É uma metade de Lua
Desajeitada no céu.
Grito contínuo de esquecimento,
Nudez ao léu.
De novo estranhos.
Praia deserta, sem mais respostas
Nem límpidas mentiras
Em calorosos banhos.
O vento traz pétalas em forma de safiras.
Restos de festas evasivas
Convidam à recapitulação,
Ousada e pouco racional,
De escolhas emotivas dissuasivas.
O amor é uma rua abismal.
Fresca aragem sem aroma,
Adeus adiado e promíscuo
Cuja sede de eternidade
Constitui o maior sintoma.
Que ausência de fecundidade...
Que expressão pálida:
A estrada do Guincho
Coberta de cirros,
De vegetação árida.
O horizonte carece de navios.
Os olhos carecem de lágrimas,
Porque Setembro é um sentimento:
É uma metade de Lua
Desajeitada no céu.
Grito contínuo de esquecimento
– Nudez ao léu.
(Poema "Setembro" de D. B. Radou)






