêncio de ver dentro de si o abandono dos tempos idos..do abandono, do desamor ...
Nada como retomar o senso de ocupar a vida com o esventrar do amor..uma semente já está....
Às 26 Dezembro, 2011 19:08 ,
Anónimo disse...
...rios de salgados
nos leitos dos rostos abandonados...
:-)
Às 26 Dezembro, 2011 19:08 ,
Orlando Alves disse...
Belo Poema: "falo porque estamos fartos de comer silêncio". " e ler poemas de amor com tanto desamor..." Acabrunhados pelas vicissitudes da vida, das injustiças que por aí proliferam, falamos, nem que seja em surdina. Mas mesmo com desamor quero ler poemas como este, onde palavras semeadas desabrocharão na Primavera flores encarnadas de esperança.
Às 26 Dezembro, 2011 19:09 ,
Letícia Valle disse...
António, mais uma vez parabéns por este teu talento de observar e escrever as simplicidades. Sempre !
Às 26 Dezembro, 2011 19:12 ,
Vitor Bastos disse...
Magnifico Poema,bem do presente,gostei
Às 26 Dezembro, 2011 19:15 ,
Sofia Carvalho disse...
Aqui está um poema bem ao meu estilo,António! Parabéns...
Às 26 Dezembro, 2011 19:16 ,
© Piedade Araújo Sol disse...
tão real que até doí.
muito bom!
um beij
Às 26 Dezembro, 2011 19:20 ,
Antonieta disse...
como é belo o teu olhar, vê o coração de quem hoje ama mas não encanta o sol de um dia, adoro :)
Às 26 Dezembro, 2011 19:21 ,
Anónimo disse...
O teu poema é um grito ao amor, nas coisas mais elementares e onde por vezes falhamos...
Como poderia não gostar? brota-te da alma e aquece-me o coração.
Beijinhos de "onda"
Às 26 Dezembro, 2011 19:28 ,
Anónimo disse...
Gosto imenso de ler o que escreve. Adorei esta poema António. Bjs
Às 26 Dezembro, 2011 19:31 ,
Anónimo disse...
Com um sorriso nos lábios é como eu fico sempre que leio estes poemas.
Alexandra Fonseca
Às 26 Dezembro, 2011 19:31 ,
Alexandra Rosado disse...
Elementar é amar... e falar, usar as palavras. Tu usaste-as. Da melhor forma.
Às 26 Dezembro, 2011 19:46 ,
M.Manuela Barbosa disse...
Parabéns António por este magnífico poema saído do ventre que o pariu!
Gostei deste poema de raiva, de dor e de mágoa lido na tua letra. Aqui, li Amor. Um abraço
Às 26 Dezembro, 2011 19:54 ,
Mariana disse...
Como sempre,António,tu colocas poesia na vida.
Lindo!
Beijos
Às 26 Dezembro, 2011 20:04 ,
Ana Rafael disse...
António, adorei como sempre...
".. falo porque
estou cansado de comer silêncio
e ler poemas de amor
com tanto desamor
a caminhar por aí..."
Obrigada... beijos
Às 26 Dezembro, 2011 20:36 ,
Anónimo disse...
Para as mentes pensantes uma belíssima composição!!Um magnífico poema!! Beijo com alma!! :)
Às 26 Dezembro, 2011 20:38 ,
Anónimo disse...
Que lindo poema, tão simples,real e sentido... Adorei!!! Um enorme beijinho!!!!! Emília
Às 26 Dezembro, 2011 21:21 ,
Telmo disse...
Belo poema António, com palavras simples, belas e diretas, que sempre identificam a tua forma de escrever e de dizer o que sentes,
grande abraço :)
Às 26 Dezembro, 2011 21:26 ,
carmo mestre disse...
Um poema que foca uma realidade que não deve deixar ninguem indiferente...Lindo e oportuno!
Às 26 Dezembro, 2011 22:52 ,
asa disse...
Gosto de ver a chama inflamada das tuas palavras a rasgar as entranhas surdas e a parir estrelas nas consciências com firmamento tangível....elementar . Parabéns.
Asa
Às 26 Dezembro, 2011 22:52 ,
Carmo Valente disse...
Forte, directo, sentido.
Porque quando "cansados de comer silêncio" num mar de palavras fúteis à nossa volta constatamos que "as coisas mais elementares são as que deviam ocupar o ventre das palavras por parir".
Às 26 Dezembro, 2011 23:49 ,
Maria Toscano disse...
Silêncio. Belo! Bem hajas! abraço, mt
Às 26 Dezembro, 2011 23:52 ,
Clara Maria Barata disse...
Intenso e profundo o teu poema, António José. Elementar é, sem dúvida, o amor. Não é ele que impulsiona o mundo? Gostei muito!
Às 27 Dezembro, 2011 02:31 ,
António JS disse...
Maravilhoso
Às 27 Dezembro, 2011 06:02 ,
Nocas disse...
O amor está sempre presente na escrita do António e ajuda a colmatar o desamor que anda por ai. Tao mais facil seria neste tempo dar e receber amor, mas nem sempre se pode dar o que se nao tem ...
Às 27 Dezembro, 2011 11:05 ,
Maria do Rosário Loures disse...
António!
Eu entrei pelo teu poema adentro... as palavras que li formam uma curta e muito boa metragem! Obrigada por o que li!
Às 27 Dezembro, 2011 11:18 ,
Poesia Portuguesa disse...
Caros Comentadores e Visitantes:
manda o bom senso e por motivos óbvios que, os comentadores se deverão identificar através de registo, (identificação a azul) porquanto este poema se encontra incluído no conjunto dedicado ao passatempo do mês de Dezembro, cuja norma será a atribuição de pontos ao poema mais comentado, mas claro, comentado oficialmente,
(comentário que aparece com o nome do comentador a azul) pelo que só estes comentários serão qualificados, nem sendo considerados os comentários de anónimos.
Grata pela compreensão.
Cumprimentos,
A Administração do Poesia Portuguesa.
Às 10 Janeiro, 2012 21:54 ,
Nocas disse...
Sei de um tempo que passa e que urge transformar, para que se libertem os sorrisos das criancas tristes.
Às 11 Janeiro, 2012 21:50 ,
Natália Freire disse...
Cravo só hoje ... agora... descobri que tinha que vir aqui ler mais um teu poema e como sempre delicioso, a tua escrita, acho que já tu disse, é criativa, original e com muita maturidade, adoro a tua poesia, um abraço amigo.
Às 15 Janeiro, 2012 22:01 ,
Poesia Selecionada disse...
Postei esse belíssimo poema no meu blog http://poesiaselecionada.blogspot.com/. Postei também o vídeo com a narração do poema, fazendo referência a este blog, o Poesia Poirtuguesa.
Às 15 Janeiro, 2012 22:04 ,
Poesia Selecionada disse...
Peço desculpas pelo lapso, o nome correto, todos sabemos, é Poesia Portuguesa.
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