FELIZ ANO NOVO

O nosso Menino Jesus
Nasceu em Belém
Nasceu tão somente
Para querer o bem
Nasceu sobre as palhas,
O nosso Menino
Mas a Mãe sabia
Que ele era divino
Gloria, gloria in excelsis deo.


Presépio
Dili, Dezembro 2003 - Tózé
Meu Natal Timor,
Meu primeiro Natal.
Quantos anos tinha?
Nunca o soube ao certo.
Minha Mãe-Menina
Fez-me o seu presépio:
Uma encosta arrancada ao Ramelau [1]
Com uma gruta ausente
Cheia de Maromak [2]
E perfume de coco.
Um búfalo e um kuda [3]
E o bafo quente dos seus pulmões.
E um menino sobre a palha de arroz
E folhas de cafeeiro.
Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.
- Ínan [4], quem é?
- É o Maromak-Filho [5] e teu irmão!
E eu recuei, porque via no berço
Um menino rosado,
Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.
- Ele é, mais do que todos, teu irmão...
- Mas como pode ser um meu irmão?
- É teu irmão: firma-lhe bem os teus olhos, meu amor!
E eu, obedecendo,
Firmei-me todo n’Ele.
E vejo-O desde então
Também da minha cor!
(Poema de Fernando Sylvan-Timor Leste)
Poema e imagem recolhidos em Chuviscos...onde encontrarão a explicação do Poema.
Imagem daqui
Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!
E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.
Poema da Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!
E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.
Poema da Lique (Alice Duarte)
in Movimentum II

Imagem da M.P.daqui
Hoje em Natal
Há solidão
Alienação
Há aparências
Carências Vidas destroçadas
Ignoradas
Há necessidades
Pobreza
Escondida
Envergonhada.
Hoje em Natal
Há cor
Luzes mil
Há muita gente
Em afã febril
Há consumo
Há compras
Há muito
Há nada.
Hoje em Natal
Quer-se
Tradição
Simula-se
Sentimento
Afecto
Emoção.
Hoje em Natal
há Natal
Sem
Natal
Hoje em Natal
Procura-se
O Natal.
(Poema da M.P. publicado no Blog Movimentum II)
Imagem do Ognid daqui
A Língua Gestual é uma língua bonita e enérgica.
É até um desporto para as mãos! Elas contorcem-se com magia, voam e dançam capazes de se transformar nas mais belas formas.
A Língua Gestual é uma voz silenciosa e extremamente visual. Cada gesto corresponde a um significado despido de palavras. As mãos, a face e o corpo desenham acções e pincelam emoções carnais sob o olhar do silêncio mais profundo.
Mas…
Cada palavra da Língua Portuguesa é amachucada, engolida por cada gesto, tornando-se praticamente invisível.
Por exemplo, a palavra “amigo”. A Língua Gestual não mostra as valiosas sílabas “a–mi–go”, não se pronuncia em voz alta “amigo”, vê-se apenas os braços a cruzar no peito…
Até os verbos gestuais são espremidos e arredondados em esponjas de diferentes cores. “Vou”, “fui” e “irei”. Estes três tempos verbais têm o mesmo gesto, que é um indicador apontado e em movimento. A diferença está na expressão facial.
Por isso, imploro para que falem comigo em Língua Portuguesa. Preciso de ver palavras, todos os verbos e as estruturas frásicas. Preciso de “ouvir” diariamente a Língua Portuguesa! Necessito de conversas difíceis e inteligentes, salpicadas de vocabulário rico. Melhor, necessito conversas de adulto ouvinte! Quero conversas longas e não curtas.
Senão, o meu Português e a minha Cultura esfumam-se…
Palavras da Silencebox aqui
Autor: Abel Manta (1888-1992) daqui
Há um fogo
pelas ruas da cidade
Há um ranger de ossos quebrados
detrás daquela viela
Há um velho bêbado
entoando uma canção
Há um táxi em corrida
pelas pedras da calçada
Há um grupo de marines,
beiços de duvidosos prazeres
Há a puta da esquina
e o chulo atrás da porta
Há a mulher que olha
meio sorriso na face
Há jovens filhos do dia
em weekend's prolongados
Há o homem que engata
uma gaja muito boa
Há a noite,
há a vida,
corre o sangue em ti,
Lisboa
Poema "Olhar" da Lina (Mar Azul-Sesimbra)
Autor: Jacqueline Klein daqui
Nas voltas
E meias voltas
Das voltas
Que a vida dá
Perdemos tempo
Com voltas
e
Nem sempre
Chegamos a tempo
de
Nos encontrarmos
Na volta
De uma
Meia volta
De um p’ra cá
e
Dois p’ra lá...
Poema "Nas Voltas" da Lina (Mar Revolto-Braga)
Poemas de Mar Revolto/Mar Azul daqui