Fotografia de Haleh Bryan
De Amor escrevo, de Amor falo e canto;
E se minha voz fosse igual ao que amo,
Esperara eu sentir na que em vão chamo
Piedade, e na gente dor e espanto.
Mas não há pena, ou língua, ou voz, ou canto
Que mostre o amor por que eu tudo desamo,
Nem o vivo fogo em que me sempre inflamo,
Nem de meus olhos o contino pranto.
Assi me vou morrendo, sem ser crida
A causa por que em vão mouro contente,
Nem sei se isto que passo é vida ou morte.
Mas inda da que eu amo fosse ouvida
E crida minha voz, e da vã gente
Nunca entendida fosse minha sorte!
(Soneto I de Pêro de Andrade Caminha in "Poesias Inéditas")
sexta-feira, abril 13, 2007
De Amor escrevo...
sexta-feira, abril 06, 2007
Continuando... Primavera...
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(Alberto Caeiro in "Quando Vier a Primavera")
domingo, abril 01, 2007
Abril... Primavera...
Pintura de Arthur Hughes
Namorou-se uma princesa
Dum pajem loiro e gentil;
Chama-se ela – Natureza,
Chama-se o pajem – Abril.
A Primavera opulenta,
Rica de cantos e cores,
Palpita, anseia, rebenta
Em cataclismos de flores.
(...)
Tudo ri e brilha e canta
Neste divino esplendor:
O orvalho, o néctar da planta
O aroma, a língua da flor.
Enroscam-se aos troncos nus
As verdes cobras da hera.
Radiosos vinhos de luz
Cintilam pela atmosfera.
Entre os loureiros das matas,
Que crescem para os heróis,
Dá o luar serenatas
Com bandas de rouxinóis.
É a terra um paraíso,
E o céu profundo lampeja
Com o inefável sorriso
Da noiva ao sair da igreja.
(Poema de Guerra Junqueiro
in Tesouro Poético para a Infância, antologia)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
terça-feira, março 20, 2007
Aguardando a Primavera...
Sandro Botticelli - "La primavera" (1482)
Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus húmidos vapores,
A fértil Primavera, a mãe das flores
O prado ameno de boninas veste.
Varrendo os ares o subtil Nordeste,
Os torna azuis: as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quando me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!
Poema "Convite a Marília" de Manuel Maria Barbosa du Bocage
Sonetos-Ed.Europa América(Pág.38)
Dedicado ao Dia Mundial da Poesia
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
quinta-feira, março 15, 2007
Não te amo
Pintura de Louis Icart
Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
Almeida Garrett in Folhas Caídas(1853)
sexta-feira, março 09, 2007
Nascemos para amar
De forma alguma abandonarei a poesia dos blogues, mas durante algum tempo irei aqui partilhar muitos outros autores…
Imagem de Dante Gabriel Rossetti
Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.
Qual se abismou nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.
Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.
(Bocage in "Obra Poética" 1997)
sexta-feira, março 02, 2007
Hoje não há Poesia...
Chip
Nut
Isis
Desapareceram segunda-feira (19 de Fevereiro) passada entre as 17h30/18 e as 19hH00 do Montijo, um Cocker Spaniel dourado (2 anos), Pastora Belga Malinois (2 anos), Pastora Alemã arraçada de Husky.
Tanto a pastora belga como a arraçada pastora alemã têm chip. O canil do Montijo já foi contactado.
A quem os encontrar ou souber do seu paradeiro, por favor contactar a Teresa Durães que se encontra profundamente triste com este desaparecimento.
GRATA pela ajuda que possam prestar.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
levo-te ao azul
Fotografia de Patrick Wecksten
de partida para um lugar com telhados de silêncio
levo-te para não morrer nos braços exaustos do vazio
vais comigo com a tua mão desconhecida
a pontuar cada segundo de saudade
levo-te como se transportasse um segundo coração
oxigenado pelo que há-de vir
um fato de mergulhador
para tocar a mais secreta estrela do mar
cingida por algas
levo-te porque nenhuma palavra pode encher
este vaso de sol que desponta
em cada palavra tua
levo-te às cavalitas do sonho
na adolescente fogueira
onde ardem todas as sebes
todos os limites
levo-te em contramão
para transgredir docemente
as estradas e ruas e caminhos
os desejos de sentido único
levo-te simplesmente porque
tu és o meu farol que varre
todos os poros interditos
uma vela ao rubro
na mais fechada escuridão
levo-te no verso inacabado
porque o poema só
termina
quando acordares a meu lado
(Poema de Alberto Serra in vinte anos )
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Dança
The art of Ballet by Tonny
Para quem danço?
Nem eu sei....
Danço com as palavras, com as mãos, com os olhos
Danço sozinha no meio das gentes
Danço nua, vestida de azul, ou de negro e até de vermelho já me cobri.
Danço a rir e a chorar
Danço a sonhar
Até quando amo, eu danço.
Vivi sempre a dançar, mesmo parada no meu canto
Dançarei sempre, mesmo que a música se cale
Ensaiei passos diferentes para acordes vários
Em alguns, tropecei, até caí
Mas sempre a dançar, nunca desisti
E retomava os passos novos que aprendi
Porque a dança é vida e quando eu parar
É porque morri!
Se é para ti que eu danço?
Danço para mim!
Mas esta noite, sim, a minha dança foi para ti!
(Poema de MT in Vivências)
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
eu faço o ninho
Pintura de Jaoni
quando as palavras têm o peso de um passarinho
eu faço o ninho
num canto do teu sorriso
alongo o olhar pelos pêlos dos teus braços
que são só braços
a luzirem ao luar
deixo-me entreter devagar
na paródia de uma história
num desfiar da memória
é leve e brilha a pupila
cintila levita sem ciso que me prenda
é só renda a rendilhar
brincamos no faz de conta
tu és quem conta eu sou a tonta
até o dia clarear
depois
jogamos palavras com emoção mais pesadas
espreitando nelas as margens do voo a saber voar
assim vamos
construindo coisas simples sem destino
imos novos novos rimos
sabemos nada assim vimos
sozinhos somos num par
(Poema de MJM in Silepse)
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Escrita
Pintura de Susan Rios
Na folha lisa e escorreita,
O lápis afiado e porfiador
Elabora percursos mansos
Em sinuosas ruas que se espraiam.
Escrever é desagrilhoar
O pó da memória em vão acumulado
E gritar,
E dizer alto,
Que revolta nos acomoda o peito,
Que afago nos acaricia a alma.
Escrever é arrojar o Futuro.
Ao alcance de um artigo,
De um pronome,
De um verbo.
Verbo é “criar”,
O início de tudo,
A sedição,
A ociosidade das palavras.
Tresfolgo a escrita
De um trago.
Acre, por vezes,
Libertador, sempre.
O ar está abarrotado de palavras.
As mais infalíveis estão, contudo,
Em bolsos de pequenas crianças,
De mãos rosadas e roliças,
Que as retiram em movimentos loquazes
E as levam à boca como rebuçados
Inspiradores da candura da infância.
Tu, Criança,
És quem melhor descreve o mundo,
Porque és a vagem verde viçosa
De uma aurora que não distingue nuvens.
(Poema de Filipe Lamas in Tretas & Letras)
sábado, fevereiro 17, 2007
Tempo
Óleo de Alfred Gockel
Não questiono a vigília,
Mas não a procuro...
Quando cruzo os céus e os mares
À procura de respostas
Voo contigo
Num estado de delírio que me quiseste dar...
Não sei quem comanda o sonho
(Ou o sono)
Mas sei que torna a viagem mágica!
Vejo-te mudo
Através da vidraça empoeirada pelo tempo...
Esfumas-te por instantes
Num tempo para lá do tempo,
Tomas a forma de um corpo...
Revejo a tua face e o teu sorriso,
Reduzo a distância,
Nos teus braços,
Ao zero absoluto!
(Poema de PoesiaMGD)
Em tempo: O meu agradecimento a Maramar(T.E) (deixado num comentário) pela indicação do autor da tela, que não tinha conseguido identificar.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
O Amor é...
Pintura de Diego Manuel Rodriguez
O amor é o portador de todas as canduras,
É o escorrer do mel em nossas bocas,
É o sentir-te ao levantar
E deitar-me contigo em mim!
É o viver os sonhos adocicados,
A tremura no corpo,
As mãos gélidas,
É o bater do coração desenfreado…
É o conhecer o teu corpo ao detalhe,
E amar a todo o instante,
Com cada suspiro,
Como se fosse o último minuto da eternidade.
"Butterfly e Vero"
Poema vencedor do desafio lançado no blogue Enquanto houver Tempo... (MJ)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Atracção
Fotografia de Stanmarek
Gosto desse teu olhar desarmante,
De engate…
Dos teus gestos insinuantes quando cruzas as pernas pedintes.
Das tuas mãos delgadas e provocadoras,
Burilando na areia propositadamente sensuais,
Dos sorrisos que me acertam como flechas envenenadas,
És uma bela ratoeira com forma de mulher de outros murais.
O teu cabelo confunde-se com a areia dourada,
Acenando-me constantemente, bandeira ousada.
E não consigo desligar meus olhos de ti fêmea traquina,
Meus sentidos perdem-se em robustez como ondas nas rochas,
Espólios de ânsias se acentuam no frenético desejo de colorir tuas coxas,
Silhueta ondulante,
Vou levantar asas e sobrevoar-te!...
(Poema de Carlos Reis (In_loko) in Letras Pinceladas)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Quem sou eu?
Foi então que parti à procura
De segurança e sabedoria
Tremendo ao sentir a’margura
Que a nova ignorância trazia
Mas que mente esta que tortura
Que martela a todos os momentos
Que pinta de amena loucura
Os mais inocentes sentimentos
Mas quem sou eu afinal
Que jovem já não sou
Se o corpo dói e passa mal
Do tempo que por ele passou
Quem sou eu afinal
Se a alma vendi
Ao grande vendaval
Dos dias que perdi
Filho, irmão, pai, marido
Sou sempre de alguém
Haverá em mim escondido
Algo meu e de mais ninguém?
Algo mais que esta figura
Alta, magra e desligada
Que perde a compostura
Sempre que é acossada
Alguém a quem se possa
plantar um chavão que seja
Doutor da pasta grossa
Estúpido de fazer inveja
E perante o fim vizinho
Morre a vontade sem o saber
Ou segue um errante caminho
Até Deus ou até o que houver
Que fazer à vontade de mais ser
Quando os anos se vão escoando
Devo reprimir o desejo e me perder?
Devo levantar âncora e sair errando?
Se me perco, me encontram
Se me encontro, desapareço
Se fico, os de alguém terão
Se vou, só eu permaneço
(Poema de Pedro Azevedo in O Zigurate )
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
O invendável...
Imagem Google
Ah, maldito Tempo,
que me vais matando,
com o tempo,
a mim, que não me vendi.
Se fosses como o vento,
que vai passando,
mas vendo,
mostrava-te o que já vi.
Não queres ver,
eu sei!
Contudo, vais ferindo
e remoendo,
como quem sabe morder,
mas ainda não acabei
nem de ti estou fugindo,
atrás dos que vão correndo.
Se é isso que tu queres,
ir matando,
escondendo e abafando,
não fazendo como o vento:
podes fazer e não veres
aqueles que vais levando,
mas a mim!? Nem com o tempo!
(Poema de David Santos in Só Verdades)
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Mudança...
Imagem de autor desconhecido
Mudei o sopro do vento,
Sopra agora para sul,
Mudei a cor do céu,
Está pintada em tons de azul.
Mudei o cheiro das flores,
Têm agora novo perfume.
Mudei o coração dos homens
Que emanavam azedume.
Mudei o meu olhar sobre o mundo,
Ganhei força e nova vida.
Mudei a minha forma de ver,
Esqueci e fui esquecida.
Mudei o meu coração
E decidi de novo amar
Mudei o que de pior tinha
E estou feliz só por mudar.
(Poema de Vera Silva in Palavras Soltas)
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Reencontro...
Imagem autor desconhecido
Assim me queiras tu que, por meu lado
Não vou deixar de amar-te, nunca mais,
Ainda que os dislates do passado
Nos tornem mais diferentes do que iguais.
Nasci para te amar e ser amado
Por ti, que me fizeste recordar
Distantes horizontes do meu fado,
Tão cheio dos azuis de céu e mar.
Nem tudo está perdido, no meu mundo,
Enquanto eu encontrar, no teu sorriso,
A força e o carinho, que preciso.
Serei feliz até, cada segundo
Que vir, do teu olhar, a ansiedade
Sair p'ra dar lugar à f'licidade.
(Poema de Vitor Cintra)
quarta-feira, janeiro 31, 2007
manda embora a solidão...
Imagem de Nick Knight
Da transparência das palavras germina espontaneamente a alma de quem as escreve...
Demorada a noite
aperta-me nos seus braços
e fala-me baixinho
de espaços
onde os sonhos se elevam aos sentidos
e
unidos
somos pedaços
e momentos
perfeitos...
Terna a noite
segreda-me os corpos suados
colados
em beijos perdidos
e
no bailar dos gemidos
relembra-me as mãos
soltas
livres
como pormenores inconscientes
da ausência de privação...
Incendeio...
transbordo de ti...
Sente-me!
(Poema da Cris in O sorriso da lua...)
segunda-feira, janeiro 29, 2007
querer ser, e crer

Pintura de Almaro
não queira eu
ser
mais que eu-próprio
mas,
ser-me,
escondido-por-inteiro,
nos olhos de menino
que sonha,
ser
cavalo-marinho, abraçado em ondas-de-azul-horizonte,
desenhado,
sem papel
ou
pergaminho,
fabricado,
não
em pele
ou
papiro,
mas em lágrimas de fada-sininho,
e
sedas,
em cor-de-sol-quando-se-deita-baixinho…
(Poema de Almaro*)
* Poeta, pintor e fotógrafo amador...
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Dois sonetos...
Imagem de Delasnieve Daspet
I
De repente solta a língua
A frase breve, o lampejo
No instante do desejo
Mão vazia, alma à mingua
Ter mais do quê
Se nada tenho
De onde venho
Já ninguém vê
Rezo já não a Deus mas a mim
O milagre pertinaz, um brilho novo
Tirar do peito leão, ser sim
Encolho os ombros, gesto coevo
Marca d’água da terra donde vim
E sei que não sou mais que ovo
II
A distante hora que vi luz
Marcou-me a retina verde
Tenho olhos de quem perde
De mim sempre para nós
Mais era o meu mote
Mais de tudo, mais de nada
Havia razões de muda
Mas meu navio era bote
Plantado numa beira-mar escassa
Sou duna mar e céu e este é cinza
A vontade de ir morreu
Erguido ao vento gélido sou eu
O fruto destas raízes é meu
Monumento singular à tristeza
(Poema do Paulo in Mais tempo)
Recebido num comentário o seguinte Convite:
"Convidamos todos os visitantes deste blog a participarem neste Concurso de Poemas de Amor".
Todos os interessados, deverão aceder a esta Página
Igualmente se dá conhecimento do Prémio de Poesia Nuno Júdice.
Os trabalhos deverão ser entregues até 16 de Fevereiro, de acordo com o regulamento constante no site da Câmara Municipal de Aveiro ( http://www2.cm-aveiro.pt/www/).
Divulguem pelos vossos amigos poetas!
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Pergunto-me...
Imagem de Hussein Chalayan
Pergunto-me o que faço aqui,
neste lugar onde nascem mundos
nas palmas das mãos.
Pergunto-me o que espero daqui
deste muro onde crescem heras entrelaçadas de espinhos.
Debaixo do espelho frio
esperam olhares marejados de topázios, antigas lendas.
Por detrás da parede negra,
oiço vozes enfeitadas de rubis,
alguns silêncios.
Pergunto-me o que espero daqui.
Das Luas que inspiram.
Dos Sóis que acalentam.
Do rasgo de loucura.
Da Luz perseguida
até à esquizofrenia.
Do medo.
Da morte.
Dos sussurros do mar.
Pergunto.
O que faço aqui?
Que espero do mar?
Do mar. Do mar. Do mar.
(Poema de Canela e Jasmim in Chá de Rosas)
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Mar dos olhos
Fotografia de Maya Della
Quando me tocas
Com essas mãos
Molhadas
De sabor a mar
Sensíveis, salgadas
Eu me espanto!
Na doçura do teu olhar
Reflectido nas pupilas
Adivinho o quanto
Tu choraste
Ansiaste
Para me abraçar
O que sofres, é sempre passado.
Quando nos meus braços te abandonas
solicitas-me desejo. Único momento,
quando em ti me afogo, não sou, não somos
desejo ou saudade, apenas espírito leviano
que nos corpos aportou.
Nada me dizes,
consumada a transcendência,
Do que te invade no dia e na noite,
Quando não estou.
Mas teus olhos não abandonam
a vidraça da janela, que é fria e quebrável.
Junto dela, esperas que a noite se rasgue no ventre do dia.
Que o verbo regresse e esconda em ti a apatia
O verso descrito nos límpidos lençóis
Inócua promessa de que um dia
Todos, seremos apenas dois
Na fogueira da noite fria
Nada existe depois.
Depois… bem, depois
Somos madrugadas…
Quando me tocas
Com tuas mãos
Molhadas
Das lágrimas de mar
Ternas, salgadas
Eu, ainda me espanto!
(Poema de Luís Monteiro da Cunha in Bufagato)
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Sonhar….
Óleo de Sophie Barjavel
Quem és tu que me fazes sonhar?
Um feitiço que alguém me lançou!
Laço triangular, não o quis apartar
Nos braços alguém que me elevou!
Espera! - Que eu acorde de manhã...
Dá-me tempo e espaço, o que alterou?
Preciso de esconder o infame traço...
Corrompida esta alma! - Que amou!
Quiseste dar-me o céu, peguei numa estrela,
Ofereceste-me o mar, uma gota me lavou!
Num olhar, indicaste um lindo bosque,
Em pegadas que alguém já desflorou!
Vai! - E procura os nómadas do deserto...
Impetuosa, esquecerá quem as deixou!
Quem és tu que me fazes sonhar?
Um feitiço que alguém me lançou!
(Poema de Maria Valadas in Palavras.ao.Vento)
quarta-feira, janeiro 17, 2007
o sol. os sóis.
Óleo de Camille Pissarro
há sóis que não desaparecem da nossa vida
pobre no olhar para ver
e há o sol que baixa suavemente, incendiando
tudo, ao entardecer
diariamente
como uma mão quente que nos traz uma réstia de cor
antes de adormecer
os outros, sóis interiores de afortunadas gentes
não serão menos sóis
são só diferentes no efeito que têm sobre nós.
são os dos santos dos poetas e dos simples
os que encontraram os talentos que perdemos
e os fizeram render.
nós passamos por eles, distraídos. nesta condição
de existir com muito pouco ser
e colhemos os frutos. e comemos
e nem olhamos os sóis que não descansam
e luzem dia ou noite. quais faróis.
para não nos perdermos ao viver.
(Poema de Non(Madalena Pestana) in Vida Morte & cª)
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Photossintética
Pintura de Paul Albert Steck
Juntas no mistério
Água, luz e CO2
E, depois,
Como serpente emplumada,
Uma lágrima de nada
Contendo o que em cima existe
Na profunda claridade
Dos olhos de Deus
E o que em baixo desiste
Sob a conversão forçada
À paternidade
Dos deuses alados
Mortos noutra solidão.
Juntas no mistério
Tanto nuvens como pedras.
E no cemitério
Daqueles que não nasceram,
Sepulturas por abrir
Igualam-se em inquietude
Ao sossego manso
Da eternidade
Do ventre da Virgem.
(Poema de Manuel Anastácio in Da Condição Humana)
sexta-feira, janeiro 12, 2007
H2O
Pintura de Susan Rios
és símbolo químico
que brota da terra
água fresca tatuada na rocha
dás vida à vida
discreta quando habitas nas nuvens,
no horizonte és energia
e fonte do ser.
ouves-me nos desejos
da palavra que não é escrita
circulas no meu sangue e vibras,
deixas que te sinta no coração.
imóvel olho-te
mostras-te rainha no mar,
princesa encantada no rio
que aquece a alma, nos lagos
da tua voz escorrem
hesitantes ternas sombras
olho a tua tonalidade
sinto o desperdício da humanidade
hoje és lágrima
no meu rosto...
(Poema da Lena Maltez in Cabana de Palavras)
...que se transformem em SORRISOS doce Lena, aqui te deixo um carinhoso ABRAÇO e rápidas melhoras...
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Leva-me o rio...
Pintura de Jean Paul Avisse
Leva-me o rio de um sabor
Que não sei.
Tento afastar o murmúrio do opaco
E perco a razão do que sou.
Não sei silêncio mais vago, mais sem cor.
Perdi o sentido da essência
E só a noite me dá os trilhos,
O brilho de uma noite que não será.
Espero e o vazio nada me traz,
Nada me mostra.
Sigo linhas de um sabor que não me quer
E apareço só à monotonia das coisas.
Serei algo que não vale a pena?
Quero fundir-me com o rio
E fugir, chegar ao mar.
Os sonhos apertam-me a ideia
E não sei o que ser.
Corta-me o silêncio e não sinto,
Não sei, não me quero.
Desapareço num grunhido de dor
Que se mistura no ar
E persegue a noite.
Nem um só sentido brota como um beijo
Brota de uns lábios.
São perdidos os rumos que me alcançam.
E, simplesmente, não pareço existir
Ou saber o que mostrar.
(Poema de Rita Pacheco in Em Flor)
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Canção Breve de Amar
Imagem de Kababelan
Como é rara e leve a flor que breve
Anima a janela ao teu olhar
Como tocam anjos naifs na viela
Sinfonias secretas e odes belas
Na calçada onde a lua se demora
Na esperança de colher o verbo amar
Como gosto de tocar as tuas mãos
Se as estendes assim para o luar
São murmúrios da noite dos amantes
Na labareda do silêncio astral
à varanda dos sentidos tu semeias
e eu colho a mais rara dor de amar
As urbanas altitudes onde estás
Telhados furtados à nesga azul do céu
Casas gigantes de moinhos sem pás
Lembram o amor encarcerado
Na gentil magia do luar de breu
Rasgas noites violetas de quimera
Rasam sorrisos feitos de marés
E a cidade acende-se em mil luzes
Mil fontes cintilantes a brotar
Nós dois na nudez azul do sonho
Mergulhamos como cisnes
Submergimos corpos belos
Num enlace que é longo por eterno
E como é rara e leve a flor que breve
Enfeita o meu corpo se te espero
Na serrania onde o verde nos embebe
Da pacífica dor de saber esperar
Entre casas casarios de aba branca
Na vertente que nunca encontra o mar
Mora rara e breve a sede de existir
Sem mais querer que o de te achar
Sem mais mester que o de (te) ouvir
(Poema de Aziluth in Serena Lua)
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Amo aqueles…
Imagem de Roman Golunbenko
amo aqueles que só sabem amar
enfrentando a vida
porque passam pela loucura.
amo aqueles que buscam o sol
por entre o escuro
porque amam sós.
amo aqueles que abandonam o passado
enfrentando a vida
porque procuram soluções.
amo aqueles que percorrem o mundo
sempre em busca do amor
porque conhecem a dor.
amo aqueles que sonham no acordar
por entre frases soltas
porque seus olhos reflectem amar.
amo aqueles que só sabem viver no acordar.
(Poema de Ricardo Biquinha in Luz.de.Tecto)
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Sentimentos...
E aqui entra a alma de quem está por detrás desta página virtual. Por isso, trouxe-vos hoje as palavras de alguém que leio há muito tempo em silêncio, porque assim é exigido…
Óleo de Brita Seifert
Deus quis brincar com o mundo. Baralhou e tornou a dar.
Os anjos choraram a noite toda e o vento carregou as lágrimas que afogaram as copas das árvores. Nem uma só gota caiu nas terras sedentas. Os campos tornaram-se mais áridos e secos e as plantas morreram. Deus agarrou no mundo de pernas para o ar e fez o perto longe e o longe infinitamente distante. As estações perderam-se no caminho e só o Inverno sabe ficar. O frio instalou-se e arrancou pedaços do peito.
A fé quebrou-se.
Estilhaçou-se.
Deus espalhou as cartas ao vento e já não temos lugar. Dentro de nós há um buraco enorme que só nos lembra o vazio. Já não somos grãos de areia perdidos no deserto mas o próprio deserto. Nem uma gota caiu nas terras sedentas e os anjos choraram a noite toda.
Deus não ensinou aos anjos como parar de chorar.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Canto...
Pintura de Isabel Magalhães "emprestado" pelo Antonio Stein
Enquanto houver um rio, hei-de cantar
Lonjuras de outros tempos, esquecidas.
Enquanto houver gaivotas rumo ao mar,
Cantarei lembranças de outras vidas.
Enquanto houver um rio, hei-de sonhar
Venturas de outros tempos, proibidas.
Enquanto houver mordaças de matar,
Cantarei esperanças coloridas.
E enquanto o rio correr e eu cantar
Vontades, ilusões, destinos, fados,
Talvez um dia, o meu canto chegue ao mar
Se não, que espalhem as gaivotas pelo ar
Em pios, em voos, em desenhos ousados
Tudo quanto meu canto nunca ousou cantar.
(Poema de Helena Domingues in Shoshana no Céu e na Terra)
FELIZ ANO NOVO
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Poesia...
e os amigos sumirem;
Se o céu trovejar
e o amor se apagar;
Se o mundo morrer
e a dor vos doer;
Se a solidão vos surgir
e de medo ferir;
Se a terra gretar
e ninguém escutar;
Se a roda da vida
vos deixar sem saída...
Ainda assim,
ter-me-ão a mim!
(Poema de Amaral Nascimento in Laramablog )
domingo, dezembro 24, 2006
...que venham rosas
Pintura de Susan Rios
que venham rosas descer pela chaminé
e outros sinais avancem em direcção ao sonho.
que o mar vagueie terno pela terra,
sem cadáveres,
pernoite nas palavras,
saliente em hélice o hálito do amor.
e uma lua cresça no teu corpo
na serenidade das coisas que te acordam
como uma flor
na verdade que outros sois inventam.
(Poema de Maria Gomes in A Romã de Vidro)
sábado, dezembro 23, 2006
...e porque o Mundo precisa de Paz...
... não devemos esquecer a... Guerra...
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Natal 2006
Imagem de autor desconhecido
não te digo do natal coisa nenhuma
do natal enfeitado a sumaúma
que se arruma em cada ano nalgum canto
não te digo do natal em mar de espuma
esse efémero natal-coisa-nenhuma
quebradiço a ter-de-ser e sem encanto
não te digo do natal de coitadinhos
nem daquele de nós todos tão sozinhos
conformados sem ter sonhos nem espanto
não te digo do natal feito de prendas
num afecto leva-e-traz que me encomendas
e trocamos cada ano em qualquer canto
mas te digo um natal fio de seda
do casulo entretecido que te enreda
e te leva ao riso ao sonho em doce encanto
digo ainda do natal feito de enlaces
desfiando o casulo onde renasces
enlaçando cada ser por valer tanto
digo então um natal que desse fio
deslassado mundo fora como um rio
nos envolva a todos nós num acalanto
mais te digo do natal de um outro início
celebrando a nova esperança o solstício
recriado em nossa voz num novo canto.
Poema de Jorge Castro
FELIZ NATAL
segunda-feira, dezembro 18, 2006
As barreiras da razão...
Imagem de Debra Martelli
Hoje não me falem de dor
Levantei as barreiras da razão
Defini as palavras proibidas
Dor, não!
Digam do tempo, da chuva ou da bruma
Talvez do frio das noites
No conforto das casas aquecidas
Digam do mar
Que repousa em cachos de espuma
Diz-me tu, da vida
Não da tua nem da minha
Da dos desconhecidos que se cruzam
Na margem paralela do caminho
Conta histórias de outros tempos
De dias por conhecer
Enche-me de palavras os ouvidos
Das que despertam os sentidos
Sem limites nesta rota de ilusão
Hoje, dor não!
(Poema de Vida de Vidro)
sábado, dezembro 16, 2006
Um dia na Cidade...
Na manhã nova, a luz chega de seda
E envolve devagar o Porto Antigo
Como pedindo à noite, ávara e negra
Que troque agora de lugar consigo
Passaram horas; soa o meio dia
Nas torres de granito iluminado;
No apogeu da luz; o céu é sinfonia
E o Douro, imenso diamante lapidado
A tarde cai! É dos Pintores a hora
A cidade é tela, inacabada e pura
Com pinceladas rubras onde se demora
Toda a cor que alastra pela lonjura.
E a noite escura sucedeu ao dia;
As vielas são estreitas manchas pretas
Já ninguém lembra quem é que dizia
Que a esta hora o Porto é dos Poetas!...
(Poema da *Maria Jerónima aqui)
*Maria Jerónima não tem blogue. Conhecia-a numa Noite de Poesia, em que declamou de forma soberba um poema de António Gedeão, que pode ser lido aqui e foi um enorme prazer revê-la no Blogue Chave de Poesia
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Ser...
Pintura de Susan Rios
Eu não quero enriquecer como os demais
Pensando em tudo o que me apraz comprar;
E não quero só bens materiais
Quando outros mais posso amealhar.
Trincando petiscos preciosos
De risos enchendo serões quentes,
Eu quero os meus amigos ansiosos
Em tornar estes momentos mais frequentes.
Eu quero enriquecer ao dar a mão
Àquele que ao meu lado ma estenda,
Sem nada dar em troca, só um olhar
Que docemente pede que o entenda.
Pois riqueza não há maior que esta,
De dar o coração e receber,
Afeição, ternura manifesta
Que nunca é demais oferecer.
(Poema de Era uma vez um Girassol )
segunda-feira, dezembro 11, 2006
...amor é isso!
Imagem de autor desconhecido
Havemos de descansar. Sim. Descansar
Deixar de turbilhão a vida à porta
Como maré só de ida. Devagar
Que o amor se faz paixão, mesmo morta
Quando pára cansada, de madrugada
Por entre gritos e segredos de tudo e nada
Por dentro de mim na saudade de ti
Por certo sem rumo, sem aqui ou ali
Por força da Natureza que em nós se faz
Havemos de descansar. Sim. Mesmo sem paz...
Havemos de nos ver. Sim. De nos ver
Partir da terra à proa nos ventos
Como tempestades de carinho. Nascer
Que a paixão se faz amor, nos momentos
Quando adormece, se esquece
Por entre as noites em que tudo nos aquece
Por dentro da dança que se faz canção
Por certo sem medo, sem compromisso
Por força dos sonhos que nunca temos em vão
Havemos de nos ver. Sim. Porque amor é isso!
(Poema de Pedro Branco in Das palavras que nos unem)
sexta-feira, dezembro 08, 2006
O Sonho Adiado...
Óleo de *Alfredo Keil
O poeta continua a viagem
Pelo cais dos sonhos...
Mesmo sem a luz do Farol,
Sem a frescura da água
Das bicas do Chafariz,
Não desiste de sonhar...
Percorre o Ginjal
De mão dada com a serenidade
Deixa-se empurrar pelo vento
Naquele carreiro da liberdade
Apesar das paredes cinzentas
Marcadas pelo abandono
Acredita num futuro azul
Inspirado na beleza do Tejo
E no encanto das suas margens
O poeta continua a viagem
Pelo cais dos sonhos...
E promete,
Nunca desistir de sonhar...
(Poema de Luís Milheiro in Casario do Ginjal)
*Uma breve nota sobre Alfredo Keil: Compositor, escritor e pintor contemporâneo, deixou mais de 2000 obras, entre telas e desenhos. É ainda o autor da música "A Portuguesa" que com letra de Henrique Lopes de Mendonça, deu origem ao actual Hino Nacional.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Rasgo de Alegria...
Pintura de Ana Maria Jaramillo
Rasgo de alegria
Rompe pelo meu coração
Sinal de harmonia?
Ou apenas uma vibração?
Tempo curto que senti
Provavelmente por algo que assisti
Que no entanto já me escapou
Ou foi o vento que o levou.
Sinto agora a falta dessa emoção
Que estava dentro de mim
Só a tenho sentido na minha ilusão
E como me faz falta momentos assim.
Voltei a sentir de novo a sensação
De algo que pensei já ter esquecido
Voltando a dar razão
Que por estes momentos…tudo faz sentido.
(Poema de João Filipe Ferreira)
segunda-feira, dezembro 04, 2006
O Mar em nós
Imagem Google
Canto a vida como a conheço
E sei que o Sol é quente no
verão
Penso em ti quando adormeço
E por ti Amor farei uma
revolução.
Na minha vida até o sonho é mar
A imensidão perdida
na demora
De olhar o céu e poder contemplar
O azul onde tenho a
minha hora.
Canto o mar... em nós o sinto
E tenho em mim as ondas a
bater
Que ao Amor eu nunca minto
Nem lhe escrevo só por escrever.
Ah! se eu pudesse na verdade
Levar o barco...aonde tu estás
E ter
no teu olhar a felicidade
Das marés que ficam para trás.
Talvez o
sonho seja apenas ficar...
No areal de uma praia qualquer
E ouvir no
mar sereias a cantar
Quando a Lua vier nos conhecer.
E no meu olhar
de sonhador...
Procuro as rochas que há em ti
Rasgo tempestades de
Amor...
Digo-te tudo o que não esqueci.
Um dia, quem sabe, talvez a
sós
Tenhamos nestas águas uma cama
E como ilhas uma parte de
nós
Abraçando as ondas de quem ama.
(Poema de *F. Corte Real)
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Do Litoral...
Imagem de Ângela Maria Crespo
Falo do vento
porque o mar ondula
na larga emoção dos teus cabelos.
Falo do mar
porque um barco ainda navega
na verde distância dos teus olhos.
Falo de ti
porque a memória do tempo
se recusa a ser apenas de palavras.
E se palavras digo é porque sei
que outras flores não tenho para calar
o silêncio agrilhoado dos meus versos.
(Poema de Carla in O que de mim sei )






