Óleo de Camille Pissarro
há sóis que não desaparecem da nossa vida
pobre no olhar para ver
e há o sol que baixa suavemente, incendiando
tudo, ao entardecer
diariamente
como uma mão quente que nos traz uma réstia de cor
antes de adormecer
os outros, sóis interiores de afortunadas gentes
não serão menos sóis
são só diferentes no efeito que têm sobre nós.
são os dos santos dos poetas e dos simples
os que encontraram os talentos que perdemos
e os fizeram render.
nós passamos por eles, distraídos. nesta condição
de existir com muito pouco ser
e colhemos os frutos. e comemos
e nem olhamos os sóis que não descansam
e luzem dia ou noite. quais faróis.
para não nos perdermos ao viver.
(Poema de Non(Madalena Pestana) in Vida Morte & cª)


