segunda-feira, julho 17, 2006

O que Há de Real...


Foto de Adri Berger



Vou abrir as asas e navegar...

Soltar-me incandescente
No Oceano, do desejo
Sucumbir
A este quer mais.
Ficar derramada na espuma das ondas...

Erguer-me depois...
Voo da gaivota,
Planando no ar...
O meu destino são estas voltas
Reviro e viro-me no Céu
Desço
Voo picado sobre mim mesma.

Atiro-me ao Mar...

Sou esta pedra que se move.
Sou esta incerteza que as marés cobrem.
Há algas,
No lugar de cabelos,
Prendem-se nos corais
E voltam a escapar-se...
Ergo-me, derrubo-me...

Transporto-me nas ondas
Termino em espuma.
E é sobre a areia que volto ao ar,
Sabendo sempre
Que descerei em voo picado,
Perfurarei como pedra o Mar.
Oceano longinquo
Onde me metarmorfosei-o
E encontro no irreal
O que de real há na vida...

Corais inesqueciveis...

(Poema da Ar)

17 comentários:

  1. Fizeste-me chorar /vi-me nessa imagem/e nesse poema tão sentido.
    /Ergo-me, derrubo-me.../
    Um beijinho doce
    Lara Magalhães

    ResponderEliminar
  2. Ar, é lindo este teu poema.
    E fez-me recordar um que escrevi há tempos.
    Beijinhos

    MULHER – GAIVOTA

    Num temporal
    Negou-lhe a vida o mar.
    Mas renasceu alada
    E voou no céu do seu olhar.
    Em turbilhão
    De verde azul
    Brilhante
    Desenhou formas de um tempo intemporal
    Na linha que separa o sonho do real.
    E ancorou
    E julgou dominar
    O mar que a expulsou,
    E a terra verdejante.

    Louca mulher gaivota,
    Tu não sabes
    Que o real não é sonho?
    É pesadelo.
    Que o mar jamais será teu?
    Não podes tê-lo.
    E o céu do seu olhar
    É um novelo
    Em que te enredas,
    Em que te envolves,
    Em que te matas.
    E só te esperam quedas.

    Louca mulher gaivota,
    Tu não sabes
    Que a terra não é amor?
    É noite.
    Que do sol
    O calor
    Em que te aqueces,
    Em que te abrasas,
    Em que te esqueces,
    Não é mais
    (Na tua vida – noite)
    Do que um risco brilhante
    Que fulmina.

    Mulher menina
    Tu não sabes
    Que apenas fica
    Um rasto de poeira brilhante
    P’ra recordar
    Essa gaivota de Cristal Diamante

    ResponderEliminar
  3. A poesia permite-nos viajar, não no espaço ou no tempo, mas em outras dimensões.

    ResponderEliminar
  4. Q gratidão da alma qd alguem escreve o que sentimos ... Beijinho grd*

    ResponderEliminar
  5. Olá
    que belissimo poema, tem tanto a ver comigo, o oceano, as algas, o sal do mar, vida... Bjhs e boa semana

    ResponderEliminar
  6. Vôo de gaivota! Quantas vezes olhei o céu e desejei ser uma!
    beijos da Pitanga

    A música não poderia ser mais linda.

    ResponderEliminar
  7. Beeeeeeeeeeeeeeeem...LINDO!!!!!
    LINDO!!!!!
    LINDO!!!!!...o poema!

    e a foto é espectacular ;-)


    Beijinho GRANDE!

    ResponderEliminar
  8. amigo/a...força na publicação de poesia e desenhos!
    agradeço que seja notificado para
    presfeio@gmail.com
    abraços!
    carlos peres feio
    (2 dos meus blogs)
    ...podiamsermais
    ...aminhaverdadeiranatureza

    ResponderEliminar
  9. "Vou abrir as asas e navegar..."

    apenas com este início já previa um excelente navegar, e não me enganei.

    vou dormir, abrir as asas e navegar no teu poema.
    :)

    ResponderEliminar
  10. é um prazer vistar-te. e conhecer tão belos poemas de poetas desconhecidos.

    ResponderEliminar
  11. ...e como o real que há na vida apenas se mostra num irreal voo picado sobre nós mesmos...sobre a profundeza das nossas águas turvas...metamorfosemo-nos em nós mesmos...

    ResponderEliminar

Caros visitantes e comentadores:

Obrigada pela visita... é importante para cada um dos autores da poesia constante deste blogue que possas levar um pouco deles e deixar um pouco de ti… e nada melhor que as tuas palavras para que eles possam reflectir no significado que as suas palavras deixaram em ti.

E porque esta é uma página que se pretende que seja de Ti para TODOS e vice-versa, não serão permitidos comentários insidiosos ou pouco respeitadores daquilo que aqui se escreve.

Cada um tem direito ao respeito e à dignidade que as suas palavras merecem. Goste-se ou não se goste, o autor tem direito ao respeito da partilha que oferece.

Todos os comentários usurpadores da dignidade dos seus autores são de imediato apagados.

Não são permitidos comentários anónimos.
Cumprimentos,