quarta-feira, abril 09, 2014

Como te contar?

Oleg Oprisco



Inquieta-me a lucidez de certas horas.
Como te contar? Tudo nelas é perfeito, 
e claro, e inabalável ... Até a dor!

A acomodação à realidade
põe-se a subir sorrateira pelo corpo
dos sonhos e dos desejos. Mata-os!

É perigoso viver desarmado 
na lucidez das horas. 
Quando menos se espera, morre-se!

Quero a minha lanterna sempre acesa,
Entrar com ela no inexprimível  sossego
que precede a tempestade;

Escutar o respirar aflito do mundo
entre dois trovões, duas guerras, dois gritos, 
separados apenas por um fio;

Um espaço impreciso, o fio, entre o um e o dois, 
Espaço a que, só por ignorância, 
chamamos silêncio.



7 comentários:

Olívia disse...


"...Até à dor"

A divulgação das nossas letras, da nossa poesia é um contributo precioso para a preservação da identidade, último reduto de um povo contundido.


Grata!

Lídia Borges

Manuel Pintor disse...

é de luz acesa que se tece
e respira o mundo

Graça Sampaio disse...

Muito belo. Muito lúcido! Como de costume em Lídia Borges.

Bela escolha.

Patrícia Pinna disse...

Boa noite, Menina Marota. Vi você no blog do poeta, Caio Fazolato, o "INTEGRAÇÃO HISTÓRICA", e resolvi te conhecer.
Já estou seguindo o seu blog, que achei de muito conteúdo.
Voltarei mais vezes para comentar.
Tenha um abençoado fim de semana de paz!

http://redescobrindoaalma.blogspot.com.br/
(meu blog pessoal)

http://refugio-origens.blogspot.com.br/2014/04/intenso-abandono.html
(blog onde eu colaboro).

Obrigada pelo carinho e fique na paz!

Graça Pires disse...

Um excelente poema da Lídia Borges. Com a lucidez de quem sabe que as palavras também nos podem salvar.
Um beijo e boa Páscoa.

José María Souza Costa disse...


Olá.
Passeando por aqui, para desejar-te um período Pascal com: alegria, Saúde, Paz, e muita Reflexão.
A Família, continua e continuará, sendo a Sustentação deste Grande Arco Humano, que chamamos de Relacionamentos.
Um abraço.

Ás de Espadas disse...

Por vezes os silêncios são tão ruidosos, que nos tiram a lucidez de
pensar, tornando-nos vítimas de nós próprios, levando-nos a viver as nossas vidas vazias, até morrer. Um poema brilhante que merece ser lido com muita atenção.. Às de espadas, Bloguista