segunda-feira, abril 23, 2012
Escultura de palavras
sábado, abril 07, 2012
O olhar descoberto
(Desligar, p.f. a música de fundo do blogue para ouvir o poema)
Nesta Páscoa, deixo-vos um poema do Pe. José Tolentino Mendonça, num trabalho realizado por José-António Moreira do Sons da Escrita
quarta-feira, abril 04, 2012
A poesia não morreu
ou na pedra afiada pelo silêncio
que me fere os pulsos.
Gravei a sangue o furor dos dias
e deixei rasgar em minha boca
os frutos da sede e do assombro.
Não me venham dizer
que precisamos de profetas
ou de heróis ou de sábios
para o mundo ser salvo.
Nós acreditamos que o brilho das manhãs
se arredonda nas arcadas do tempo
assediando o sonho fraterno dos poetas.
A poesia não morreu.
De memória em memória
ela atravessa as palavras
com a farpa da revolta.
É preciso gritar que a poesia não morreu?
Poema de Graça Pires
quarta-feira, março 21, 2012
Dia Mundial da Poesia
Aos Poetas
Somos nós
... As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!
Poema de Miguel Torga in "Odes"
Bom dia a todos e, em especial, aos Poetas neste Dia Mundial da Poesia. ♥♥♥♥♥
quarta-feira, março 07, 2012
...só um olhar
Não, não é ainda a inquieta
à proa de um sorriso,
nem a gloriosa ascensão do trigo,
a seda de uma andorinha roçando
o ombro nu,
o pequeno e solitário rio adormecido
na garganta;
não, nem o cheiro acidulado e bom
do corpo depois do amor,
pelas ruas a caminho do mar,
ou o despenhado silêncio
da pequena praça,
como um barco, o sorriso à proa;
não, é só um olhar.
Poema XX de Eugénio de Andrade, in Branco no Branco
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Convite
Eduardo Aleixo, Isabel Vilaverde, Maria De São Pedro, Otília Martel, Paula Trigo, Rui Serra, Teresa Cunha, Teresa Durães e muitos outros, farão parte desta Obra.
Capa do livro
UM DIA
Um dia
vou dizer-te,
a versão eloquente
de quem fomos,
…dizer-te
dum pretérito simples,
e do futuro condicional
incerto.
Leremos livros
de odores ligeiros
saboreando chás
de sabores diversos,
Diremos poemas
inventaremos núpcias
juraremos juras
e cantaremos versos,
Descobriremos portos,
barcos, travessias,
tormentas brancas
e algumas calmarias…
Tudo isto amor,
e nada mais,
brandos e contemplativos,
eu prometo,
…um dia.
(Bósnia 1998)
Poema de Teresa Cunha
in, III Antologia de Poesia Contemporânea, (Chiado Editora)
CONVITE
Espero encontrar-vos lá!
sábado, fevereiro 11, 2012
Porque existe...
Há dúvidas e questões que por serem tão óbvias, no meu entender, não merecem explicações muito extensas, por isso e para aqueles que têm levantado, via email, dúvidas acerca das escolhas que se fazem neste Blogue (re) publico um texto de 30 de Junho de 2006, sobre o mesmo assunto.
Imagem retirada da internet
Ele acontece pela vontade de partilhar conhecimentos, sejam de que espécie for, dentro das aptidões de cada um.
A propósito disto e, como não sou pessoa de virar a cara a nada e muito menos a ultrajes, deixei arrefecer em mim, a vontade de responder de imediato, a provocações que tem sido sujeita a autora deste espaço.
Não me move qualquer tipo de protagonismo, muito menos qualquer interesse comercial na divulgação deste ou daquele blogue que aqui referencio, mas sim o aperfeiçoamento do meu próprio conhecimento e a partilha daquilo que vou encontrando ao longo dos meus passeio, neste mundo blogosférico.
Exceptuando aqueles que tiveram acesso directo a um conhecimento pessoal, poucos são os bloguistas que me associam a qualquer outro blogue que, a nível pessoal, eu seja detentora. Nada neste blogue referencia quem é o seu autor, exceptuando os textos de blogues que me dão a permissão e honra, de aqui me deixarem colocar os seus escritos.
E faço-o, porque mais do que escrever, ler e partilhar esses blogues, é a minha verdadeira prioridade.
Como já referi anteriormente neste blogue, este foi um projecto individual, que nasceu da MINHA vontade de dar a conhecer aquilo que, no meu entender, se escreve de melhor e em língua portuguesa, na blogosfera.
Por vezes, perco-me na infindável lista de favoritos, tantos são aqueles que convosco gostaria de partilhar. Mas a seu tempo, o farei.
Posto isto, e com a serenidade que a maturidade e os anos já me oferecem, gostaria de uma vez por todas, acabassem com as dúvidas sobre a existência e escolhas que aqui se fazem. Elas fazem-se, por mero amor à palavra que me oferecem a ler, venham de quem vier, independentemente do sexo e da idade.
E o tipo de calendarização prende-se, unicamente, por oportunidade de postagem. Nada mais.
Finalizando, quero fazer um agradecimento a todos os que me deram a oportunidade de partilhar aqui as suas obras, porque são a razão da existência deste Blogue.
Obrigada.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
“O Despertar dos Verbos”
“Alien8”, bloguista; Mário Domingos, advogado e poeta; em Dezembro último publicou o seu primeiro livro de poemas “O Despertar dos Verbos”.
Mário Domingos
À procura das palavras
I
Subi então até à raiz do poema
e aí encontrei uma flor petrificada.
Olhei em volta, à procura das palavras
que pudesse comprar a minha sede:
- Era um deserto de nervos
Com margens de sangue
A paisagem na raiz do poema - eu.
Murmurei vagamente uma oração antiga
E quase me desfiz em pó de tanto olhar
E me arder a vista atroz, incendiada, no crepúsculo
inigualável. Silêncio e mais silêncio.
II
A água corria, corria por entre as pedras,
levava no corpo destroços de cidades,
laranjas esquecidas na penumbra,
raparigas ironicamente vestidas, vestidas de verde,
raparigas-água impressionantes, sorridentes.
A água corria e era muita e era bela. Levava
A palavra procurada, a palavra do poema
algures no corpo, recatada e mansa, talvez adormecida.
Eu sabia apenas que entretanto amanhecera.
III
Tenho sede. Ergo-me de repente e abandono
o amável leito de todos os dias. Veloz como
o navio que sabe seguro o porto, ganho
o espaço ritual que me separa de mim.
Tenho sede. O meu pulso é algo de concreto e latejante,
assim me sinto e reconheço, à procura das palavras
na raíz incandescente do poema - eu.
São de pedra as cidades, são enormes e movem-se
no ritmo lógico em torno dos meus ombros.
A flor petrificada olha-me heroicamente, meigamente,
o seu espanto é de carne rigorosa. Tem cinco pétalas
azuis emocionadas, inscritas pouco a pouco nos meus olhos
maravilhosos de ironia, incrivelmente densos.
Poema de Mário Domingos
Porque os Poetas não morrem ficarão para sempre as tuas palavras gravadas no Universo.
Até sempre, Alien8. Até sempre, Mário Domingos.
R.I.P.
sexta-feira, janeiro 20, 2012
Rui Costa (1972 - 2012)
Era considerado um dos mais inovadores e promissores autores da nova literatura portuguesa.
Com "A Nuvem Prateada das Pessoas Graves", que publicou em 2005 nas Quasi Edições, ganhou o Prémio de Poesia Daniel Faria e, em 2007, recebeu o Prémio Albufeira de Literatura pelo romance "A Resistência dos Materiais".
Também em 2007, traduziu o livro de poesia "Só Mais Uma Vez", do poeta espanhol Uberto Stabile, para a coleção Palavra Ibérica, e em 2008 traduziu "Quarto Com Ilhas", do poeta espanhol Manuel Moya, para a mesma coleção, na qual publicou, em 2009, "O Pequeno-Almoço de Carla Bruni".
No mesmo ano, lançou ainda "As Limitações do Amor São Infinitas", pela editora Sombra do Amor.
Co-organizou a Primeira Antologia de Microficção Portuguesa (Exodus, 2008) e colaborou em diversas publicações, como "Poema Poema -- Antologia de Poesia Portuguesa Actual (Huelva, 2006); "A Sophia" -- Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen (Caminho, 2007); "Um Poema para Fiama" (Labirinto, 2007); "Sulscrito" -- Revista de Literatura; Revista Big Ode e Revista Piolho nº 2.
Em 2010, estava a trabalhar numa tese de doutoramento em Ciências da Saúde sobre o discurso e experiências de transformação do sector da saúde em Portugal e no Brasil."
(Fonte)
Rui Costa
Elegia Azul
Clara, como talvez tu antes da última esquina da noite,
uma imagem redonda colava-se aos meus dedos por entre
as folhas de papel que lentamente ardiam. Foram sempre
mais as páginas que juntei do que aquelas de que pude
separar-me, naquele T1 pequeno com vista para Monsanto
e para o teu corpo sempre azul.
Infelizmente, não fora capaz de preparar
o silêncio que sempre se segue a tudo o que
não somos, dirias tu, o rumor de instantes que nos apanha
na canga e nos sugere o vale sem luzes e a varanda grande.
Parado sei que isso é poesia, um sonho, pequenas alucinações
de primavera sem apelo no fundo destas veias e sei também
que continuas a existir e vais ser minha muitas vezes,
como eu quero ser teu intermitentemente em cada lua nossa.
Mas tu sabes como os astros nos pregam partidas ao telefone,
como em certos dias a pique para o sol embatem nas antenas,
e este ligeiro pesadelo é apenas o desconforto baço de saber
que há coisas demasiado belas para não serem tristes.
Poema de Rui Costa in "Os Dias do Amor", selecção de Inês Ramos, pág. 370
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Em dia de aniversário de nascimento... recordar Eugénio de Andrade
Passamos pelas coisas sem as ver
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Poema de Eugénio de Andrade
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Atribuição do prémio Dezembro/2011...
A gravação em vídeo efectuada pelo Sons da Escrita e voz de José-António Moreira está disponível no Youtube.
(Desligar a música de fundo para ouvir o vídeo, p.f.)
O Poesia Portuguesa agradece a todos os que tornaram possível o “passatempo do poema mais comentado” em especial ao Sons da Escrita pelo trabalho realizado na produção dos vídeos dos poemas premiados e ao José-António Moreira por ter dado voz aos mesmos.
sábado, dezembro 31, 2011
Morre-se de solidão no meu país
Em forma de sombras
Neutras
Esbatidas
Infiltrada nas paredes
das casas fechadas – com gente dentro
e a noite a fechar o dia mais uma vez
duas vezes – muitas vezes
e morre-se devagar no meu país
as árvores no Outono estão nuas – esquálidas
no Inverno o frio magoa os ossos e a alma
mas talvez os melros cantem antes da próxima primavera
se o verão chegar todos os dias
no sol de uma tigela de sopa fraterna
morre-se devagar no meu país
e depressa tudo se esquece
Poema de Piedade Araújo Sol

sábado, dezembro 24, 2011
as coisas elementares
falo das coisas mais
elementares
o sino da igreja
onde um galo não canta
um seixo rolado
guardando o tempo
dentro de si
um torrão de terra
grávido de uma semente
mais elementares ainda
os sorrisos presos nos lábios
das crianças tristes
as lágrimas
rios de salgados
nos leitos dos rostos abandonados
nos lares/depósitos
falo porque
estou cansado de comer silêncio
e ler poemas de amor
com tanto desamor
a caminhar por aí
as coisas mais elementares
são as que deviam ocupar
o ventre das palavras por parir
Poema de António José Cravo
Atribuição do prémio Novembro/2011...
Conforme atempadamente foi referido na postagem de 27 de Setembro ao iniciar-se o “passatempo do poema mais comentado” o público comentarista escolheu, com sete (7) comentários registados, o poema “do fim dos meus dias...” de Virgínia do Carmo.
A gravação em vídeo efectuada pelo Sons da Escrita e voz de José-António Moreira está disponível no Youtube.
(desligar por favor a música de fundo para ouvir o vídeo)
sábado, dezembro 17, 2011
desiguais se igualam
Imagem de James Harrigan
desiguais se encostam
desiguais se destapam em fios de som
metálicos se enferrujam
desiguais se sentem
sem sentir o igual do tacto
desiguais se tentam enroscar
metálicos
gritam finos sons de cordas rijas
desiguais se amam em cordas
esticadas
desiguais se aconchegam
em cordas que vibram
desiguais se gritam
metálicos
não se olham
desiguais se tocam em notas de viola
desiguais se igualam
em desalinho se deitam
alinhados
encostados se amam
encostados se ouvem
desiguais gritam
metálicos
desiguais se misturam
em sons desabafados
deitados em tecidos amarrotados
desiguais se igualam
Poema de Teresa Maria Queiroz
sábado, dezembro 10, 2011
Gostaria tanto…
Pintura de Philippe Loubat
Gostaria tanto….
De tocar a superfície da maresia
Com as minhas mãos sedentas e sentir-te apelo…
De escrever-te pétalas tinta sorriso
E declamar-te com os teus versos partilha…
De amar-te murmúrio doce
Na tua entrega paixão querer de ti segredo nosso…
De dizer-te o que me queres soletrar
No prolongar infinito do teu enleio alma…trajecto redacção…
De ouvir as tuas canções nossas
E invejar o teu saber dizer de poemas versus coração…
De me render à tua “luta” apego
E ficar prisioneiro do único amor com o amor que entoas…
De nada saber e tudo me ensinares
No cultivar sólido de sabores teus…doados nossos…
De correr para ti…como menino carente
No fim de cada minuto saudade e sorrir no teu abraço abrigo…
De aprender contigo a moldar a cor do acto
E suspirar no acreditar da certeza página presente…
Que me escrevesses um poema silêncio
Em grito surdo de respiração suspensa …para lá do possível ...
De nunca ter de conjugar verbo no passado
Porque a tua caligrafia semeia sempre futuro em cada escrita dita…hoje presente…
De chorar …apenas para apagar vulcões de êxtase
Que me dás em oferta solta almejo de vida sempre a colorir…
De dizer-te paixão…com um obrigado abençoado…
Porque se Deus existe…tu és o Universo da felicidade…
De nunca findar este caminhar a dois
Onde exigisses amor com amor…até ao beijo final….
De dizer tanto…e tanto ouvir…
No tanto que há para viver…no tanto que há para amar…no tanto que há para declamar...
De não te conhecer…e puxares a minha mão
Para te conhecer e percorrer estrada rio…nascente foz…mar…horizonte…sofreguidão conhecimento…o teu jardim…
De ouvir a tua verdade…nas verdades que tens…
Bálsamo fidelidade…código único…
Que a única diferença de sermos…fosse a interpretação
Homem …mulher…nunca o esgrimir de posições …porque somos…
Gostaria tanto…
De acordar…com o teu acordar…
E sentir-me com o teu acordo do acordo que rubricámos…
Poema de José Luís Outono
sábado, dezembro 03, 2011
Sejamos Natal

Fotografia de Ann Richardson
Para além do politicamente correcto,
Para além de todas as hipocrisias,
Celebremos, finalmente, o Espírito do Natal
Em todos os momentos
Desta nossa existência, tão efémera.
Natal é Fraternidade, Solidariedade, Paz,
Amor e Alegria na Terra
E nos Corações dos Homens.
Natal é a apologia do autenticamente Humano,
Em toda a sua essência genuína
De Bondade e de Verdade.
Natal é o enaltecimento de um Mundo
Onde não haja mais lugar para a Crueldade,
Para a Violência ou para a Agressividade.
Natal é a reunião dos Corações sensíveis
Que lutam, desesperadamente, pela União dos
Povos e das Nações.
Natal é a rejeição da Discriminação,
Dos horrores da Guerra,
Da mutilação dos Corpos e das Almas.
Natal é a consciência da Miséria Humana,
O compromisso da sua superação,
O enaltecimento da Justiça e de todas as Uniões.
Natal é o triunfo do Bem e do Belo,
A glória de todos os Renascimentos,
A comemoração da Dignidade Humana.
Natal é a benção do sempre Novo,
O louvor de todo o acto de Criação,
De Renovação e de Regeneração.
Sejamos Natal,
Hoje, sempre,
Para sempre.
Poema de Isabel Rosete

Fotografia de Lucas Valentim
sábado, novembro 26, 2011
De Manhã
Imagem de Google sem indicação de autor
“Un vague bonheur leur était élan et ménace”
Nic Klecker, “Matin” (conto), in Jadis au village
A manhã de Outono veio trazer prenúncios
de Inverno e sombras de geada
veio montada nos raios oblíquos
e conduziu as rodas das bicicletas
uma em direcção à outra
dele e dela
uma brisa fresca
juntou-se ao encontro
que seria a dois
estavam eles conscientes
do mistério do dia?
foi-lhes ele anunciado na noite já distante?
tê-la-ia ele visitado, ter-lhe-ia ela
franqueado o ardor do umbral?
ter-se-iam amado no corpo
do sonho? as mãos
eram jovens e virgens
ainda seguravam
os guiadores das bicicletas
e os olhos de um faziam tangentes
nos do outro
decidiriam unir-se
para o receio e a ousadia do salto
para a existência e a aventura?
os peitos respiravam ténues
o mesmo ar de sol e gelo
debruçados sobre as bicicletas
os sentimentos eram felizes
os corações abriam-se em ramos de flores
para a beleza palpitante
um do outro
Poema de Rui Miguel Duarte
sábado, novembro 19, 2011
Eternidade

Fotografia de Josep Ruaix Duran
Chorar as lágrimas do espanto
de te saber flor em mim.
Canto
que a noite encerra. Jasmim
em flor. Jasmim feito amor.
Primavera que encerra o cálice
que bebi em teus olhos.
Derrama
as palavras que nutrem o âmago
de uma caminhada em espera.
Suspensa no olhar que ama
a via que se percorre,
que desespera na água que se solta
da noite e
chama
pelo caminho que o sol faz reluzir
e pelo brilho de uns olhos eternos
Poema de Susana Duarte
sábado, novembro 12, 2011
Todas as Palavras
Fotografia de Stuart Redler
Um dia quando ouvires as árvores pensar
Irás recordar os olhares e os sonhos.
Irás recordar os erros e
Ouvirás o cantar dos pássaros;
Recordarás o vento e as palavras
Todas as palavras.
O futuro não estará lá,
O passado também não.
Apenas tu, as árvores e os pássaros
Nada mais.
Como será a vida no fim da canção?
Poema de Francisco Vieira

