quarta-feira, janeiro 11, 2006

Morrendo de saudades...



Por motivos imprevistos e ligados à minha saúde, estarei por breves dias (espero…) ausente, pelo que estarei impedida de actualizar os meus blogues e de vos ler também.


Um abraço carinhoso e saudoso a todos,
espero voltar muito em breve...

sexta-feira, janeiro 06, 2006

O Pássaro da Alma

As palavras saídas dos lábios das crianças têm um misto de ingenuidade, sentimento e poesia… porque a poesia está em cada palavra saída do fundo do coração, do fundo da nossa alma…especialmente as que saem do coração de uma criança. Quero assim com a ingenuidade das palavras de uma criança comemorar, desejando-vos um


FELIZ DIA DE REIS

Visage De La Paix(Serigraph)by Pablo Picasso


"João, paras quieto ou tenho que te dar uma palmada?"

Ficou quieto de repente, saltou para o meu colo, no sofá, e perguntou-me com um ligeiro sorriso, vestido de espanto:


"Foi o teu pássaro da alma que abriu a gaveta de estar zangado?"


Foi a minha vez de experimentar o espanto. Apanhada completamente de surpresa, não conseguia perceber se estava a tentar distrair-me a atenção do que me tinha feito zangar ou se estava simplesmente a "mangar" comigo...


"Tu não penses que me fazes esquecer a palmada. Ora volta lá a fazer a mesma asneira e vais ver se há pássaro que te salve... Ai, ai, ai""Mas tu não me respondeste. Foi o teu pássaro da alma?"

"Mas que conversa é essa?"

"Então tu não sabes que vive um pássaro dentro de nós? Oh, mãe, eu conto-te!Ele chama-se Pássaro da Alma e vive num sítio muito fundo, dentro do peito das pessoas... foi a Mafalda que nos contou hoje..."

"E esse sítio é...?"
"É a nossa alma, mãe! E lá, no fundo dela, há muitas gavetas... a gaveta de estar zangado, a gaveta de ficar contente, a de ter sono, a de ter fome, a de ficar triste, a de chorar... e até há gavetas de ter vontade de dar coisas às pessoas!"

" Que coisas, filho?"

"Beijinhos... queres um? Se eu te der um beijinho pode ser que o teu Pássaro da Alma feche a gaveta de estar zangado..."


Olhei bem no fundo daqueles olhitos expectantes e não consegui disfarçar a ternura de um sorriso. Nesse momento, senti no fundo do meu peito o movimento de uma velha gaveta a fechar... e o crescer de umas asas que me impeliram a voar ao mundo do meu menino-homem que, ainda no meu colo, esperava ansiosamente uma resposta minha, como se essa fosse a confirmação da veracidade daquela história lindíssima, contada pela Mafalda! Abracei-o devagarinho, muito devagarinho para que tivesse tempo de perceber a imensidão do meu Sim... e sosseguei-o:


"O Pássaro da Alma já fechou a gaveta de estar zangado, mas disse-me que voltava a abri-la se tu fizesses asneira outra vez... Por isso vamos lá a pensar os dois no que havemos de fazer para o Pássaro só abrir as gavetas das coisas boas... O que achas?""Mas eu sei! Olha, não podemos trancar as gavetas sem ele ver porque essas gavetas não têm chaves, mas podemos ter vontade de fazer as coisas bem e o Pássaro da Alma passa as coisas boas para as gavetas de cima e esquece-se das gavetas de baixo, onde ficaram as coisas más... Ele gosta de beijinhos e tu também. Eu dou-te muitos beijinhos, não faço asneiras e pronto!

"Combinado! Vamos lá ajudar o Pássaro da Alma a arrumar as coisas boas nas gavetas de cima! Dá cá um beijo grandeeeeeeeeeeee!"


Agora já entendo os ruídos da Alma nos dias cinzentos... 


É o Pássaro da Alma a arrumar as gavetas! Logo que se esquece das debaixo, a alma serena e a paz invade-me! Eu pedi-lhe que reservasse a gaveta mais acima de todas para colocar lá estes momentos doces da minha vida... e que a deixasse sempre aberta!...

Composição de Cris (Do Fundo do Meu Arco-íris)

quinta-feira, janeiro 05, 2006

nascimento do Menino

óleo de Margarida Cepêda (pormenor de quadro)


A Rosa como símbolo da abertura do Coração

A Rosa que está no centro é o ponto de confluência entre "o que está em cima" e "o que está em baixo" .
E o que está em cima é o Sol, e o que está em baixo é a Terra.
O Coração está entre a Terra e o Sol,tal como a Rosa.
O que nasce a partir do centro do Coração, pela actividade do Amor e do Conhecimento, é o Menino .
Este é o Natal.

É no duplo movimento do "saber dar" e do "saber receber" que o Caminho Iniciático começa e conduz ao Nascimento.

Saber Amar abre muitas portas

Poema e imagem de
Maat in Arde o Azul

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Natal...


Presépio em roda de madeira


Natal, a tal
época das luzes,
dos enfeites, dos presentes
ausentes
das casas vazias
das mágoas perdidas
em colos de amargura.
Natal, sinal
de paz incapaz
de esconder
as lágrimas frias
das estrias da dor,
das crianças sozinhas
dos velhinhos abandonados.
Natal de cor, incolor
do cinzento
pensamento,
nas vaidades
das sociedades
em cerimónias
de solidariedades.
Natal viral
de um vírus do amor
onde tu e eu
somos actores,
num palco de cor
de comodismo
de olhos vendados
às verdades,
das cidades, dos países
Natal esse que tal
que te enche a mesa
de excessos que abandonas
em caixotes do lixo
rebuscados
pelos enfeitiçados do nada.
Natal, uma viagem
de contrastes
de muitas artes
de tudo e de nada!

Poema e imagem de Imar in Fala B (a)ixinho

terça-feira, janeiro 03, 2006

Está prestes a acabar




Está prestes a terminar
O Natal deste ano
A muita gente vai faltar
Dinheiro para o fim do ano

A euforia foi visível
Nas áreas de comercialização
O negócio foi possível
Mesmo em tempo de recessão

Não é pois compreensível
Este fenómeno consumista
Numa atitude irreversível
De quem anda a dar nas vistas

Muitos não se querem privar
De festejar a passagem de ano
Vão-se mesmo aperaltar
Nos restaurantes dançando

Depois surgem os lamentos
De quem não sabe controlar
Os seus escassos proventos
Que nem chegam para o lar

Entram pois no novo ano
Aumentando a sua divida
Nem se lembram estar gastando
Duma forma desmedida



Poema de Contradições in Insinuações

segunda-feira, janeiro 02, 2006

O Natal pelos olhos da criança…


deixo-vos um delicioso poema que encontrei no Blog 
Sombra do Deserto



O Natal inocente


Natal é uma menina,
que me vem dar a mão.
Natal é o Pedro e o João.

Natal é dar um beijo,
pela manhã ao pai e à mãe.
Natal é dar amor a quem
o quer e não tem.

Natal é lá na escola,
quando todos dão as mãos,
abrem a sacola e repartem
o seu pão.

Natal é ÀÀÀ, III, óóó.
Natal é não estar lá.
É estar aqui e não estar só.

domingo, janeiro 01, 2006

Não vamos fingir por ser Natal...

Presépio de lata in Que bem cheira a Maresia


já não tocam os sinos
nem cantam as vozes
agora suplicam crianças
e adultos
todos querem
querem prendas
e esperam dádivas
não rezam
nem demonstram fé
consomem
consomem o que não querem
o que não lhes serve de nada
desejam tudo
tudo o que vêm
cobiçam com olhares
depois compram
compram tudo
movidos pela vaidade
e pela alienação
parecem saqueadores
talvez o sejam
dos seus próprios tesouros
depois discutem
pelo meio falam em paz
mas discutem
de tanto consumir
de tanto desperdiçar
discutem
até ao fim discutem
por vezes ainda se dão conta de si
nessa altura são solidários
são altruístas
e redentores
querem ser deuses
heróis do seu próprio ego
basta-lhes vencer por um dia
no que será um desejo comum
depois esquecem
seguem os seus rumos
como se tudo fosse apenas um sonho



Nota: O autor deste Poema José Gomes Ferreira, é homónimo de um Grande Poeta Português José Gomes Ferreira, e é titular de um Blog a conhecer o Labirinto de silencios

sábado, dezembro 31, 2005

Nasceu em Belém...

Continuando com a publicação de Poemas de Natal, oriundos de vários Blogues Portugueses, até ao próximo dia de Reis, venho deixar o meu abraço carinhoso e que tenham um

FELIZ ANO NOVO


O nosso Menino Jesus
Nasceu em Belém
Nasceu tão somente
Para querer o bem
Nasceu sobre as palhas,
O nosso Menino
Mas a Mãe sabia
Que ele era divino
Gloria, gloria in excelsis deo.

Poema e imagem de Bona Musica

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Noite de Consoada...

Imagem de Ricardo Biquinha
in Luz.de.Tecto




Cozi o bacalhau,
As batatas, as couves
E o ovo a acompanhar.
Coloquei a toalha azul na mesa,
Guardanapos de papel a condizer
Garrafa de vinho aberta, do Dão,
E o copo à sua espera.
Olhei à volta e sorri…
Estava rodeado de pessoas
De quem eu gosto:
As minhas filhas, os meus sobrinhos
E os que sempre comigo estiveram:
Os que nunca me abandonaram!
Mesmo só senti-me acompanhado!
Olhei novamente e reparei que não havia maldade
Invejas ou hipocrisias;
Nem mirones a ver a qualidade das prendas,
Nem o número das que se ofereceram,
Ou se receberam…
Servi-me:
Estava branca, a posta do peixe "natalício", deliciosa,
Vos juro!
As couves a acompanhar e as batatas ao lado,
O ovo…Ah! As cores do ovo!...
Azeite alentejano, este ouro líquido e vinagre qb.
Sentei-me!
Fiz um brinde às pessoas especiais que trago sempre comigo
E não deixo em lado nenhum…
Coloquei a mão no peito, morada de quem amo.
Brindei à alegria, à honestidade e à força de lutar.
Não me esqueci de ninguém!
Comi umas fatias de queijo saloio
E rematei com um pouco desse vinho:
Alegre, revigorante, quente!...
Bebi o café e, não sendo hábito, bebi um digestivo.
Novamente um brinde a quem me acompanhou.
Um jantar de consoada em que me revi, reli e redescobri.
Meditei na vida, nos objectivos, nos azares, nas sortes…
O pai natal esteve longe mas com tanto para fazer…
Para o ano caber-me-á ser um dos contemplados.
Sorri novamente e antes de me levantar
Sorri também aos que guardo em mim.
Fui dar uma volta e deleitei-me com as cores das luzes reflectindo na baía.
Sorrateiramente olhei o céu:
Nublado e nem uma estrela (cadente) me deixou ver…malandreco!
Regressei a casa, sereno e preparei a deita.
Um bom dia de Natal para todos
E que seja sempre dia de Natal porque eu
Brindar-vos-ei sempre…
todos os dias!...



quinta-feira, dezembro 29, 2005

Revisitando O NATAL...



Natal
É ser
É nascer
É dar-se
Dar-se é ir de porta em porta
com uma mensagem
de flores no sorrir
e estrelas nos olhos.
Uma ponte de palavras
formada
entre ti e os outros,
construída, encontrada
entre a vida, o amor e a morte.
Natal
é seres, em cada dia, não de ti, mas de todos.
Universo novo não planeado,
não programado, mas vivido e amado,
num desejo constante de ternura-dádiva, de fraternidade.
Natal é ser criança cada dia em cada ventre de mulher. 

Todas as mulheres
TUA MÃE



Poema de TMara
in Círculo de Poesia



Imagem Pessoal da autora do Blogue

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Natal... Luz...






Luz
Luz do fogo
Aquece meu corpo
Com a Força do teu calor
Para o manter activo
No trabalho, na saúde e no rigor.

Luz
Luz da vela
Aquece e ilumina minha alma
Com a Beleza da tua chama
Para quebrar a ira e o apego que me trama
E fazer raiar a alegria, o amor e a calma.

Luz
Luz da Estrela
Ilumina o meu mental
Com a Sabedoria da tua Graça
Para abolir as fronteiras que o ego meticulosamente traça
E resplandecer a Faúlha do Uno que tudo abraça.



Poema de Jorge Moreira

terça-feira, dezembro 27, 2005

Um Poema de Natal por dia...

Que
será,
Senhor,
neste Natal
armar uma ár-
vore dentro do
meu coração e nela
pendurar, em vez de
presentes, os nomes de
todos os meus amigos. Os
amigos de longe e de perto. Os
antigos e os mais recentes. Os que
vejo todo dia e os que raramente encon-
tro. Os sempre lembrados e os que, às vezes,
ficam esquecidos. Os constantes e os intermi-
tentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres.
Os que, sem querer, eu magoei ou, sem querer, me ma-
goaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles
de quem não me são conhecidos a não ser as aparências.
Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus
amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os
que já passaram pela minha
vida. Uma árvore de raízes
muito profundas, e de ramos
muito extensos, e para que
seus nomes, nunca sejam,
arrancados do meu coração.
Para que novos nomes, vindos de todas as partes,
venham juntar-se aos existentes. De sombra muito
agradável para que nossa amizade seja um mo-
mento de repouso nas lutas da vida. 

"Que os mo-
mentos alegres de Natal iluminem todos os dias do
ANO que se inicia". 

São os meus sinceros votos!


Poema e imagem de Nahar

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Consoada

Paul Seignac in Christmas Morning 


É Natal!
Vêm minhas Sombras visitar-me
Na hora crucial do Nascimento;
Chegam alegres, sem dor
E vêm sossegar-me
Ao dizer que acabou seu sofrimento...
Que cor beleza nos fica na luz
Que aroma indizível a perfumar a sala!
E contam que falaram com Jesus
E mostram uma Paz, que nada iguala!...
Todos os que mais amo
E que partiram
Vêm abraçar-me
Nesta noite fria
E até os Anjos no Presépio
Me sorriram
E as luzes, no pinheiro
Fazem da noite, dia...
Vinde ó meus Amores
Sombras queridas
Vinde, chegai-vos à lareira!
Fiquemos aqui adormecidas
Que bom que estais de novo
À minha beira!...
Sei que ficareis por pouco tempo
Que a estada é curta
Mas que importa?
É sempre de magia este momento
Em que atravessais a nossa porta!...
Se não puder ser antes
Voltai o ano que vem;
Talvez eu ainda esteja aqui ...
Mas, se assim não for
É porque estou bem
Quero dizer, bem melhor,
Porque parti!...

Poema de Maria Mamede

sábado, dezembro 24, 2005

Menino Jesus da minha cor


Presépio
Dili, Dezembro 2003 - Tózé


Meu Natal Timor,
Meu primeiro Natal.

Quantos anos tinha?
Nunca o soube ao certo.

Minha Mãe-Menina
Fez-me o seu presépio:
Uma encosta arrancada ao Ramelau [1]
Com uma gruta ausente
Cheia de Maromak [2]
E perfume de coco.
Um búfalo e um kuda [3]
E o bafo quente dos seus pulmões.
E um menino sobre a palha de arroz
E folhas de cafeeiro.

Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.

- Ínan [4], quem é?
- É o Maromak-Filho [5] e teu irmão!

E eu recuei, porque via no berço
Um menino rosado,
Um menino branco
Igual aos que chegavam de longe.

- Ele é, mais do que todos, teu irmão...
- Mas como pode ser um meu irmão?
- É teu irmão: firma-lhe bem os teus olhos, meu amor!

E eu, obedecendo,
Firmei-me todo n’Ele.
E vejo-O desde então
Também da minha cor!

(Poema de Fernando Sylvan-Timor Leste)


Poema e imagem recolhidos em Chuviscos...onde encontrarão a explicação do Poema.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Natal, hoje


Imagem daqui


Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!

E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.

Poema da Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!

E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.

Poema da Lique (Alice Duarte)
in Movimentum II

sábado, dezembro 17, 2005

Carta ao Menino-de-Sempre



Menino, meu Menino,

que Te trocam as voltas, Te esquecem o nome e Te substituem por um velhote de vermelho vestido que só traz presentes…
Meu Menino de olhos doces,
que numa noite longínqua trouxeste a Esperança
e, em Teu nome, os Anjos cantaram a Paz a todos de boa vontade…
Meu Menino, hoje e aqui, olhando-Te em mais um Natal que chega, vou escrever-Te com-palavras-do-coração:

Meu Menino, deitado eternamente em palhinhas,
olha pelos outros meninos-tão-meninos como os outros mas que não têm eira nem beira.

Meu Menino dos cânticos de amor,
olha por todos os meninos sem carinho e que só sabem o que é sofrimento.

Meu Menino da igualdade entre os meninos-de-sempre-e-todas-as-eras,
olha pela justiça e equidade entre os homens.

Meu Menino, há mais de dois mil anos nascido,
promessa da Vida e do Caminho,
do perdão, da união, da verdade,
olha pelos meninos que não têm razão para sorrir.

Meu Menino, que moras em redenções e vontades adiadas,
Olha por todos os pequeninos, meu Menino.

Meu Menino, oh meu Menino,
Ouve as preces dos outros meninos
e deixa-me ver-lhes nos olhos
esta ventura de ser de novo Natal.


de , Maria Mar in Cartas de Marinhar

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Em Natal hoje

Continuando com a Poesia de Blog’s em Português, o tema Natal inicia com um Poema que foi lido pelo José Gomes na Noite de Poesia de Vermoim e referenciado no Blog Movimentum II


Imagem da M.P.daqui


Hoje em Natal
Há solidão
Alienação
Há aparências
Carências Vidas destroçadas
Ignoradas
Há necessidades
Pobreza
Escondida
Envergonhada.

Hoje em Natal
Há cor
Luzes mil
Há muita gente
Em afã febril
Há consumo
Há compras
Há muito
Há nada.

Hoje em Natal
Quer-se
Tradição
Simula-se
Sentimento
Afecto
Emoção.

Hoje em Natal
há Natal
Sem
Natal

Hoje em Natal
Procura-se
O Natal.

(Poema da M.P. publicado no Blog Movimentum II)

sábado, dezembro 10, 2005

Anda daí...





Anda, vem sentir o cheiro da
terra molhada
Depressa, antes que seque e
não reste mais nada
Até esta folha no chão caída
tem marca visível da linha
da vida

Pega nela, leva-a para ti
marca uma página no livro
antes do fim
Engana essa lágrima na
chuva que cai, retém o
arco-íris que aos poucos
se esvai.



Poema de Gaivota in Gaivota da Ria


Imagem daqui

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Rotas clandestinas




Por que mares, que rotas, que corrente
Que imaginárias linhas te orientam?
Que forças, que vontade, que vertente
Que marés, que navios, que sextante,
Que maré desconhecida e imprudente
Te conduz por essa rota tão distante?

És a grande equação duma viagem
Que naufraga no meio dos meus braços
Sem indícios de azul ou descoberta
Que ao mesmo tempo oprime e me liberta
Na rota clandestina dos teus passos

Não sei onde se cruza o acaso e o destino
Não sei por onde passa a linha invisível
Dessa geometria desafiando o impossível
Que sinto nos meus olhos rasos de ânsia
Fitando a vaga e proibida azul distância

Mas sei que em cada rua há uma esquina
Entre o tédio e a rotina há uma abertura
Há sempre uma hora de fogo e aventura
Há um mar imaginário em cada ensejo
E hás tu, onde nasce o sonho e o desejo

Não me venham pois dizer que nunca mais
Não me falem do rigor dos pontos cardeais
Não me venham dizer que se acaba o infinito
Estão aquém do sonho as leis que me ensinais
É nas leis que há em mim que eu acredito

E por mais que seja exacta a geografia
Depois de tanto tempo a esperar por um só dia
Nasceu dentro de mim um Sésamo dourado
Que há-de encontrar o teu nome nas marés,
Nos becos da cidade, num semáforo fechado
Num sentido proibido, em qualquer lado
Todos os olhares me dirão quem és!...



Poema de Frog
(Junho de 2005)


(Lançamento do Livro de Poemas "Gotas de Luz" de Albino dos Santos Ferreira (Frog), no próximo dia 10 de Dezembro pelas 18 horas, no auditório da Fnac / Gaia Shopping.
Mais informações em Blog
Outra Voz )

sábado, dezembro 03, 2005

Vem para mim




Vem para mim,
Mas olha primeiro o mar.
Traz-me o seu azul
Reflexo no olhar
(com o cheiro da maresia)
De relance deita uma mirada
Rápido ao sol e
assim reterás o amarelo.
(com um aroma de canela)
Peço-te mais,
Que me tragas
o arroxeado do poente
(olorado por lilases)
E o verdejante dos vales
na Primavera
(com o sabor do alecrim).
Queria também
nos teus olhos
O terno e quente
alaranjado
(mais o cheiro do jasmim)
Com que se pinta o céu
Na alba de mais um dia
Desejado.
Contigo, vem o vermelho,
(com um aroma de violetas)
Nesses rios
que te escorrem do peito,
aberto em borbotões.

Vem para mim
Com esse corpo
esguio e anilado
Meu arco-íris
Sentido, vivo,
Belo e só por mim sonhado
Vem para mim
Com esse teu cheiro
De mil aromas feito
A amor amado


Imagem e Poema de Yardbird
(7 de Junho 2004)