quarta-feira, setembro 29, 2021

A MEIO DO CADERNO

O tempo voa. 
Quase, quase, no final do ano, o Outono chegou e o Outubro vem a caminho.
E a poesia abre, de novo, as janelas a esta casa.

Boas leituras.




Ao meio das folhas, no meio das vozes
que abrem e cantam a clareira, a corda
de algodão delgada e branca que atravessou
quatro orifícios, quatro furos petrolíferos,
dá o nó e o laço
que seguram as páginas de terra e
formam o caderno. Nas praias imóveis
nas suas ondas quietas, na rugosidade
branca das suas verdes folhas, podes
agora
escrever na leitura o livro
entre ti e mim tecido/entretecido
das sílabas vivas do surdo clamor
do mundo, do vivo enquanto
vivo.

Beija o anel do luar e
do sol: a música do mundo
presa na haste viva que o livro
hasteia branca e vermelha.



Poema de Manuel Gusmão


 


 Pintura de Susan Bourdet

1 comentário:

  1. Fervorosa admiradora de poesia em português dou os meus parabéns pela escolha do poema e ainda mais da música escolhida para fundo musical deste blogue! Em tempos que só se mandam bitaites em inglês ouvir esta música e ler estas páginas é encher de alento esta minha alma lusitana. Parabéns por isso. Abraço de cá.

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