Site Meter Poesia Portuguesa: des_acordo ortográfico

Poesia Portuguesa

dedicado a todos os que gostam dela...

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

des_acordo ortográfico


Pintura de Sebastia Boada


na solidão das palavras
na fome dos vocábulos
na sede que nos mata…
eu fico envolvida pelas sílabas
e entoo a música
em toadas sem ritmo
à espera de inventar
palavras fechadas nas vogais...

mata-me esta renúncia de letras
cartas geográficas confusas
onde jazem mapas
imprecisos
dentro de armários baralhados
onde guardamos factos e fatos
no lado terno das nossas lembranças.

recuso-me esquecer as letras que
querem arrancar dessa ortografia nossa
que quero virgem.

recuso-me a comer letras
que não sejam as da sopa…

estou em greve de acordos ortográficos
recuso-me simplesmente.

(Poema de Piedade Araújo Sol )

19 Comentários:

  • Às 03 Setembro, 2008 14:01 , Blogger Paula Raposo disse...

    Nem mais, Piedade!! Em forma de poema, precisamente o que eu penso, mas que não sei escrever! Gostei. Beijos a ambas.

     
  • Às 03 Setembro, 2008 14:17 , Anonymous Anónimo disse...

    Boa!!! é bom quem assuma que está em desacordo!! eu também estou!!!
    Beijos às duas.
    Joana S.

     
  • Às 03 Setembro, 2008 14:27 , Anonymous Anónimo disse...

    (...) odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escre ve em orthografia, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em quem se bata, a orthografia sem ipsilon (...)
    Sim, porque a orthografia também é gente.
    A palavra é completa vista e ouvida.
    E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio,
    pelo qual é senhora e rainha

    (Fernando Pessoa (Bernardo Soares), Livro do Desassosseg0

    Heeheh...
    Zélito

     
  • Às 03 Setembro, 2008 17:08 , Blogger aminhapele disse...

    Belo poema e excelente escolha.
    Também não concordo com o Acordo,mas não dou grande importância à sua existência.
    Uma língua viva é moldável no dia-a-dia,sem necessitar de acordos ou regulamentos.
    Ainda hoje acentuações que,há anos,já caíram...
    Utilizo termos que são correntes,mas tenho dúvidas sobre a sua "existência" oficial...
    Lembro-me do esforço que a D.Amélia,minha professora de Instrução Primária,fazia para não escrever "pharmácia" ou "Christo" (de vez em quando,arrepelava os seus próprios cabelos brancos pelo "grave" descuido".
    Lembro-me,também,do desaparecimento do Francês,por imposições imperiais sobre o uso da língua...
    Sou pela liberdade de uma língua viva,mantendo fidelidade aos princípios.
    Um abraço.

     
  • Às 03 Setembro, 2008 17:45 , Blogger Hélder disse...

    Há coisas que me custam muito a compreender. Esta, do acordo, simplesmente não lhe a encontro a lógica...pelo menos a lógica de tanta cedência.

    Até breve.

     
  • Às 03 Setembro, 2008 18:01 , Blogger Teresa David disse...

    Muito bem "esgalhado", também me recuso a este acordo que vem abastardar o nossoa lindissimo idiona.
    Bjs
    TD

     
  • Às 03 Setembro, 2008 18:57 , Blogger Pena disse...

    Linda Amiga:
    No silêncio das palavras escreve doçura. Encanto.
    A fluidez das palavras em poesia magnífica expressam bem o seu majestoso sentir e ser.
    Na solidão busca-se a inspiração doce e terna, as suas.
    Adorei!
    O seu lindo versejar encanta. Quanta ternura linda.
    Beijinhos amigos de estima, respeito e muita consideração.
    Brilhante poetisa, admiro-a, sabe?
    Com imenso deslumbre

    pena

    Linda Piedade Sol não somos desconhecidos.
    "Amo" a sua poesia fantástica.

     
  • Às 03 Setembro, 2008 19:27 , Blogger £oµ¢o Ðe £Î§ßoa disse...

    Esta mensagem foi removida pelo autor.

     
  • Às 03 Setembro, 2008 19:31 , Blogger £oµ¢o Ðe £Î§ßoa disse...

    Era uma boa oportunidade de referendar tal coisa! Digo eu... a bem dizer somos nós, o povo, que dela fazemos uso.

    Deixo um carinho à Piedade, que de há tempos a "conheço" e por quem tenho um apreço especial.
    Para a Menina um sorriso.

    Até outro instante


    (o comentário de cima era meu. Tive que eliminar, continha um erro ortográfico. Se outros forem é sem o meu conhecimento) :P

     
  • Às 03 Setembro, 2008 20:58 , Blogger © Piedade Araújo Sol disse...

    olá

    é sempre com prazer que leio as escolhas que a PP nos dá a partilhar.

    agradeço o destaque.

    a escolha da pintura também é condizente com o poema.

    sei querer parecer ridicula a moça da foto parece mesmo eu.

    obrigada!

     
  • Às 03 Setembro, 2008 23:44 , Blogger Peter disse...

    Já não tenho idade para reaprender a escrever português.

     
  • Às 04 Setembro, 2008 13:46 , Blogger L. disse...

    arroz de pato ou de pacto?

    questão de facto ou de fato?

    apanhados no ato? ou deato? acto de retrato retractado?

    ja agora eliminem os "h" no inicio das palavras... a logica e a mesma

     
  • Às 04 Setembro, 2008 14:43 , Blogger cles disse...

    Acho que a nossa rica língua portuguesa é um ser vivo em constante mutação e quem não aceita isso fica no passado.

     
  • Às 04 Setembro, 2008 21:48 , Blogger mundo azul disse...

    Concordo com você! Não vejo por que acontecerem mudanças em nossa língua... Já é assim a tanto tempo!


    Beijos de luz e o meu carinho...

     
  • Às 05 Setembro, 2008 19:26 , Blogger Graça Pires disse...

    De acordo com a Piedade neste belo poema.
    Um beijo para as duas.

     
  • Às 05 Setembro, 2008 21:38 , Blogger RESSACA ® disse...

    Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

     
  • Às 08 Setembro, 2008 14:17 , Blogger António disse...

    Olá, minha querida!
    Queres dar um saltinho ao meu blog
    http://eusoulouco2.blogs.sapo.pt?
    Obrigado!

    Beijinhos

     
  • Às 18 Setembro, 2008 11:29 , Anonymous Anónimo disse...

    O que diria António Nobre sobre o actual Acordo Ortográfico, quando, no seu tempo, escrevia assim:

    Adeus! Na auzencia mezes são annos,
    Dias são mezes, que ahi são ais:
    Ah tu tens sonhos, eu tenho enganos, Eu sou sozinho, tu tens teus Paes.

    Em "Adeus - Por uma tempestade na costa de Ingleterra" na 7ª edição do "Só" de 1944.

    zélito

     
  • Às 29 Outubro, 2008 22:18 , Blogger Tetê Macambira / Papel de Arte disse...

    Gostei de saber que não fui a únia a achar o tal "acordo" uma brasilinização questionável e discutível. Por que isso assim, tão de repente? Por que esses pruridos? A desculpa de que seria para facilitar o trânsito de livros de autores lusófonos... ahhh... tá. Esta estou aguardando na varanda da casa do vizinho para conferir. Tomara, mas.... não sei não...
    Bom, de qualquer forma, que bom que se há de se escrever como se pretende e não como pretendem que se faça.
    Gostei da tua poesia. ^_^

     

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