domingo, novembro 22, 2015

Confissão d’um tempo que se cumpre


Confesso que me espantam
as distancias que vou guardando nas mãos,
as sombrias madrugadas dos homens.
Por vezes encontro o vento que desfaz as tempestades
e acalma os corpos… tão belos.

Vejo os horizontes, daqui, em grande plano
e derramo o voo das aves na palma das minhas mãos;
Ilusão mantida de liberdade
que morre na rebentação dos mares
onde navega o coração dos que em mim vivem.

Da vasta paisagem gretada pelos sóis
salvo o azul de um olhar, o verde de um respirar
e a resina de um corpo esquecido…
Este meu corpo onde o sangue de que se alimenta a carne
vai completando o cíclico regresso à terra.


Poema e imagem de António Patrício

2 comentários:

Manuel Pintor disse...

Confesso,
nestas palavras regressam-me horizontes.
Talvez azuis, como os olho...
Ou verdes, como se cumprem.

Bravo, poeta!

Manuel Luis disse...

Regressei daquele vasta paisagem outonal com canções de Coimbra. Senti-me mais perto de ti espantado pela distancia, vejo-te no horizonte por entre os meus braços ansiosos por um abraço.
Volta!
Um beijo com carinho.