Na manhã nova, a luz chega de seda
E envolve devagar o Porto Antigo
Como pedindo à noite, ávara e negra
Que troque agora de lugar consigo
Passaram horas; soa o meio dia
Nas torres de granito iluminado;
No apogeu da luz; o céu é sinfonia
E o Douro, imenso diamante lapidado
A tarde cai! É dos Pintores a hora
A cidade é tela, inacabada e pura
Com pinceladas rubras onde se demora
Toda a cor que alastra pela lonjura.
E a noite escura sucedeu ao dia;
As vielas são estreitas manchas pretas
Já ninguém lembra quem é que dizia
Que a esta hora o Porto é dos Poetas!...
(Poema da *Maria Jerónima aqui)
*Maria Jerónima não tem blogue. Conhecia-a numa Noite de Poesia, em que declamou de forma soberba um poema de António Gedeão, que pode ser lido aqui e foi um enorme prazer revê-la no Blogue Chave de Poesia

