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Ah, maldito Tempo,
que me vais matando,
com o tempo,
a mim, que não me vendi.
Se fosses como o vento,
que vai passando,
mas vendo,
mostrava-te o que já vi.
Não queres ver,
eu sei!
Contudo, vais ferindo
e remoendo,
como quem sabe morder,
mas ainda não acabei
nem de ti estou fugindo,
atrás dos que vão correndo.
Se é isso que tu queres,
ir matando,
escondendo e abafando,
não fazendo como o vento:
podes fazer e não veres
aqueles que vais levando,
mas a mim!? Nem com o tempo!
(Poema de David Santos in Só Verdades)


