Pintura de Dario Campanile
Vens…
Inesperadamente!
Em inquietude
Como brisas doces que ateiam lume.
Que desassossego
Que encanto-veneno me trazes
Nesse desejo de me quereres teu?
Vens...
Amadurecida no meu calor
Ausente de corpo.
Despida em suaves contornos
Reflexos de paixão.
E tu vens…
Rasgas o teu corpo
No meu.
O teu vazio...
Deslizas ternura que me lambe
E lentamente desces
Sobre mim
Como o tempo quebrando asas.
Ouço-te respirar.
Guardo-te nas minhas mãos.
Preencho-te.
Perco-me....em ti!
(Poema de In§†an†e§ ðe µm £oµ¢o)
Nas pedras do chão há cristais
cheios de pó e movimento
que seguem itinerários
vagarosos
que tropeçam
antes de serem brilho
expressão musical
para espanto dos pássaros
antes do voo
As pedras do chão
perdem a inocência
quando se aproximam dos cristais
Será do pó em movimento
ou dos meus pobres olhos
que espantam os pássaros?
Já não me pergunto
se nos alimentamos de poemas e destinos
neste chão onde me apetece
ver dançar as palavras
(Poema de Eufrázio Filipe)
Imagem: capa do álbum Shine On dos Pink Floyd
Nada sei da sapiência
dos sábios sabedores de todos os saberes
Não sei se sei, de certeza sabida
da vida os sabores.
Sei
Que correm para os mares os rios
Levando consigo
o saber/sabor
de todos que os sabem olhar e viver.
Será
Que os sábios sabem
Que os rios levam consigo
Olvidados amores?
(Poema de Helena Domingues in Orion)
Bagas chovendo em circuitos abertos
devolvem-me o sabor do Verão e do Sol.
O líquido que delas se desprende quando as trinco
amaciam-me a alma
colorindo-a de tonalidades excitantes
pegajosas.
Escorre saliva p’la minha boca abaixo
pingando-me os seios descontraídos
desnudos:
Teus...
Alternadas quais ritmos incessantes repetem-se
palavras de Amor que refrescam
a paisagem dançante.
Os corpos fundidos ofegantes animam-se
disfrutam-se
enleiam-se apaixonados.
Animais à solta
Livres
Cabelos em tempo de vendaval
escrevem diários íntimos
indiscretos. Fascinam
pelos toques de branco que com o tempo
assumiram
riscando o preto original.
Fortes como amêndoas doces alimentam dedos
que se enrolam brincando
que se deleitam ao senti-los:
Meus...
Bolhas de sabão cheiroso massajam as peles já suadas.
Beijos partilhados à toa soam a miosótis
no jardim que imaginámos. Somos.
Queremos. Damos.
(Poema da Azul)
Pintura de Lauri Blank