Imagem de Paul Alfred de Curzo
Nunca provoquei nenhum fogo que daí não
assumisse as reais consequências: os meus defeitos
são outros.
Nunca me queimei na dignidade de uma
fogueira nem nunca feri ninguém.
Muito pelo contrário.
Conservo, assim, o meu cadastro limpo,
imaculado e o orgulho redito de nunca ter traído
a verdade.
Assim me conservo só, conscientemente presa
às minhas verdades, às minhas promessas
enterradas na planície quente, num dia de
Outono para que o vento as não levasse.
Amo-te, oh se te amo, como sempre te amei
até ao fim dos nossos dias, quando formos apenas
pó numa caixinha de arroz
E estou pura. Digo-te.
Imaculada.
Assim os primeiros beijos que te dei
numa estrada sem sentido rumo aos mares
do sul da poesia. Caminho que hoje pisamos.
Até ao fim dos nossos dias.
Quente, como esta água de verão.
Pó, numa caixinha guardado.
(Poema de Maria Teresa Lopes in Uma Flor à Janela)






