
Contei quantos anos tem um dia
Adormecido à porta da madrugada
em esperas vãs cansadas de agonia
tomba o dia, o ano, nesta estrada...
entra outro, o novo...o desejado
a fervilhar em taças de ilusões
e diz o velho na folha do passado:
- conseguirás tu, trazer as soluções?
tal como tu, nasci com espirros de luz
e termino no delírio da'nsiedade
do sentimento humano que traduz
o sonho de uma nova realidade.
benditos os anjos de asas quebradas
morrem sem glória e o mundo esquece
numa taça de quimeras deslumbradas
como fumo, porque o fumo, não aquece...
deixo espelhos sombrios em herança
ruínas, guerras, fome, má bonança,
catástrofes, desventuras doloridas,
lágrimas sufocadas, mãos estendidas
e as promessas, são rosários lentos
nas mãos de quem luta dia-a-dia.
retira 2008 a cruz do desalento
dá à vida, sol, saúde, amor e alegria
ser novo ou velho...pouco importa
se houver no mundo, pão, paz e harmonia
e o direito ao sol em cada porta
para a noite desta estrada... se fazer dia.
(Poema de Teresa Gonçalves)





