Reduzia-se às ruas conhecidas
E o próprio horizonte estava à mão
Das brincadeiras simples, divertidas.
Era o jogo do arco e do pião,
Era o brincar, também, às escondidas.
Em cada um havia um campeão
Esforçando-se, alegre, nas corridas.
No Douro, com toninhas descuidadas,
Éramos já pequenos navegantes
Embarcando no sonho dum vapor
Rumo a terras distantes, ignoradas,
Nadando nesse rio fascinante
Libertados da roupa e do pudor.
O Tempo, que não pára, foi marchando...
Os caminhos diversos que trilhámos
Lentamente nos foram afastando
Dos percursos que outrora partilhámos.
Envelhecendo, fomos caminhando
Nos projectos diversos que encetámos
E, só de longe a longe, recordando
O longínquo Passado que habitámos.
Nesse Livro da Vida que escrevemos
Não temos o direito de esquecermos
As páginas da nossa mocidade.
Porque é nelas que ainda hoje vemos
A forma solidária de vivermos
E que, afinal, nos traz tanta saudade!
(Poema e Imagem de Fernando Peixoto)






